‘Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’ (Mt 4,4)
Essa é a resposta de Jesus à primeira das três tentações que ele sofreu no deserto depois de ter jejuado 40 dias e 40 noites. E é a mais elementar das tentações: a fome. Justamente por isso o tentador aproveita a ocasião para propor a Jesus que se utilize de seus próprios poderes para transformar as pedras em pão. Que mal existiria no fato de satisfazer uma necessidade própria da condição humana? Jesus, porém, percebe a armadilha que está por trás daquela proposta: a sugestão de instrumentalizar Deus, pretendendo que Ele se coloque somente a serviço das nossas necessidades materiais. No fundo, o tentador quer levar Jesus a uma atitude de autonomia e não de abandono filial ao Pai.

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Eis, portanto, a resposta de Jesus, que é também uma resposta a todos os nossos porquês diante da fome no mundo, e também à reivindicação cada vez mais dramática de milhões de seres humanos que necessitam de alimento, de casa, de roupas. Ele, que alimentará as multidões com o milagre da multiplicação dos pães, e que fundamentará o juízo final também no ato de dar de comer aos que têm fome, nos diz que Deus é maior que a nossa fome e que a sua Palavra é o nosso principal e essencial alimento.
“Está escrito: ‘Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'”
Jesus apresenta a Palavra de Deus como pão, como alimento. Este pensamento, esta comparação nos ajuda a entender como deve ser o nosso relacionamento com a Palavra. Mas, afinal, como podemos nos alimentar da Palavra? Se, antes de ser o que é, o grão é semente, depois se torna espiga e finalmente pão, assim a Palavra é como uma semente plantada em nós que deve germinar; é como um pedaço de pão que é comido, assimilado, transformado em vida da nossa vida.
A Palavra de Deus, o Verbo pronunciado pelo Pai e que se encarnou em Jesus, é uma presença de Deus entre nós. Cada vez que acolhemos e procuramos colocar a Palavra em prática é como se nós nos alimentássemos de Jesus. Se o pão nos alimenta e nos faz crescer, a Palavra nos nutre e faz crescer o Cristo em nós, nossa verdadeira personalidade. Uma vez que Jesus veio à Terra e se fez nosso alimento, não pode ser mais suficiente um alimento natural como o pão. Precisamos do alimento sobrenatural que é a Palavra para crescer como filhos de Deus.
A Palavra que alimenta
A natureza deste alimento – a Palavra – é tal que se pode dizer dele o que se diz de Jesus na Eucaristia: quando dele nos alimentamos, ele não se transforma em nós, mas somos nós que nos transformamos n’Ele, porque somos, de certo modo, assimilados por Ele. Portanto, o Evangelho não é um livro de consolação onde nos refugiamos unicamente nos momentos dolorosos, mas sim o código que contém as leis da vida, leis que não devem ser apenas lidas, mas assimiladas, “comidas” com a alma e, assim, elas nos fazem semelhantes a Cristo em cada momento da vida. Podemos nos tornar outros Jesus atuando plenamente e ao pé da letra a sua doutrina. As suas Palavras são Palavras de um Deus, cheias de uma força revolucionária, inimaginável.
Logo, devemos nos alimentar da Palavra de Deus. E, assim como hoje o alimento necessário para o corpo pode ser concentrado numa única pílula, também nós podemos nos alimentar de Cristo vivendo a cada momento uma única Palavra do Evangelho, porque em cada uma de suas Palavras, Jesus está presente. Existe uma Palavra para cada momento, para cada situação da nossa vida. E é a leitura do Evangelho que poderá nos revelar cada uma delas. Então, por amor a Deus, vivamos agora o amor ao próximo, que é um concentrado de todas as Palavras.
Fonte:
www.focolares.org.br






