Espírito Santo

A sabedoria vem de Deus e para Ele nos conduz

A sabedoria eleva a nossa alma à compreensão do jeito de Deus interpretar a realidade

Jesus viveu em Nazaré da Galileia e foi carpinteiro como São José. E a população da pequena cidade tinha boas lembranças a Seu respeito. No entanto, d’Ele não se projetavam grandes lances intelectuais ou funções importantes na hierarquia religiosa do judaísmo. Tanto que, todos se surpreendem com Sua presença e Suas palavras, carregadas de sabedoria.

“‘De onde Lhe vem tudo isso?’, diziam. ‘Que sabedoria é esta que Lhe foi dada?’. ‘E esses milagres realizados por Suas mãos?’. ‘Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão?’. ‘E Suas irmãs não estão aqui conosco?’”.

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Tornou-se célebre a afirmação de que “um profeta só não é valorizado na própria terra”. “Com efeito, depois de Jesus, com quase trinta anos, ter deixado Nazaré e, já há algum tempo pregava e fazia curas noutras partes, regressou uma vez para a Sua terra e pôs-se a ensinar na sinagoga. Os seus concidadãos ficaram admirados pela Sua sabedoria e, conhecendo-O como o filho de Maria, o carpinteiro que viveu no meio deles, em vez de recebê-Lo com fé, ficaram escandalizados com Ele (Mc 6, 2-3).

Os milagres de Cristo não são uma exibição de poder

Esse fato é compreensível, porque a familiaridade a nível humano torna difícil ir além e abrir-se à dimensão divina. Eles têm dificuldade em acreditar que Aquele Filho de um carpinteiro, seja o Filho de Deus. O próprio Jesus dá como exemplo a experiência dos profetas de Israel que, precisamente, na sua pátria tinham sido objeto de desprezo e identifica-Se com eles. Devido a esse fechamento espiritual, Jesus não pôde realizar em Nazaré milagre algum. “Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos” (Mc 6, 5).

Com efeito, os milagres de Cristo não são uma exibição de poder, mas sinais de amor de Deus, que se realiza onde encontra a fé do homem na reciprocidade. Escreve Orígenes: “Do mesmo modo que para os corpos existe uma atração natural da parte de uns para com os outros, como o ferro atrai o ímã, também, tal fé exerce uma atração sobre o poder divino” (Comentário ao Evangelho de Mateus 10, 19).

Jesus Cristo é a transparência de Deus

Portanto, parece que Jesus se resigna ao mau acolhimento que encontra em Nazaré. Pelo contrário, no final da narração encontramos uma observação do Evangelista onde diz que Jesus se admira com a incredulidade deles (Mc 6, 6). A admiração dos cidadãos que se escandalizam, corresponde à maravilha de Jesus, pois, Ele também, num certo sentido, se escandaliza!

Mas, não obstante, Ele sabia que profeta algum é bem aceito na pátria, todavia o fechamento do coração do Seu povo permanece para Ele obscuro, impenetrável: como é possível que não reconheçam a luz da Verdade? Por que não se abrem à bondade de Deus, que quis partilhar a nossa humanidade? Com efeito, o homem Jesus de Nazaré é a transparência de Deus, n’Ele Deus habita plenamente. E, enquanto nós procuramos sempre outros sinais, outros prodígios, não nos apercebemos de que o verdadeiro sinal é Ele. É Deus feito carne. É Ele o maior milagre do universo: todo o amor de Deus contido num coração humano, num rosto de homem (Bento XVI, Angelus do dia 8 de julho de 2012).

Sabedoria Divina

A sabedoria vem do alto e nós a reconhecemos entre os dons do Espírito Santo. Antes de ser competência humana, há de ser pedida com confiança, para que seja derramada em profusão sobre o povo de Deus. A sabedoria resplandecida na experiência de nossos anciãos e anciãs, tão valorizados pelas populações tradicionais e originárias de tantas partes do mundo, inclusive de nossa Amazônia. A sabedoria que brota da boca das crianças, pois se essas se calarem as pedras clamarão (Cf. Lc 19,40). Sabedoria testemunhada na busca da verdade presente em nossa juventude. Sabedoria na compreensão da Palavra de Deus, testemunhada em nossos grupos bíblicos. Sabedoria das pessoas que respondem ao mal com o bem, nadando contra a correnteza da maldade que se espalha pelo mundo.

A sabedoria vem de Deus e para Ele nos conduz, pois eleva a alma à compreensão do jeito de Deus interpretar a realidade. Que ela seja implorada numa vida intensa de oração, testemunhada e compartilhada nas comunidades cristãs, a fim de que, as novas gerações bebam na fonte viva e edifiquem a Igreja.

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No Espírito Santo encontramos a verdadeira sabedoria

Para identificar a presença da sabedoria autêntica, recordamos suas manifestações num belíssimo canto, presente em diversas comunidades de Igreja: “Que sabedoria é esta que vem do meu povo, é o Espírito Santo agindo de novo. Quem te ensinou, povo meu, a repartir entre irmãos o teu pão, os teus dons, teu coração? Quem te ensinou, povo meu, que o amor a teu Deus buscarás, para o ódio não poder nascer? Quem te ensinou, povo meu, que o Senhor tudo vê e julgará o que procuras esconder? Quem te ensinou, povo meu, que é preciso ter fé pra sentir Deus que sempre esteve em ti? Quem te ensinou, povo meu, que na Bíblia terás reflexões para tudo sobre o sol? Quem te ensinou, povo meu, no Evangelho encontrar condições pra uma vida já igual?”.

É mais sábio partilhar, abrir o coração, ser humilde; mais sábio perdoar e buscar a reconciliação. É mais sabedoria construir o bem do que semear o mal; comprometer-se com a verdade no lugar de ter a corrupção nas mãos, na mente e no coração. Esperamos que a nossa geração ofereça mais do que apenas técnicas ou teorias, mas vida autêntica, nascida de dentro, onde o Espírito Santo derrama seus dons!


Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

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