Ressurreição, a loucura que salva

Deus é sempre inabarcável. Ele é sempre maior do que nossa tentativa de compreendê-Lo e a nossa linguagem – humana e limitada – nunca será capaz de conter e limitar aquilo que Ele é. O Altíssimo nunca será prisioneiro daquilo que o homem compreende ou define sobre Ele, por isso, todo o conhecimento acerca do Mistério será sempre analógico – manifestado por analogias – e aproximativo.
Tal realidade faz com que o Mistério seja sempre mistério, possuído apenas por Deus e revelado somente por Ele na forma e proporção que quer, onde quer e a quem quer.

Assim o homem se torna mais modesto e compreende o seu lugar, entendendo que ele não possui o Mistério, mas é possuído por Ele. Imagem concreta disso temos no evento da ressurreição de Cristo, maneira mistérica e paradigmática de Deus revelar ao mundo o Seu poder vitorioso.

O Todo-poderoso é sempre surpresa e “Seus planos estão sempre acima dos nossos” (cf. Is 55,8-9). Que mente humana poderia conceber que a maior vitória de todos os tempos – sobre a morte e as forças infernais – se realizaria por meio do profundo escárnio e humilhação d’Aquele que seria o Libertador, que sofreria até o ponto de ser injustamente assassinado, e que, quando o mal tivesse aparentemente efetuado sua vitória, esse mesmo Libertador ressuscitaria vitorioso pela força do Seu sacrifício?

O jeito de Deus é diferente do nosso. Quando achamos que tudo está perdido Ele se revela – inabarcável aos nossos sentidos – manifestando a vitória alcançada pela força da dor que se transforma em amor, por intermédio da sublime entrega e doação pelo bem.

A ressurreição se revela para nós como o “Sim” de Deus à humanidade; e esta manifesta que a dor e a morte não são o fim, mas podem ser sempre um novo começo.

Quem poderia imaginar: Quando todos achavam que tudo estava perdido e que o sonho havia se extinguido, Deus concede a suprema vitória sobre o mal ressuscitando dos mortos Seu Filho, revelando assim a “loucura que salva” (cf. I Cor 1,25) na imprevisibilidade de Sua ação, que surpreende o coração humano.

A Ressurreição nos ensina que precisamos confiar mais em Deus que em nós mesmos, pois mesmo quando não vemos nem percebemos o triunfo d’Ele em nossa história, Ele está agindo e realizando salvação em nós e naqueles que nos são caros, muitas vezes, por caminhos que desconhecemos e ainda não compreendemos.
O Altíssimo tem sua maneira de agir no humano e Sua ação é sempre soberana. Muitas vezes, a exemplo de Cristo, a Sua vitória se manifestará em nossa vida através daquilo que aparentemente é nossa maior derrota…

É preciso confiar no Senhor assumindo sempre como paradigma a lógica da Ressurreição, que nunca caberá em nossos conceitos e percepções.

Deus é mistério, revelado, sim, mas sempre mistério. É preciso que tenhamos a humildade de percebê-lo assim, pois quem se sente seu possuidor nunca compreenderá a Sua maneira sempre nova de realizar na história a dinâmica da Ressurreição: “Vitória que confunde os sábios e eleva os humildes”.

O Criador de todas as coisas será sempre maior que os nossos raciocínios! A surpresa expressa na Ressurreição assim o atesta. Deixemos, pois, que Seu amor nos conduza às estradas de Seus sonhos para nós, e confiemos na Sua misteriosa providência que tem o dom de nos trazer à vida, mesmo quando a morte parece ter triunfado em nossos dias.

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