Leão XIV e a FSSPX: tensões, diálogo e o desafio da unidade da Igreja
O Papa Leão XIV, 267º sucessor de Pedro, foi eleito, em 8 de maio de 2025, com a missão de cuidar da Igreja, zelar pela sua unidade e confirmar os fiéis na fé. Desde então, suas atitudes e gestos têm buscado manter a comunhão, mas também têm enfrentado desafios — entre eles, a delicada relação com a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX). As recentes nomeações de bispos pela Fraternidade, sem o aval da Santa Sé, aumentaram o risco de ruptura e a possibilidade de excomunhão, o que poderia aprofundar tensões e aproximar um cisma. Vamos compreender melhor essa questão.

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Um pouco de história
A história remonta ao período do Concílio Vaticano II (1962–1965) e às décadas seguintes. O bispo francês Marcel Lefebvre reagiu a mudanças litúrgicas e pastorais daquele tempo e, em 1970, fundou a FSSPX em Ecône (Suíça). Em 1976, foi suspenso a divinis por ordenar padres contrariando ordens; e, em 1988, ao consagrar quatro bispos sem mandato papal, sofreu a sanção de excomunhão. Bento XVI, mais tarde, anulou essa pena, mas não houve um acordo definitivo. Gestos de pontificados posteriores, inclusive do Papa Francisco, aproximaram posições, sem no entanto resolver todas as divergências.
O momento atual
No início de 2026, o superior geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani, informou que havia solicitado audiência ao Papa Leão XIV, sem resposta, e anunciou a intenção de consagrar dois novos bispos em 1º de julho. Pelo Direito Canônico, consagrações episcopais sem mandato papal podem acarretar excomunhão para consagrantes e consagrados, por serem vistas como atos com potencial cismático.
As opções do Vaticano
O sociólogo Carlos Eduardo Sell (UFSC) indicou três caminhos possíveis para Roma: aplicar uma linha dura com advertências e sanções; oferecer concessões para facilitar a reconciliação; ou buscar um diálogo estratégico, mantendo princípios inegociáveis, mas preservando canais abertos de comunicação. O Papa Leão XIV tem privilegiado a terceira via, tentando conciliar firmeza doutrinal e oferta contínua de diálogo.
A posição da Santa Sé
Em 13 de maio de 2026, a Santa Sé divulgou uma declaração do Dicastério para a Doutrina da Fé, assinada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández e aprovada pelo Papa Leão XIV. O documento alerta para o risco de cisma e reafirma que ordenações episcopais sem mandato pontifício são “atos cismáticos” (cf. Ecclesia Dei) e podem configurar motivo de excomunhão conforme o direito da Igreja. Ao mesmo tempo, o papa “continua a pedir, em suas orações, que o Espírito Santo ilumine os responsáveis da FSSPX, para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram”.
Pontos de divergência
Entre os temas que separam a FSSPX da Santa Sé estão:
– preferência exclusiva pela Missa Tridentina;
– críticas a determinados ensinamentos e reformas do Vaticano II;
– questões sobre liberdade religiosa e a relação com outras religiões.
Além disso, há tensões internas na própria Fraternidade: parte de seus membros defende a reaproximação com Roma; outros rejeitam qualquer acordo que não implique a rejeição do Concílio Vaticano II.
Por que isso importa para nós?
A unidade da Igreja é um bem pastoral e espiritual. Quando surgem tensões, o caminho usual é a escuta, o diálogo paciente e a busca de soluções que preservem a fé e a comunhão. Para nós, católicos, acompanhar esse processo com oração, informações corretas, discernimento e caridade é uma maneira concreta de colaborar para a unidade da Igreja.
Orar por reconciliação
Rezemos pelo papa, pelos responsáveis da FSSPX e por toda a Igreja, para que o Espírito Santo guie corações e mentes rumo à reconciliação. Informar-se com calma e sem alarmismo ajuda a construir um ambiente de paz e entendimento.
Rodrigo Luiz dos Santos
Jornalista, natural de Votorantim/SP, casado e membro da Comunidade Canção Nova desde 2000 no modo de compromisso do Núcleo.






