Deus, a ninguém tenta

Em Deus não habita o mal. Nada de ruim vem de Deus. Deus é inacessível e inatingível. O mal não pode corromper a Deus nem atingi-lo. Por isso, Deus não pode tentar ninguém e o mal não pode tentá-Lo.

“Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: ‘É Deus quem me está tentando’. Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1,13).

Aquele que se deixa arrastar para o mal não deve pôr a culpa em Deus, pois Ele não pode querer o mal, o pecado e a tentação procedem do interior do homem. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência.

O demônio se utiliza da concupiscência para arrastar o homem para fazer o mal; tentando-o para o pecado. Deus não tenta, apenas prova os que são seus.

Mas a criatura transfere a sua responsabilidade e sua fraqueza ao seu Criador dizendo: “é Deus quem está me tentando”. Pela sua covardia em assumir, põe a culpa em Deus, nunca no demônio ou em si mesmo. “A estupidez do homem perverteu o seu caminho e é contra Deus que seu coração se irrita” (Pr 19, 3).

Por causa do domínio do pecado sobre a concupiscência do homem, ele se submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrestres e à auto-afirmação contra os imperativos da razão. O homem perdeu o seu autodomínio, o domínio de si mesmo.

Com o pecado, o homem ficou com sua natureza enfraquecida, sujeitando-se apenas aos prazeres carnais.

“Antes, cada qual é tentado pela própria concupiscência , que o arrasta e seduz. Em seguida a concupiscência, tendo concebido dá à luz o pecado, e o pecado, atingindo a maturidade, gera a morte” (Tg 1, 14-15).

Sabemos que o pecado age diretamente no homem em suas três dimensões: corpo, alma e espírito. O arrasta e seduz, levando-o, assim, à morte. O pecado na sua maioria das vezes, entra através da sedução que é a tentação.

Os nossos sentidos são atingidos diretamente e, quando absorvidos, gera o pecado. E isto acontece quando se dá vazão ao pecado e o concebe. Todo pecado, quando atinge sua maturidade, gera a morte.

Tentação não se enfrenta, mas se afugenta e, não com nossas forças, mas com a de Deus. Quando formos tentados, recorramos ao Senhor, para que o vençamos com Sua graça, pelo poder da Cruz e do Espírito Santo.

O primeiro passo para se chegar ao pecado é cedendo à tentação e, na sua estupidez, agindo naquilo que é carnal. O pecado seduz o homem nos seus sentidos e desejos. Ele começa com o que é carnal para possuir o homem por inteiro, claro, pela livre permissão do homem. Na medida em que o homem cede a tentação.

“Nenhuma tentação vos sobreveio que superasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados acima das vossas forcas: mas, com a tentação, vos dará também o meio de sair dela e a forca para que possais suporta-la” (I Cor 10,13).

No que diz respeito a isso, Santo Agostinho diferencia dois tipos de tentação: “a probatória, que não visa levar ao pecado e sim tornar patente à virtude de alguém ou fortalecê-la por meio da provação; e a tentação enganadora ou sedutora, que visa levar o homem à ruína espiritual; ela propõe-lhe um mal sob a aparência de um bem, procurando arrastá-lo ao desejo desse mal, isto é, ao pecado”.

A raiz da tentação está na própria natureza humana. Por isso, um homem pode ser tentador de outro homem, segundo o espírito do mundo. Não sejamos instrumentos de tentação para o nosso irmão. Devemos lutar contra a tentação, nos revestindo do homem novo e das armas de Deus. “Resisti ao demônio, e ele fugirá de vós” (Tg 4,7).

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