Filhos adolescentes

O que acontece com o cérebro dos adolescentes no desenvolvimento?

Transformações acontecem no cérebro e no corpo dos adolescente

Quando os adolescentes passam da puberdade para a vida adulta, muitas transformações acontecem no seu interior. Transformações físicas, biológicas e também de seu comportamento.

Em determinado momento, características de homens e mulheres adultos começam a aparecer, como os pelos pubianos; algumas glândulas se desenvolvem, trazendo também seus odores; há o desenvolvimento da mama e também a maturação
dos órgãos sexuais.

O que acontece com o cérebro dos adolescentes no desenvolvimento

Foto Ilustrativa: Jorge Ribeiro/cancaonova.com

Nesse momento de transição, o corpo começa a liberar um hormônio chamado gonadotrofina, que é um dos responsáveis por todas essas alterações.

Essa alta liberação desencadeia também o aumento da secreção do hormônio esteroide gonadal, que, por sua vez, faz com que o cérebro do adolescente seja remodelado, ativando alguns circuitos neurais. Esse remodelar é responsável, dentre outras coisas, pelo despertar para o interesse sexual.

Após esse tempo de desenvolvimento, totalmente dirigido pelo cérebro e com interações recorrentes entre hormônios
esteroides e sistema nervoso do adolescente, temos como resultado a maturidade reprodutiva. A questão hoje envolve uma série de fatores, do ponto de vista da vida plena, com valores morais e objetivos claros e bem definidos.

Desenvolvimento cerebral

Vemos muitos jovens hiperestimulados em poucas áreas do cérebro, com ativações que são reverberantes. Isso se dá pela adição do fator dos tempos modernos, os jogos eletrônicos. Essas adições, hoje em dia, vêm se tornando um grave problema do ponto de vista de fadiga visual, reflexos repetitivos e, principalmente, de isolamento, tanto familiar como de atividades extradomiciliares.

Muito se tem falado e pensado, mas é algo relativamente novo para o ser humano o fenômeno pós-internet de alta velocidade. Dessa forma, os jovens estão cada vez mais se iniciando precocemente em comportamentos estereotipados, intoxicando-se de realidades virtuais, as quais, do ponto de vista neurológico, funcionam como mecanismo totalmente real. Para o inconsciente, o real e o virtual se equiparam. Assim, a juventude está sendo escravizada pelo jogo, o desafio pelo desafio, vivendo em um ambiente de uma companhia sem compromisso.

Não é à toa que há uma exaustão destes centros, ligados a um sistema dentro do Sistema Nervoso Central (SNC), que se chama Sistema Límbico, que integra várias estruturas cerebrais e é responsável pelo nosso prazer. Este sistema é muito ativado no uso de drogas estimulantes do SNC e tudo que excita nosso cérebro, principalmente a área cortical fronto-orbitária. Tudo em excesso leva à exaustão e, após a exaustão, vem o fenômeno da depressão. Quantos jovens, hoje, estão passando por este problema, e grande parte deles está por aí, sem diagnóstico, ou sendo diagnosticado tarde demais!

Quando observamos o comportamento de jovens adolescentes, vemos um poder criativo quase que infinito, uma explosão de ideias e sonhos que, aos poucos, vão se transformando em soluções para as coisas do futuro, desde que seu cérebro seja estimulado de forma adequada e, assim, você tenha saúde mental para isso. Claro que o entretenimento faz parte da vida do ser humano – não só dos adolescentes, mas também dos adultos, mas não pode ultrapassar os deveres, as obrigações e as outras formas de entretenimento e atividade esportiva regular.

Vemos, então, que, para o ser humano amadurecer, crescer e acontecer, em todo este processo é preciso, desde cedo, que ele seja educado para que saiba renunciar ao que é excesso e ter uma saúde mental equilibrada. Não podemos nos esquecer de que o mundo de hoje é digital – e que bom que é digital! –, mas o ser humano não pode ser escravo das máquinas nem dos ambientes virtuais, e, dessa forma, ser manipulado às custas de geradores contínuos de ansiedade generalizada e estereotipias de movimento e fadiga ocular.

