Parte II

Doutrina Social da Igreja: desígnio de Deus e missão da Igreja

A Igreja e o olhar pela pessoa humana

Por meio da Liturgia da Palavra e da Comunhão, a Igreja impulsiona a dignidade da pessoa humana. Assim, nos orienta em nossas ações diárias para que alcancemos significados mais profundos. Apesar da crença na providência divina, não podemos aguardar do plano de Deus um projeto engessado e definitivo.

Antes de tudo, somos testemunhas das mudanças sociais que nos fazem parte integrante de um grupo de pessoas que necessita, a cada tempo mais, daqueles que buscam pregar a justiça e a solidariedade. Então, será engessado e definitivo, exclusivamente, nossa busca cotidiana pela realização pessoal como cristão.

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Foto Ilustrativo: Bruno Marques/cancaonova.com

A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana

Como cristão é preciso estar atento, primeiramente, à missão que o próprio Cristo nos deixou: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensina-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28, 19-20).

Com isso, o desígnio da Igreja oferece ao homem o caminho de formar uma sociedade mais humana, uma comunidade tão próxima quanto uma verdadeira família. Encontra-se, então, a verdadeira vocação do povo de Deus de cumprir o preceito eleito por Jesus Cristo como o mais importante: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo!” (Lc 10, 27).

Por essas razões, o exercício da fé cristã vai além do próprio indivíduo, mas se revela pela dedicação para salvação das almas e pelo amor ao próximo, como membro efetivo da comunidade que se apoia na Igreja.

Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais

As transformações que precisam ser realizadas na sociedade, não são tiradas de um roteiro concreto e autoritário. Na verdade, é uma tarefa confiada à comunidade cristã, que deve realizá-la por meio da reflexão inspirada no Evangelho.

O amor ao próximo e a participação no amor infinito de Deus é o autêntico fim histórico e transcendente da humanidade. Portanto, embora seja necessário distinguir, com cuidado, o progresso terreno do crescimento do caminho em Cristo, a forma como conquistamos as coisas mundanas é a medida de nossas obras cristãs.

Novos céus e nova terra

A promessa de Deus e a ressurreição de Jesus Cristo acendem nos cristãos a esperança de que, para todas as pessoas, é preparada uma nova e eterna morada, uma terra em que habita a justiça e a paz. Essa esperança deve impulsionar a dedicação às boas obras realizadas no presente.

A prática dos ensinamentos de Jesus Cristo garantem ao cristão a recompensa por antecipar neste mundo, no âmbito das relações humanas, o que será realidade na vida eterna, empenhando-se em dar de comer, beber, acolher, vestir, cuidar e visitar o Senhor que bate à porta (Mt 25, 35-37).

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Maria e o Seu fiat ao desígnio de amor de Deus

A primeira dentre os discípulos de Jesus Cristo é Maria, Sua Mãe, cuja fé manifestou com o seu fiat (faça-se ou aceito) ao desígnio de amor de Deus: “faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Em nome de toda a humanidade, Maria acolhe na história o enviado do Pai, o Salvador dos homens.

A vida prometida e proporcionada a cada homem pelo Pai em Jesus Cristo é o complemento final da vocação do homem. É, também, o cumprimento do destino que Deus preparou à humanidade desde toda a eternidade. Esse destino divino torna-se o destino do homem de forma definitiva. Como o Santo Papa Paulo VI proclamou a Mãe de Cristo, também, Mãe da Igreja. O exemplo de Maria deve sempre ser lembrado em nosso caminhar pela doutrina da Igreja.

Desígnio de Deus e missão da Igreja

Muitos de nós, diante das dificuldades do caminho de Deus e das tentações do mundo, têm vontade de voltar atrás na missão de evangelização. Há, também, as provações que encontramos dentro da própria comunidade de fé. Esses desafios provocam a confusão de ideias em relação aos nossos irmãos e podem nos levar ao desânimo. Faz bem que, ao nos depararmos com tais opiniões, tenhamos a oportunidade de expressar nossos receios. No entanto, é necessário manter-se dentro dos devidos limites, escolhendo bem as palavras, o momento e o ouvinte.

É claro que, a vida da Igreja exige de nós uma fé particularmente consciente, profunda e responsável. A verdadeira comunhão requer entrega, aproximação, disponibilidade para o diálogo e busca constante da verdade no pleno sentido evangélico e cristão. E a verdade divina, constantemente confessada e ensinada pela Igreja, está no amor, no próximo e com a vontade de Deus que nos guia sempre pelo bem maior de todos os Seus filhos.

Que Deus nos ilumine e nos preencha do Espírito Santo, para que, com os ensinamentos de Jesus Cristo e ao exemplo de Maria, possamos dizer sim à nossa missão como cristãos, buscando nosso próprio crescimento espiritual nas ações de amor para com o outro e para o bem maior da sociedade.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB, 18 ed. Editora Canção Nova.

JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptor Hominis. Dado em Roma em 04 de março de 1979.


Luis Gustavo Conde

Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Professor de cursos técnicos. Catequista no Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Ribeirão Preto/SP. Palestrante focado na doutrina cristã. Contato: lg.conde@icloud.com Twitter: @luisguconde

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