Família e filhos

Como responder ao afastamento do seu filho adolescente

O silêncio do filho adolescente não é um adeus: entenda como a presença, a paciência e a oração podem reconectar a sua família

No artigo anterior, entendemos o que acontece com o filho adolescente que se afasta: a metamorfose física e psicológica, a busca de identidade, o silêncio que não é fuga, os grupos, as redes sociais e as guerras silenciosas que ele percebe em casa. Agora vamos à parte prática: como responder. Ninguém educa à distância — se você quer ganhar o coração do seu filho, vai ter que mudar sua rotina e estar próximo, mesmo que a princípio pareça que nada está mudando. O mundo digital não oferece o que você oferece: carinho, presença, cuidado. Não substitua presença por presentes. Estar presente é gastar tempo — e muitas vezes esse tempo é tirado do trabalho e dos estudos, porque cuidar do filho é mais importante. Como dizia Dom Bosco aos que reclamavam das crianças malcomportadas: “Está faltando amor”. E amar é gastar tempo com quem se ama.

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Como responder

  • Presença: estar junto sem invadir, deixando claro, não com palavras, mas com atitude, que ele pode contar com você.
  • Porto seguro: que a casa seja um lugar de calmaria para onde ele possa voltar. Se as cobranças forem excessivas, ele buscará outro porto.
  • Escuta: ouvir a dor dele, validá-la. Ouvir não é ser permissivo; é o primeiro passo para ajudá-lo a sair do que o incomoda.
  • Paciência: você vai preparar a terra, plantar, adubar, regar — mas muitas vezes não é você que colhe. Os frutos podem aparecer lá na frente. Confie.
  • Firmeza amorosa: limites são fundamentais. Diga com clareza, sem brigar: “Aqui em casa os valores são estes, e são inegociáveis”.
  • Escolha as guerras: para nós, católicos, o essencial é o cumprimento dos Dez Mandamentos. O resto pode ser negociado. Caso contrário, a casa vira um inferno.
  • Construção diária: virtudes e vícios se constroem dia a dia, ponto a ponto. Ninguém resolve tudo na véspera da prova.

Amor incondicional: nunca vincule seu amor a notas ou a comportamentos. O filho não é o erro que comete; é um ser humano integral. Se ele cair, você continuará amando — é assim que ele será levantado.

E não persiga: nem interrogatório, nem ridicularização, nem perseguição. Quem se sente perseguido foge.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda

É normal buscar privacidade, falar pouco em casa, preferir o grupo. Começa a ser anormal um filho que fala constantemente da morte como solução (“seria melhor que eu morresse”), que quer o tempo todo o escuro, que se isola de todos, que abre mão dos hobbies e de todos os relacionamentos. Sobre o assunto da morte, é melhor exagerar no cuidado do que deixar passar despercebido. Também fique atento à agressividade: agredir os pais, envolver-se com grupos violentos, quebrar coisas dentro de casa é intolerável e exige ajuda.

E, atenção: procurar ajuda não é falta de fé. Buscar um psiquiatra, um psicólogo ou um terapeuta familiar — alguém de acordo com seus valores — é sinal de que você entendeu que seu filho é corpo, alma e espírito, e que a parte psicológica também precisa de apoio.

A oração que não desanima

Todo esse acompanhamento — mais intenso na adolescência — deve ser conduzido por nós, cristãos, por meio da oração e da proximidade com Deus. Santa Mônica chorou e rezou por Agostinho por anos, vendo o filho viver longe de Deus, e mesmo assim houve a conversão. Nada substitui a oração de um pai e de uma mãe por um filho. Não desanime por não ver os frutos: muitas vezes eles aparecem tarde, mas aparecem.

Recorra também aos santos: Santo Agostinho, que viveu uma juventude desregrada; São João Bosco e São Filipe Néri, que lidaram com jovens. Peça a intercessão deles.

A porta que volta a se abrir

Começamos com a porta fechada do quarto. Terminamos com a certeza de que essa porta pode voltar a se abrir — pouco a pouco, à medida que você se faz presente, que restabelece canais de comunicação, que permite a privacidade sem abandonar. Peça ao Espírito Santo que conduza cada conversa com seus filhos e dê a você sabedoria. Nosso Senhor conhece os corações: converse com Ele sobre o coração do seu filho.

O silêncio de hoje não é um silêncio para sempre. Ele se afasta? É natural. Não perca a esperança: a porta vai se abrir, e o coração dele vai, pouco a pouco, voltar para junto do seu coração.

Do seu irmão,
Almir Rivas
@almir.rivas.terapeuta