Reflexão

Luz da fé: Deus é belo

Criados à imagem e semelhança desse Deus que é belo, podemos reconhecer também a nossa própria beleza

Neste programa “Luz da Fé”, quero refletir com você sobre os números 31 e 32 do Catecismo da Igreja Católica, que ensinam o seguinte:

As vias de acesso ao conhecimento de Deus

31. Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas «vias» para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de “provas da existência de Deus”, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de “argumentos convergentes e convincentes” que permitem chegar a verdadeiras certezas.

Foto: Jorge Ribeiro / cancaonova.com

Estas “vias”, para chegar a Deus, têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.

32. O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo.

São Paulo afirma a respeito dos pagãos: “O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade – tornou-se inteligível desde a criação do mundo através das criaturas” (Rm 1, 19-20) (8).

E Santo Agostinho: “Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde, interroga a beleza do céu… interroga todas estas realidades. Todas elas te respondem: olha-nos, somos belas. Sua beleza é um hino de louvor (confessio). Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo (Pulcher, pronuncie “púlquer”), não sujeito à mudança?” (9).

A criação

Nestes números 31 e 32 do Catecismo, a Igreja nos ensina sobre as vias de acesso ao conhecimento de Deus, afirmando que são duas essas vias de acesso: a criação (mundo) e a pessoa humana. No programa dessa semana, nos deteremos nessa via de acesso que é a criação, o mundo no qual vivemos.

Vamos pegar um exemplo bem prático: um operário que, todas as manhãs bem cedo, sai da sua casa em direção à fábrica onde trabalha. Se ele vai a pé, de bicicleta, de carro ou de ônibus não importa, o que importa é que ele saia da sua residência e vá ao local de trabalho para bater o seu cartão de ponto. Esse mesmo exemplo pode ser usado para alguém que trabalhe num escritório, no comércio ou que sai ainda de casa para a escola. O importante é que esse trabalhador precisa sair da sua casa (ponto A) até chegar ao seu local de trabalho (ponto B). A maioria de nós fazemos isso diariamente: saímos do “ponto A”, que é a nossa casa, rumo ao “ponto B”, que é o nosso local de trabalho.

Neste trecho do Catecismo, que estamos refletindo, a Igreja nos ensina que existe para todo ser humano esse “ponto B”, que é o conhecimento de Deus. E para fazermos essa experiência do encontro com Deus, temos essas duas vias de acesso, sendo que uma delas é a criação.

Ao citar a criação como via de acesso ao conhecimento de Deus, a Igreja fala sobre argumentos convergentes. O que significa isso?

Veja só: eu e você podemos ter linhas de raciocínio diferentes, ou seja, eu posso pensar de uma forma e você de outra. No entanto, mesmo tendo essas linhas de raciocínio diferentes, eu e você acabamos chegando à mesma conclusão. Isso é um argumento convergente. Deu pra entender? Linhas de raciocínio diferentes, mas que chegam à mesma conclusão.

Leia mais:
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A verdadeira certeza de que Deus é belo

A Igreja esclarece que esses argumentos convergentes permitem ao homem chegar a verdadeiras certezas. Uma dessas verdadeiras certezas é a de que Deus é belo. Deus é grande, justo e bom. E, também, é belo! Somos convidados a fazer essa experiência com a beleza de Deus. Você, meu irmão, é obra-prima de Deus! Você é imagem e semelhança desse Deus que é belo.

Ao me encontrar num ambiente cercado por árvores e com o sol e as nuvens do céu acima de mim, devo reconhecer que nada disso “é Deus”, porém, me levam ao conhecimento d’Ele. Aqui um ponto importante: tomemos muito cuidado com aquelas falsas doutrinas que afirmam que “o sol é Deus”, “o céu é Deus”, e assim por diante. Tudo isso: sol, céu, lua, estrelas, são coisas criadas por Deus, fazem parte da criação divina; assim como, eu e você. E essa criação nos leva à experiência de conhecermos a Deus, de nos encontrarmos com Ele.

Ao longo desta semana, convido você a louvar e bendizer a Deus por toda a criação. Agradecer pelo sol, pela lua, pelas estrelas, pelo verde da floresta. Louvar a Deus porque você, também, faz parte dessa criação e, dessa forma, levantar um hino de louvor ao Senhor pela sua beleza. Deus é belo! E criados à imagem e semelhança desse Deus que é belo, podemos reconhecer, também, a nossa própria beleza. Alegremo-nos por essa verdade!

Um forte abraço!

Alexandre Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova

(8) Cf. At 14, 15.17; 17, 27-28; Sb 13, 1-9

(9) Serm. 241,2: PL 38, 1134

Assista ao programa:

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