SAÚDE

É preciso aprender a ter paz e serenidade

A vida é composta por desafios diários

Diante de tantos tormentos que diariamente enfrentamos em nossa vida, muitas vezes, ter a paz e a serenidade parece algo muito distante. Cada vez mais constante entre as pessoas de todas as classes sociais, a falta de paz e serenidade torna-se uma queixa em todas as idades, todos os sexos, todos os níveis de instrução. Algumas pessoas, por vezes, apresentam aquilo que é chamado, no meio médico, psiquiátrico e psicoterápico de: Síndrome do Pânico.

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Esse quadro é caracterizado por uma série de alterações emocionais e físicas, incluindo, por exemplo, taquicardia, falta de ar, sintomas que se mostram incontroláveis. É um tipo de medo, muito intenso e um tanto generalizado e, acima de tudo, é um excelente exemplo do quanto se faz necessária uma reformulação de nossos hábitos, de nossas relações.

Vivemos um tempo corrido, uma vida impessoal, em que já não temos tempo para conversas, convivências. Falta a hora do jantar, do café; faltam os pequenos rituais familiares, onde todos se encontravam e se olhavam. Falta tempo para a intimidade. Às vezes, até existe tempo para essas coisas, mas a competitividade que somos “obrigados” a apresentar, torna nossas relações frias, superficiais. Ficamos receosos quanto a confiar nas pessoas, nos expor, nos apegarmos, amarmos, dependermos.

Essa falta de suporte afetivo, sutilmente, acaba por nos incutir um sentimento de desamparo que, muitas vezes, fornece a base para quadros como a Síndrome de Pânico; a Depressão e a Ansiedade. Você sabe do que estamos falando? Já sentiu esse desamparo mesmo cercado de pessoas que, de alguma forma, devem nos amar, mas em relação às quais não nos sentimos à vontade para dividirmos o fardo do dia a dia? Você conhece alguém assim? Por vezes, o fardo pesa, os problemas sufocam e nos vemos impossibilitados de dividir, com quem quer que seja, o que vivemos. Alguns não acreditam que o que vivem pode ser importante para alguém; outros até sabem que aquilo que fazem é importante sim, mas só é importante, só é valorizado pelo outro, se a pessoa for bem sucedida naquilo que faz, naquilo que vive.

No caso de fracasso, de dificuldades, a pessoa é levada a “se virar” sozinha. A situação parece tão sem saída que muitos buscam uma solução externa, um remédio, um conselho mágico. No entanto, a solução pode estar mais perto do que se imagina: pode estar “dentro” de você; na mudança dos seus hábitos, nas suas iniciativas, principalmente nas relações com aqueles que lhe são mais próximos.

O que minha história influência neste processo?

Muitas pessoas que vivem essa situação a qual descrevemos, trazem em sua história uma relação familiar na qual não foram valorizados; várias vezes foram desqualificados, criticados, abandonados, até mesmo violentados. A família, o primeiro suporte afetivo, não esteve presente. Outras pessoas encontram uma estrutura familiar superprotetora, ou seja, cuidam, apoiam, mas não deixam a pessoa aprender a cuidar da vida, não deixam a pessoa experimentar frustrações e aprender a superá-las; assim, não desenvolvem confiança. Tornam-se pessoas inseguras.

Pode ser útil pensar na família da qual saímos, pois fornece o modelo das relações que aprendemos a construir; nos informa sobre a maneira como aprendemos a olhar para os outros: percebemos os outros como inimigos, como avaliadores? Ou (como deveria ser) os percebemos como aliados, cúmplices, na aventura que é a vida? Se não sabemos quem são as pessoas importantes para nós e se não sabemos desfrutar do apoio deles, qualquer coisa passa a ser ameaça. E, se nos percebemos diante dos outros como rivais, se nos percebemos constantemente sob avaliação, a forma de sairmos dessa condição para a condição de amigos, companheiros, cúmplices é por meio do diálogo. Um diálogo onde possamos assumir nossas fraquezas, pedir ajuda, sermos humildes. Ninguém nasceu pronto, perfeito. E, de que adianta ser amado se não nos deixamos ser amados? De que adianta ser amado se não podemos desfrutar do colo, da amizade, da compreensão daqueles a quem amamos?

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É importante aprendermos a receber amor, a pedir ajuda, a solicitar apoio, reconhecer falhas. As relações familiares são o melhor lugar para colocar isso em prática. Fazer é aprender a amar… Amar em via dupla: dar e receber amor; e ensinar o outro a fazê-lo. Assim, é hora de retomar os pequenos hábitos, talvez até os que foram citados no início deste texto e que nos tornam parte de algo maior.

Cláudia May Philippi – Psicóloga Clínica
CRP 2357/1
Endereço eletrônico: c.may@tvcancaonova.com
Kleuton Izidio Brandão e Silva – Psicólogo Clínico
CRP 6089/1
Endereço eletrônico: kleuton@abordo.com.br

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