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Exposição de arte ou estado de insanidade social?

Arte ou insanidade?

No último mês, em duas exposições, fomos surpreendidos pela promoção de sessões qualificadas como arte pelos seus organizadores e por uma massa da sociedade, gerando grande repercussão e generalizada indignação, bem como variadas opiniões dividindo o público no quesito “a favor” ou “contra”.

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Foto: cokada

Uma delas, realizada no Rio Grande do Sul, mostrava, inclusive para crianças, desenhos eróticos representando cenas de zoofilia e retratando menores com apelo, evidentemente erótico, e com inscrições impróprias, como “criança viada”. Bem como a satirização de elementos religiosos.

Na semana passada, mais uma surpresa com sabor de “cavalo de Troia”, o renomado Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) promoveu uma performance denominada “La Bête”, que, segundo o próprio museu, traz uma proposta “artística interativa”. Porém, a interação se dá com a manipulação do corpo de um homem nu. Embora o Museu colocasse em suas placas indicativas que se tratava de uma “exposição de nudez”, fomos surpreendidos pela exposição e estimulo de crianças (menor de 12 anos, nos termos do ECA – Estatuto da Criança e adolescência), para que manipulassem o corpo daquele homem.

Objetivação do ser humano

A performance “La Bete” já tinha sido apresentada em Salvador (BA). Por lá, parece não ter tido a mesma repercussão polêmica que teve e está tendo em São Paulo. Não acredito que isso seja uma “obra de arte”, mas reflete o atual estado de insanidade a que chegamos! É o interior do ser humano (idealizadores), que se expressa de maneira arbitrária aos outros, invadindo liberdades em nome de uma “pseudoautoliberdade”.

Pensemos nas pessoas “adultas”, que apreciam e se contagiam com o que veem. Um corpo nu, que pode ser manipulado, é, como já dizia João Paulo II, a objetivação do ser humano, a coisificação do ser e, consequentemente, o utilitarismo da pessoa. Talvez, escandalizemo-nos pelo fato de vermos, em exposição, esse estado niilista de contemplação do outro, a capacidade que temos de neutralizar, ali, a história pessoal, a essência do ser, e nos contentarmos em apenas manipular membros e, assim, concretizarmos a cultura manipuladora do humano. Isso choca, fere o que ainda trazemos de apreciação do outro como sujeito, e não objeto.

Agora, pensar que “adultos” levam crianças a esse cenário de exposição e manipulação é, no mínimo, querer perverter o natural processo de desenvolvimento humano a que elas estão inseridas. É submetê-las a um constrangimento, que invade sua capacidade de ter esperança neste mundo. É invadi-las com nosso pior é impossibilitá-las de se constituírem como sujeitos, tornando-as, assim, meros objetos dessa sociedade do espetáculo.

Dignidade humana

Muitos falam que é censura à arte quando nos posicionamos de forma contrária a tais exposições. Penso que, na verdade, é um grito de sanidade frente aos devaneios alheios e coletivos que vivemos. Parece que é puritanismo barato, mas não é! É, na verdade, a busca para que a dignidade humana seja garantida em toda a sua amplitude, e até para tais “artistas”, que talvez tenham-na perdido, tornando-se “numa coisa” a ser manipulada.

Amanhã, talvez, tenhamos mais uma “performance ou exposição artística” nas notícias de jornais. Mais uma vez, precisaremos dar o grito de sanidade frente a este mundo que se coisifica e desumaniza. Eis-nos aqui, para pensarmos no ser humano enquanto tal, mesmo que este já tenha se “coisificado”!

Próxima exposição por favor!

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Adriano Gonçalves

Mineiro de Contagem (MG), Adriano Gonçalves dos Santos é membro da Comunidade Canção Nova. Formado em filosofia e Psicologia. Atuou na TV Canção Nova como apresentador do programa Revolução Jesus. Hoje atua no Núcleo de Psicologia que faz parte da Formação Geral da Canção Nova. É autor dos seguintes livros: “Santos de Calça Jeans”, “Nasci pra Dar Certo!”, “Quero um Amor Maior” e ” Agora e Para Sempre: como viver o amor verdadeiro”.

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