Os sentidos da Escritura

Para fazer uma boa leitura da Bíblia, a Igreja nos recomenda ter em mente vários sentidos da Escritura:

A analogia da fé – A Bíblia é um livro de verdades religiosas reveladas por Deus. Cada texto está, de certa forma, relacionado com toda ela e com a fé da Igreja. Não podemos tirar um texto ou um versículo que seja deste contexto. Aqui, entra a fundamental importância da tradição e do Magistério da Igreja. É ela quem deve ter a palavra final, a fim de evitar o perigoso subjetivismo (“eu acho que…”).

O sentido da História – Deus é o Senhor da história dos homens, e a Sua santa vontade se realiza por meio das vicissitudes humanas. O avançar da história também nos ajuda a compreender a Sagrada Escritura. Jesus mandou observar os sinais dos tempos.


Assista: Como ler corretamente as Sagradas Escrituras?


O sentido do movimento progressivo da revelação – É importante notar que Deus, na Sua paciência, foi se revelando lentamente, durante 14 séculos, e continuou a se revelar durante mais de 20 séculos pelos caminhos da Sua Igreja, pela Sagrada Tradição (transmissão oral, não escrita) que para nós católicos tem o mesmo valor das Sagradas Escrituras.

O sentido da relatividade das palavras –
As palavras são relativas, ou seja, nem sempre são absolutas. Para compreender o texto bíblico, importa saber o que elas significavam exatamente quando foram usadas pelo autor sagrado.

O bom senso e o senso crítico – A nossa inteligência e o nosso equilíbrio diante dos fatos. É bom saber perguntar diante de certas interpretações: isto tem fundamento no texto original ou é apenas o ponto de vista de alguém em desacordo com o autor sagrado?

O sentido literal –
É dado pelo significado das palavras da Escritura e descoberto pela exegese (estudo profundo do texto bíblico), o qual segue as regras da correta interpretação. São Tomás de Aquino dizia que “todos os sentidos devem estar fundados no literal” (Suma Theol. 1,1,10 ad 1). (§116)

O sentido espiritual – Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que fala, podem ser sinais. O sentido espiritual pode ser subdividido em alegórico, moral e anagógico.

O sentido alegórico – Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos, reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e também sinal de batismo (cf. 1Cor 10,1-2).

O sentido moral –
Os acontecimentos relatados, na Escritura, podem conduzir-nos a um justo agir. São Paulo diz que eles foram escritos para a nossa instrução (cf. 1Cor 10,11).

Ler a Escritura dentro da tradição viva da Igreja inteira.

Conforme os ensinamentos dos Padres da Igreja, “a Sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais”. Com efeito, a Igreja leva, na sua tradição, a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura (“… segundo o sentido espiritual que o Espírito dá à Igreja”) (Orígenes, hom. Lv. 5,5), (§113).

(Extraído do livro “Ciência e Fé em harmonia”)


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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