Maternidade

Quais são os dilemas da mãe moderna e como lidar com eles?

As dificuldades de ser mãe, esposa e profissional

A vida moderna tem características próprias: a jornada de trabalho tanto da mãe quanto do pai dificulta o tempo de permanência deles com a família; o aumento da violência atual traz uma preocupação maior com a segurança dos filhos; as notícias sobre a queda da qualidade da educação escolar leva os pais a buscarem escolas com melhores referências; e o núcleo familiar, cada vez mais reduzido, traz dificuldades no cuidado diário com as crianças.

Em todas as épocas, as mães sempre tiveram dilemas, mas esses mudam de acordo com as circunstâncias sociais, culturais e econômicas.

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Foto Ilustrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com

Quais são os dilemas?

Desde a mais tenra idade, surge o primeiro dilema: a mãe tem de voltar a trabalhar. A questão que entra em pauta é a seguinte: a criança vai ficar com a babá ou no berçário? Vai deixar com parentes ou com pessoas estranhas? A mãe deve voltar a trabalhar ou ficar em casa para cuidar pessoalmente dos filhos? Não existe resposta certa.

Essa decisão deverá ser analisada pensando nos prós e contras. Se a mãe ficar em casa, a criança terá mais apoio, porém, terão de adaptar-se ao salário do marido; mas quando a mãe é a mantenedora não há essa opção. Entre ficar com uma babá sozinha ou numa escola confiável, a segunda opção oferece uma possibilidade de a criança não sofrer maus tratos e ter uma alimentação mais saudável.

Quando se pensa no tempo disponível, lembre-se de que o que conta não é a quantidade, mas a qualidade do tempo, pois há mães que ficam em casa, mas, por falta de paciência, acabam agredindo os filhos em vez de educá-los e amá-los. Por outro lado, se o tempo que a mãe ficar em casa, ela se dedicar a brincar e ficar por inteiro com seus filhos – evitando trazer trabalho para casa, pelo menos enquanto as crianças estiverem acordadas –, esse tempo pertencerá a eles.

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Outro dilema: qual a quantidade de presentes ideal? Muitas vezes, os presentes refletem uma forma de amenizar a culpa pela falta de convívio. Crianças que tem a dosagem correta de presentes, que aprendem a esperar por datas ou comportamentos que os justifiquem, terão menos frustrações na vida, pois foram treinados a esperar e merecer. Às vezes, pensamos que presentes devem ser caros ou da moda, mas pequenos itens construídos juntos podem ter valores afetivos que nenhum dinheiro pode comprar.

A mãe e os diversos papéis

As mulheres, atualmente, fazem o papel de ‘Mulher Maravilha’, pois querem ser mães estremadas, esposas presentes e profissionais brilhantes; com isso, acabam superprotegendo os filhos, não deixando que se machuquem tanto física quanto emocionalmente. Mas, por mais que queiram, elas não conseguem, até porque o sofrimento faz parte do crescimento e amadurecimento. A estratégia é acompanhar a vida dos filhos com liberdade controlada e diálogo, pois isso ajuda na proteção e no desenvolvimento deles.

Para nortearmos a educação dos filhos, temos de saber que não os criamos para nós mesmos; portanto, é preciso dosar proteção e liberdade, e todas as escolhas precisam ser fonte de preparação para que eles possam ser felizes.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

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