Deus quer que nos reconciliemos

Isto está escrito no Novo Testamento, em especial nos Evangelhos, de várias maneiras diferentes: Jesus orou ao Pai: Pai, que todos sejam um. Paulo escreve que a missão de Jesus era reconciliar toda a criação com Deus. Reconciliação é, de fato, um sinônimo de salvação. Portanto, Deus quer que estejamos reconciliados com ele. Seguindo as palavras de S. João, como alguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não ama o seu próximo, a quem vê? A divisão é uma conseqüência do pecado, e é obra de Satanás. Pecando, nos separamos de Deus, e surgem divisões em relação ao próximo e até mesmo dentro de nós. Portanto, se queremos entrar no barco de Deus, e não no outro barco, temos que fazer a sua vontade: nos reconciliarmos.

Se queremos nos reconciliar, não há utilidade nenhuma em procurar saber de quem é a culpa. Deus tem nos ensinado que reconciliar-se é aceitar e acolher o outro, através de uma decisão de nossa livre vontade, para nos conformarmos (conformar, tomar a forma de) à vontade de Deus. Se tentarmos provar que estamos certos e o outro está errado, tendemos a nos agarrar a nossas posições e tomar uma atitude de defesa (ou, pior ainda, de ataque) — que, no fim das contas, provavelmente nos levará a um antagonismo ainda mais forte. Há um provérbio chinês que diz mais ou menos assim: “Se você trabalhar por um objetivo sem mudá-lo, você provavelmente vai consegui-lo”. Então, nosso objetivo deve ser muito claro: reconciliação. Se começarmos a procurar o culpado, não chegaremos à reconciliação, porque essas duas buscas seguem por caminhos diferentes.
      
      NÃO ACUSE

OK, não vamos nem mencionar ofensas pessoais e rótulos negativos que costumamos colocar nos outros quando estamos com raiva. É claro que este tipo de atitude está fora de questão quando se fala em reconciliação.
Mas vamos falar de acusações. É fácil colocar a culpa no outro. Eu não tenho que me esforçar para ouvir, para compreender… Ao mesmo tempo, eu não preciso olhar para dentro de mim mesmo. Eu preciso apenas acusar você, e quanto mais alto eu gritar, mas fortes parecerão meus argumentos. Se agirmos assim, qual será a reação do outro? Fechamento, defesa, ataque. Em outras palavras, se acusarmos o outro, não alcançaremos a reconciliação. Além disso, Jesus disse: Não julgueis, e não sereis julgados. Eu não posso realmente falar das intenções e sentimentos do outro. Só para exemplificar, muitas vezes aconteceu de estarmos chateados, acreditando que o outro houvesse feito isto ou aquilo com determinada intenção, mas depois, partilhando os sentimentos, qual não foi nossa surpresa ao descobrirmos que não tinha sido daquela forma que havíamos pensado. Portanto, jamais posso dizer: “Você fez isto para me ferir”. Isto seria um julgamento, porque só Deus pode saber o que está no nosso coração. Mas eu posso falar de mim mesmo e dos meus sentimentos. Isto nos traz ao quarto ponto:
      
      SINCERIDADE E VERDADE

Como eu disse antes, eu não posso dizer: “Você fez isto para me ferir”. Mas posso dizer: “Isto que você fez me feriu”. Você pode ver que há uma grande diferença. No primeiro caso, estou acusando você. No segundo caso, estou partilhando a verdade que está dentro de mim. Ainda que esta verdade pudesse significar minha própria fraqueza. Ser sincero significa não dizer algo que eu absolutamente não tenho como saber sobre o outro, mas dizer aquilo que eu posso saber sobre mim mesmo. Ser sincero exige muita coragem. Significa que eu tenho que entrar no meu próprio coração e entrar em contato com meus sentimentos, ser verdadeiro comigo mesmo sobre mim mesmo, e então partilhar isto com o outro. Partilhar, e não julgar. Isto é sinceridade, isto é verdade.
      
      ESTAR ABERTO AO OUTRO

Uma vez que você tenha partilhado seus sentimentos, não espere esta ou aquela atitude por parte do outro. Esteja aberto ao que ele ou ela tem a dizer para você. Não espere ser compreendido, nem incompreendido, ou mesmo mal entendido. Não faça fantasias na sua mente. O outro é um mundo misterioso, no qual não podemos penetrar. Já partilhamos nosso sentimento com o outro. Agora temos que estar abertos para acolher a partilha do outro.

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