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Sacerdócio ministerial: o coração de Deus a serviço da Igreja

Memórias e gratidão pelo ministério sacerdotal

Partilhar sobre o ministério sacerdotal me faz recordar a minha infância ao chegar na Capela São José Operário da Paróquia Cristo em Várzea Grande Mato Grosso. Uma terra marcada pela presença dos missionários salesianos que chegaram em Cuiabá, a 18 de junho de 1894, sob a liderança de Dom Luís Lasagna, também salesiano.

O meu primeiro contato paroquial foi na catequese, o acolhimento, a simplicidade, a alegria e a pedagogia da catequista; depois, foram os testemunhos do meu pároco, padre José, sdb. O seu empenho na paróquia era notório, um homem incansável, de oração e ações.

Créditos: Arquivo CN.

A sua presença marcou em todos os âmbitos a nossa comunidade: o amor e piedade nas celebrações eucarísticas, a atenção à catequese, o cuidado com à juventude, a disponibilidade, a alegria e escuta e a ajuda aos menos favorecidos. Tinha um traço forte e particular, era assertivo e eloquente na comunicação, de modo que os paroquianos sentiam-se motivados e  responsabilizados em colaborar nas necessidades da comunidade, pois compreendiam o bem comum que poderiam realizar.

Foi desse modo que a Capela São José Operário foi construída, com a doação dos paroquianos: tijolos, bolsa de cimento, um pouco de areia e a participação no mutirão para a construção.

Na minha juventude, continuei essa experiência com o pároco padre Felisberto, diocesano, com seu apoio no grupo de jovens, na ação social, na escuta, na caridade, no acolhimento, no grupo de oração, na liturgia.  Aprendi que crescemos como pessoas assumindo os erros e acertos, e que isso faz parte do ser Igreja, porém, essa fase juvenil foi marcada pela sua paciência, seu diálogo, o acreditar na pessoa.

Sou fruto da graça de Deus, que chamou e encontrou homens disponíveis,  generosos que doam suas vidas com amor no ministério sacerdotal, colocando-se a serviço da Igreja para conduzir um povo para o Céu!

Tudo isso marcou a minha história de fé e ação. Fui formada nessa escola paroquial, de proximidade, amizade, alegria, diálogo, colaboração,  partilha, onde todos são importantes e tem algo para oferecer, enfim, uma grande família. Isso foi possível pela graça de Deus e pelos padres que me indicaram o caminho a seguir.

A influência dos missionários e párocos na caminhada de fé

Nesses 28 anos como missionária na Comunidade Canção Nova, fazendo memória das frente de missão por onde passei, volto meu olhar também para a minha paróquia de origem e vejo o testemunho do Pároco padre Overland e dos vigários que lá se encontram e doam a vida com empenho, amor e zelo. Quantos corações são alcançados  pela expansão da evangelização que lá se dá pelas potentes mídias de comunicação!

Mas também tive a oportunidade de estar em tantas paróquias e ver uma quantidade significativa de padres idosos, alguns doentes, outros sozinhos como padre que com fidelidade se doa generosamente, é perceptível o cansaço, porém movidos pelo amor a Cristo e exercem magnanimamente o seu ministério.

Vi vários casos de enfermidade! E diante de tantas realidades, eu e meu esposo assumimos nas nossas orações pela Igreja Povo de Deus, pedindo e rezando pelas vocações, pelos seminários e o clero em geral para que sejam sustentados no caminho terreno e alcancem a pátria definitiva.

O altar e o calvário: o chamado à maternidade e paternidade espiritual pelo Clero

O sacerdócio é um mistério de contraste: mãos humanas e frágeis que possuem o poder divino de tornar Cristo presente na Eucaristia. Reconhecendo essa realidade, a Igreja — através do decreto de 2007 do Dicastério para o Clero, pessoa do prefeito, o nosso saudoso Cardeal Cláudio Hummes — convocou os fiéis a um movimento de adoção espiritual dos sacerdotes, fundamentado em dois pilares centrais:

O vínculo ontológico: Eucaristia e sacerdócio

Existe uma ligação de “ser” (ontológica) entre o Sacramento da Ordem e o da Eucaristia. Não há um sem o outro.

Por isso a santidade do clero não é apenas um desejo piedoso, mas uma necessidade vital para a saúde da Igreja. O chamado é para que as almas se tornem “guardiãs do altar”, sustentando, através da oração, aqueles que sustentam a vida sacramental do mundo.

Os Guardiões do Altar são um chamado à paternidade espiritual pelo Clero. Imagine, por um instante, o peso que repousa sobre as mãos de um sacerdote, mas que traz Deus à terra na Eucaristia e perdoa os  pecados em Nome de Cristo. Mas quem sustenta essas mãos quando elas tremem de cansaço? Quem vigia em oração por aquele que vigia pelo rebanho? Hoje, a Igreja faz um convite urgente e amoroso a cada um de nós: tornamo-nos pais e mães espirituais dos nossos sacerdotes.

O modelo do calvário: a maternidade de Maria

A missão do apoio espiritual encontra seu modelo no Gólgota. Ao confiar o apóstolo João aos cuidados de Maria (Jo 19,26-27), Jesus não apenas deu uma mãe ao discípulo amado, mas instituiu a Maternidade Espiritual para todo o sacerdócio.

A Origem Divina: Assim como Jesus, o sacerdote não é gerado pela vontade da carne, mas por Deus. Para que essa vocação divina floresça em meio às tentações do mundo, o padre necessita do cuidado maternal de Maria e da intercessão da Igreja.

A Missão do Fiel: Inspirados pela Virgem Santíssima, os fiéis são chamados a “gerar” a santidade dos padres diariamente, acompanhando-os do Tabernáculo à Cruz.

Leia também, outros artigos de Nilza Maia:
.:Maria, a Mulher da Esperança que aguardou o Salvador
.:A mensagem de Fátima: escola de santidade
.:Aparições de Fátima: uma chama que cultiva a esperança 

As três dimensões do apoio espiritual

Para concretizar essa adoção, a Igreja propõe três vias de ação:

Adoração Eucarística: Onde o fiel repara a solidão do sacerdote e intercede pela sua fidelidade.

Oferecimento da Vida: A transformação do cotidiano (dores, trabalhos e renúncias) em um sacrifício de amor pela santificação dos clérigos.

Oração do Rosário: O meio pelo qual Maria molda o coração do ministro à semelhança do Coração de Jesus.
Ser um pai ou mãe espiritual de um sacerdote é aceitar o papel de “Cireneu”. É olhar além das falhas humanas do homem e enxergar a dignidade do Cristo que ele carrega. A Igreja convida cada fiel a não ser um espectador, mas um protagonista na preservação da santidade daqueles que dedicam suas vidas a nos dar o Pão do Céu.

Recorde do seu pároco e dos padres que conhecem e também os desconhecidos em tantas paróquias e espalhados em diversos campos missionários. Faço o convite, você aceita o compromisso de rezar por eles? Oferecer um tempo de adoração ao Santíssimo, rezar o rosário, missas, jejuns e os seus sofrimentos.

 


Nilza Pires Corrêa Maia

Nilza Pires Corrêa Maia é Brasileira, nasceu no dia 09/03/1974, em Várzea Grande, MT. É Membro da Associação Internacional Privada de Fieis – Comunidade Canção Nova, desde 1999 no modo de compromisso do Núcleo.