Ensinar e aprender

Educar: uma atitude de amor!

A educação na perspectiva cristã é amor. Amor é uma fonte de bem e de beleza que é essencial para o equilíbrio de tudo que o homem faz. Educar com amor transporta o ato educativo para o horizonte do cuidado, da estima, da admiração, do afeiçoamento e da apreciação. O educador tem que se encantar e se enamorar do ato de ensinar, de pesquisar e de publicar.

Jesus Cristo é o modelo de quem faz da educação um ato de amor. No Evangelho de São João, quando levam a Ele a mulher pega em adultério, em vez de puni-la ou dar qualquer sentença, Jesus dialoga com ela e escuta a sua versão. A partir do mundo daquela mulher, Jesus constrói com ela uma relação amorosa de perdão e de compromisso com a verdade. Com as frases “ninguém te condenou, eu também não te condeno” e “vai e não peques mais”, o Filho de Deus nos ensina que educar é um amor restaurador que dispensa castigo e intolerância. Educar é um ato de confiança na pessoa. Em outras palavras, educar é uma paixão que se renova.

Educar com o coração

Uma Educação pautada pelo crivo do amor jamais caduca. Está em constante renovação. É necessário que os educadores façam do ensino um instrumento de educação. Foi nessa perspectiva que o Papa Bento XVI convidou os membros da Sagrada Congregação para a Educação Católica, em 2011, para preparar o 50º aniversário da Declaração Gravissimum educationis e o 25º aniversário da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae, que ocorreu em 2015, com o objetivo de relançar o empenho da Igreja no campo da educação. Desse encontro, produziu-se, em 2014, um Instrumento de Trabalho com o título “Educar hoje e amanhã: uma paixão que se renova”.

Educar uma atitude de amor!

Foto Ilustrativa: fizkes by Getty Images / cancaonova.com

O referido Instrumento de Trabalho lançou luzes para a compreensão da educação como ato de amor. Essa ocorre quando “o coração da educação é sempre a pessoa de Jesus Cristo”. O Apóstolo e Evangelista São João nos fala, em uma de suas cartas, que “Deus é amor” (cf. 1º João 4, 17). Sendo assim, a educação como ato de amor deve ser vista como dom de Deus. Neste sentido, como diz a Congregação para a Educação Católica, no Instrumento supra citado “o educador dos nossos tempos vê renovada a sua missão, que tem como grande objetivo aquele de oferecer aos jovens uma educação integral e um acompanhamento na descoberta da sua liberdade pessoal, dom de Deus”.

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Educação é baseada na esperança e confiança

A Igreja Católica, por meio de seus estudiosos da educação, compreende que o amor ao processo educativo não pode “perder de vista um aspecto fundamental da educação que é o respeito pelo tempo das pessoas e pela consciência de que as verdadeiras mudanças exigem tempos longos. A educação vive a metáfora do bom semeador que se preocupa em semear nem sempre com a possibilidade de ver os resultados da sua ação. Educar é agir com esperança e com confiança”.

O amor à educação faz dela um processo dinâmico, vivo e simétrico que realça a beleza e a bondade do ato de ensinar e aprender. Desse modo, “a ação educativa e o ensino devem preocupar-se em melhorar continuamente e verificar a eficácia dos instrumentos, mas sabendo que não se pode ver nem constatar todos os resultados desejados”.

Ensinar e aprender, um processo feito por várias pessoas

A Sagrada Congregação para a Educação Católica dialoga com aqueles que se ocupam da educação na Igreja e fora dela, no sentido de dar-lhes consciência de que a “a formação de uma pessoa realiza-se, num processo ao longo dos anos, por muitos educadores, a começar pelos pais”. Eis a dinâmica do amor! Educar com amor é ter a sabedoria de entender que é um processo educacional é feito por muitas mãos, pois, como diz São Paulo “eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho” (cf. 1º Coríntios 4,6-8).

De fato, educar com amor, como diz a Igreja, passa pela aliança entre a e razão, o crer e o viver, pois “um educador […] transmite conhecimentos e valores com as suas palavras, mas só será incisivo sobre os jovens se acompanhar as palavras com o testemunho, com a sua coerência de vida. Sem coerência não é possível educar! Sois todos educadores, não há delegações neste campo. Então, a colaboração em espírito de unidade e de comunidade entre os vários componentes educativos é essencial e deve ser favorecida e alimentada”. Sem isso, não há amor na educação.


Padre Antonio Camilo de Paiva

Padre Antonio Camilo de Paiva, Mestre em Ciências da Comunicação, pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma; Vice-Reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio de Juiz de Fora; Coordenador e Professor do Curso de Teologia do UniAcademia e Seminário Santo Antônio e Vigário Episcopal para a Educação Comunicação e Cultura.

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