O amor que escandaliza

“Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.’” (Lc 15, 2).

Os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus, porque Ele não desprezava os pecadores públicos, como faziam os judeus com os publicanos, que eram cobradores de impostos na época do Império Romano. O Mestre estava no meio daqueles homens para falar-lhes ao coração e levá-los à conversão, mas, para isso, Ele precisava se aproximar deles. Como Jesus era judeu, Ele colocava em jogo a sua reputação, o seu nome, pois comer com os pecadores era contra as leis judaicas. Depois de ser criticado pelos fariseus e mestres da lei, Jesus conta a eles duas parábolas.

Em primeiro lugar, Jesus conta a parábola da ovelha perdida, fazendo uma pergunta àqueles judeus: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc 15, 4). Ele tenta convencer seus compatriotas de que os pecadores precisavam de acolhimento e de uma nova chance. Jesus se coloca no lugar do pastor, o qual se alegra por encontrar a ovelha perdida (cf. Lc 15,6), por estar com aqueles homens, pecadores públicos, que, no encontro com Ele, tiveram a chance da conversão. Por isso, o Bom Pastor diz: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lc 15, 7).


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Depois, Jesus conta a parábola da moeda perdida, começando por mais uma pergunta: “E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente até encontrá-la?” (Lc 15, 8). Para nós, esta parábola não é muito significativa, mas para os judeus tem um significado importante. Com aquela moeda perdida, faltava a plenitude, significada pelo número dez. Ao contar essa parábola, o Mestre nos mostra que Ele não quer perder ninguém, por isso Ele comia com os pecadores para tentar resgatar quem estava perdido.

Jesus está sempre conosco, mesmo quando estamos em pecado, pois Ele quer a nossa santificação e a nossa salvação. Parece uma loucura, uma insanidade deixar as noventa e nove ovelhas no deserto para procurar a ovelha perdida (cf. Lc 15, 4). Fazendo isso, havia o risco de alguma delas também se perder. Este foi o risco que o Senhor correu ao voltar-se para aqueles homens, considerados pecadores públicos, pois, Cristo era judeu e, por isso, estava escandalizando seus iguais. Da mesma forma, hoje, Ele também esteja arriscando perder outras ovelhas visitando a mim e a você, mesmo quanto estamos em pecado.

O amor de Deus é assim, escandaliza e nos deixa sem palavras, pois não somos capazes de compreendê-lo. Porém, com tantas provas de amor, não podemos negar que somos amados pelo Senhor. Ele nos amou quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 8), como amou aqueles publicanos. Como Mateus, que se chamava Levi e era cobrador de impostos, respondamos ao chamado de Jesus que nos diz: “Segue-me!” (Mc 2, 14). Sigamos os passos de Mateus, o qual, depois da Ascensão de Jesus, permaneceu em Jerusalém unido em oração com os outros apóstolos, os discípulos e a Virgem Maria (cf. At 1, 13-14). Peçamos que a Mãe do Senhor nos confirme na fé e nos prepare para receber o Espírito Santo. Que Nossa Senhora também nos acompanhe em nosso ministério e, cheios do Espírito Santo, possamos ser fiéis a Jesus Cristo até o fim e alcançar o Reino dos Céus.

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