Os perigos que cercam os jovens

Outro perigo ao qual os jovens vêm sendo expostos é o uso indevido de substâncias presentes nos energéticos, como se essas bebidas fossem uma chave que faz o indivíduo “voar” em seus desejos. Essas substâncias são comprovadamente hepatotóxicas e cardiotóxicas, e também causam alterações no circuito da memória. Quando essas substâncias são  adicionadas a uma bebida alcoólica, as consequências são bastante graves. A questão aqui é, obviamente, econômica, por isso, os fabricantes dessas substâncias são os patrocinadores de tantas atividades esportivas de massa, como se fosse algo que estaria ligado à adrenalina no bom sentido, mas que, pelo contrário, está ligado às cruzadas da adição e da toxicidade, tanto a taurina como a cafeína adicionada artificialmente.

Uma lata de 250 ml de energético contém 20 gramas de açúcar, 1.000 mg de taurina, 600 mg de glucuronolactona, 80 mg de cafeína e vitaminas do complexo B.

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Temos, por exemplo, o glucuronolactone, química altamente perigosa, que foi desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos EUA, durante os anos 60, para estimular o moral das tropas americanas no Vietnã. Seus efeitos eram como se fossem o de uma droga alucinógena, que acalmava o stress da guerra. Entretanto, seus efeitos no organismo dos soldados foram devastadores – alto índice de casos de enxaquecas, tumores cerebrais e doenças do fígado.

Após cinco casos de mortes relacionadas ao consumo de energético, os Estados Unidos lançaram uma investigação sobre a segurança desse tipo de bebida. Embora esse produto garanta um aumento de energia, ele possui uma grande quantidade de cafeína, açúcar e outros ingredientes que podem levar a sérios efeitos colaterais como insônia, aceleração ou irregularidade dos batimentos cardíacos, irritabilidade, agitação etc. O mesmo vale para pílulas de cafeína e outras substâncias que prometem energia imediata. Para saber quais os riscos das bebidas energéticas, confira a lista organizada pelo Huffi gnton Post.

Geralmente, as bebidas e outros produtos energéticos apresentam doses muito grande de cafeína, cerca de três vezes mais do que uma xícara de café, além de outras substâncias estimulantes. Conforme explica K. Steven Whitining, da Phonenix Nutritional:

Há dois problemas no consumo excessivo de cafeína. Ela afeta diretamente o sistema nervoso central e pode levar à desidratação e perda de nutrientes solúveis em água, que tem efeito calmante no sistema nervoso. Esse efeito combinado
pode causar agitação, problemas de sono e potencialmente leva ao desenvolvimento de ansiedade crônica.

O consumo do energético simultâneo ao consumo de bebida alcoólica é muito perigoso, pois o energético tende a suavizar a
sensação de embriaguez na pessoa, fazendo-a se sentir capaz de dirigir, mesmo tendo suas habilidades motoras comprometidas. Além disso, a cafeína contida nesses produtos, aliada ao álcool, pode acelerar a morte de células cerebrais, podendo aumentar o risco de doenças como o mal de Parkinson ou o mal de Alzheimer.

Portanto, a máxima do Menssana in corpore sano (“uma mente sã num corpo são”), famosa citação latina, derivada da Sátira
X do poeta romano Juvenal, nunca coube tanto na humanidade como agora. O saber fazer do tempo, dividindo-o entre  leituras, atividades esportivas ou recreativas (música, ciência, shows, humor, viagens e outras), alimentação normal, sem exageros e, claro, uma fé vivida na sua plenitude, fazem do ser humano, não um ser perfeito, mas um ser equilibrado, pronto para os desafios que a vida trará. Assim, se terá forças para resistir às dificuldades, sem somatizar, sem transformar suas batalhas em comportamentos histriônicos, fóbicos e totalmente abandonados aos fenômenos de burn out e pânico.

Este é um alerta importante aos adolescentes e jovens: os perigos de atividades nocivas, violentas e noturnas exageradas, pois realmente perturbam o cérebro, levam-no a doenças psiquiátricas graves, e este fim não deve ser um objetivo de vida para você, não é mesmo?

Coragem! Aproveite a vida, mas não deixe de se cuidar!

Dr. José Augusto Nasser
Médico especialista em Neurocirurgia

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