Devoção

Sagrado Coração de Jesus, esperança do mundo

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus sempre teve um lugar especial na Igreja, sendo aconselhada por muitos Papas e por muitos santos como um meio de união a Jesus e de uma renovação na piedade católica. Esta devoção tem início com Santa Gertrudes, a “Grande”, uma monja cisterciense no século XII na Alemanha. Jesus mostra, em algumas visões a Gertrudes, o Seu coração abrasado de amor pela humanidade. Neste coração divino, está a fonte de todo amor e misericórdia. A Alemanha é um dos primeiros países a honrar o Coração do Salvador, ainda em forma privada. Santa Gertrudes quer que todos conheçam este Coração que ama todos os homens acima de tudo. Por isso, ela se torna uma das pioneiras dessa devoção tão eficaz de piedade e amor.

Entre os anos de 1673 a 1675, dá-se uma série de aparições de Jesus a uma humilde religiosa Margarida Maria Alacoque, da Ordem da Visitação de Santa Maria, numa pequena cidade francesa chamada Paray-le-Monial. Margarida se torna a grande apóstola desse coração Divino. Enquanto que em Gertrudes se dá o culto místico e mais reservado, em Margarida Maria se dá um culto mais devocional e reparador, ganhando assim uma maior popularidade no meio francês. A França se destaca na propagação e no culto ao Sagrado Coração de Jesus. O Coração de Jesus vai se tornando como que um fogo que devora a frieza naqueles meados do século XVIII, com isso a piedade do povo crescia e as almas se tornavam mais fervorosas.

Sagrado Coração de Jesus esperança do mundo

Foto Ilustrativa: sedmak by Getty Images

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Podemos lembrar dos grandes santos que contribuíram com a propagação da devoção a este Coração Divino, que fizeram deste coração sua única herança e consolo. Entre essas fileiras se destacam: São Francisco de Sales, Santa Joana de Chantal, Santa Matilde, São João Eudes, Santa Teresa Margarida Redi, São Cláudio de la combière, São João Bosco, Madre Clélia Merlone, Madre Carmela Prestigiacomo, Padre Leon Dehon e tantos outros. O Coração do Redentor foi para eles a escola da santidade e do crescimento de toda virtude.

Jesus, em uma das aparições a Santa Margarida, mostra o seu coração que tanto amou os homens, e se entristece ao ver que os homens não o amam o suficiente e, invés de pagarem o amor recebido com amor, só recebe ingratidão do gênero humano. Jesus que quer que todos os homens se salvem. A chama desse Coração é o amor. O coração de Jesus é o grande tesouro do Pai, um coração vazio de si e cheio do amor do Pai. O Coração diz do mais profundo de uma pessoa, sua essência, sua centralidade, o todo de um homem. Cultuar o Coração de Jesus não é cultuar um coração destacado, um simples órgão de um corpo. Ao contrário, é adorar e honrar a Sua pessoa, Ele, o Verbo Divino de Deus, é acolher o Seu amor. Um Amor que nunca desiste do homem. Com Santa Margarida Maria e com a ajuda do seu confessor, essa devoção ao Coração Santíssimo de Jesus cresce rapidamente na França e se espalha pelo mundo.

Devemos lembrar que a época que começa a surgir o culto ao Sagrado Coração de Jesus é o início da Revolução Francesa. Numa época de grande frieza e aversão ao catolicismo, a fé e a devoção ao Coração de Jesus vêm incendiar o mundo, dando um novo ardor, reacendendo a fé no coração de muitos. São João Eudes, o responsável pelo culto solene e oficial ao Coração de Jesus, vê, neste coração, a esperança do mundo. São João Eudes via, neste Coração, uma fornalha ardente de amor que espalha seu fogo e suas chamas à face da Terra. O Coração de Jesus seria a única salvação e esperança da França fria de então. Por meio do culto ao Seu Coração Santíssimo, Jesus reacendeu o ardor da devoção.

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O Coração de Nosso Senhor é a esperança

O Papa Pio XII, em sua encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus, diz: “Inumeráveis são as riquezas celestiais que, nas almas dos fiéis, infunde o culto tributado ao Sagrado Coração, purificando-os, enchendo-os de consolações sobrenaturais e excitando-os alcançar toda sorte de virtudes”; e o mesmo Pontífice nos diz que essa santa devoção é a esperança do mundo moderno. O mundo que nós vivemos precisa se voltar por inteiro a esse Coração Divino e buscar nele sua esperança e salvação. O homem de hoje precisa descobrir neste amor divino o amor de um Deus que o ama, que o perdoa, que nunca desiste dele, um amor gratuito que nos ama e pronto, sem critérios.

Nós colocamos critérios para amar as pessoas, mas o Sagrado Coração ama a todos, o seu critério é a misericórdia. Ele quer que todas as pessoas que se encontram cansadas, abatidas, sem esperança, sem alegria, venham encontrar refúgio e força no Seu coração, como o discípulo amado, reclinar a cabeça sob o peito do Redentor.

Diante de tudo que o mundo hoje enfrenta, o Coração de Nosso Senhor é a esperança e a alegria que o mundo precisa, pois o amor de Deus é a maior Boa Nova, é a maior notícia que o mundo precisa ouvir, um Deus perto do Seu povo, que o ama como gente, que sofre com ele, chora também suas dores e se fez pequeno,  fez-se amor encarnado para estar mais perto do ser humano. O Amor não é um sentimento, Ele é uma pessoa; o Amor encarnado do Pai é Cristo, Ele é o próprio amor que eu e você necessitamos mais que tudo. Que o mundo possa encontrar, no Coração de Jesus, sua esperança, e que este nobre Coração reine e impere no mundo em que vivemos.

Que o reinado deste Coração venha sobre toda a face da Terra, e aconteça um novo Pentecostes de amor, onde a frieza e o desamor sejam exterminados e a chama deste Deus amor nos queime e nos faça centelhas do Seu amor no meio da sociedade onde estamos. O coração de Jesus tudo vence! Venha o teu Reino, Senhor!

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José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.

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