Leão XIV e a IA: a dignidade humana no centro da nova era digital
Considerado pela revista Time como uma das pessoas mais influentes no campo da Inteligência Artificial, por sua defesa de um desenvolvimento ético da tecnologia, o Papa Leão XIV assinou, no dia 15 de maio de 2026, a Encíclica Magnifica Humanitas (Humanidade Magnífica). A publicação do documento está prevista para o dia 25 de maio e já desperta grande expectativa, tanto pelo tema — a inteligência artificial — quanto pelos rumos do atual magistério.

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IA impacta áreas centrais da Igreja
No dia seguinte à assinatura, Leão XIV oficializou também uma Comissão Interdicasterial de Inteligência Artificial. De acordo com o Vaticano, o objetivo é facilitar o intercâmbio de informações e projetos sobre IA, incluindo as políticas de seu uso dentro da Santa Sé.
O gesto foi destacado pelo padre Antonio Spadaro como a resposta institucional mais significativa de uma grande organização religiosa mundial diante da inteligência artificial. Para ele, a IA já não pode ser tratada como questão apenas ética ou técnica, pois atravessa áreas centrais da vida da Igreja, como a comunicação, a educação, os processos doutrinais e a diplomacia.
Antiqua et Nova
A preocupação do Vaticano com o tema vem se consolidando nos últimos anos. Em janeiro de 2025, o Dicastério para a Doutrina da Fé e o Dicastério para a Cultura e Educação publicaram Antiqua et Nova, uma nota doutrinal sobre a relação entre inteligência humana e inteligência artificial. O texto afirma que a verdadeira inteligência envolve abertura moral e espiritual para a verdade, incluindo consciência, responsabilidade e alma — dimensões que nenhum algoritmo pode substituir.
IA e escolha do nome do Papa
A nova revolução industrial e desenvolvimentos da inteligência artificial impactaram na escolha do nome de Leão XIV. Em nossa época marcada por essas tecnologias que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho. Portanto, uma referência ao Papa Leão XIII que aborda a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial.
Uma linha do tempo da Doutrina Social da Igreja
A escolha da data coincide com os 135 anos da Rerum Novarum, de Leão XIII, em 15 de maio de 1891. As poucas encíclicas sociais publicadas foram, frequentemente, lançadas em aniversários da encíclica de Leão XIII.
15/05/1891 – Rerum Novarum, de Leão XIII
15/05/1931 – Quadragesimo Anno, de Pio XI
1961 – Mater et Magistra, de João XXIII, sobre maior participação dos trabalhadores na vida econômica
11/04/1963 – Pacem in Terris, de João XXIII
26/03/1967 – Populorum Progressio, de Paulo VI
Em 1981, João Paulo II pretendia lançar Laborem Exercens em 15/05, porém sofreu um atentado em 13 de maio e o lançamento foi adiado para 14 de setembro do mesmo ano.
01/05/1991 – Centesimus Annus, de João Paulo II. Documento publicado 100 anos após Rerum Novarum, alerta para a necessidade de limites éticos e equilíbrio da economia de mercado.
Lançamento
A apresentação do Documento será feita pelo próprio Papa no dia 25 de maio de 2026. Além dele, estarão cardeais Víctor Manuel Fernández (prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé) e Michael Czerny (prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral), as teólogas Anna Rowlands e Leocadie Lushombo, e Christopher Olah, cofundador da empresa norte-americana de IA Anthropic. O encerramento dos discursos estará a cargo do Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin.
Rodrigo Luiz dos Santos – Jornalista, natural de Votorantim/SP, casado e membro da Comunidade Canção Nova desde 2000 no modo de compromisso do Núcleo.




