Da amizade à castidade

A castidade é um escudo para os nossos relacionamentos

Reflexão sobre as virtudes de quem vive a castidade

Quem tem um amigo tem um anjo. Quem é o “Amigo”? Jesus Cristo. É d’Ele que brota toda amizade. Uma verdadeira amizade em Cristo não é governada pelos instintos, não é motivada por interesses, mas é uma escolha mútua, que tem valor por si mesma. Os amigos em Cristo se unem no amor recíproco em favor dos outros. Não são fechados em si mesmos.

Toda amizade precisa ser purificada. Vemos os defeitos, vemos também o que pode destruir uma amizade – injúria, calúnia, arrogância (que impede a correção) e traição –, mas se isso ocorrer, vejamos o que Nosso Senhor nos diz:

A-castidade-é-um-escudo-para-os-nossos-relacionamentosFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Um santo diz o seguinte: “Se, depois que você escolheu a amizade, acontece de ser agredido, suportai até que o possa. Assim, tu rendes honra à amizade verdadeira, a qual, de fato, é eterna. Quem é amigo sempre ama, preocupa-se com o bom nome do amigo e não revela jamais os segredos dele, mesmo que ele tenha revelado os seus”.

Hoje, eu gostaria de falar de um assunto diferente, ainda dentro do plano da amizade, fundamental para todas as idades. Queria falar de um tema que é muito importante no mundo de hoje: a castidade. Não podemos pensar num mundo novo sem essa virtude, pois a castidade é um escudo para nossos relacionamentos. Mais que um escudo, é uma expressão do verdadeiro amor, pois o nutre e potencializa. Quando falta a castidade, o amor perde a força em nós e nos torna presas fáceis do desamor, da violência e da degradação.

O valor da castidade

A castidade é um segredo que os jovens cristãos têm para a sua vida. Vocês veem como o mundo de hoje despreza a castidade, pois a beleza dela se perdeu nele. A castidade é vista como tabu, moralismo, preceito e obrigação.

Sabe por que o mundo perdeu o sentido da castidade? Porque perdeu o sentido de quem é Deus e do que é o amor. Como o mundo não sabe quem é Deus, e Deus é amor, não sabe o que é o amor. E como não sabe quem é Deus, não sabe quem é o homem, porque só Deus pode revelar quem é verdadeiramente o homem.

Uma das críticas injustas que se fazia ao Cristianismo era de que ele não valorizava o corpo. No entanto, este [Cristianismo] nunca desprezou o corpo a ponto de que Jesus Cristo o desposou. Essa carne e esses ossos, que compõem o seu corpo, Jesus Cristo também assumiu. E Ele mostrou toda a beleza do homem.

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O homem não é separado, mas é isso que o mundo faz com ele hoje, começa a usar o corpo com um princípio utilitarista, como se “meu corpo não fosse eu”. Por isso, muitos pensam assim: “Aí eu posso usar meu corpo, para me autossatisfazer egoisticamente”. Esse é o pecado da masturbação, como se isso não ferisse o que somos por inteiro. “Eu posso também usar o corpo dos outros para o meu bel-prazer, posso ficar com quantas meninas eu quiser numa noite.” O mesmo vale para as meninas: “Meu corpo é apenas algo que eu uso como um objeto”.

Parece que nós nos enganamos. Cada união íntima de corpos é como um pedaço nosso dado aos outros. Seu corpo está intimamente ligado à sua alma. Em cada relação sexual que é feita fora do matrimônio, não pense que você está dando e recebendo prazer. Engano. Em cada relação sexual, você está dando um pedaço de você para sempre àquela pessoa.

Viver a castidade

A castidade é um grande dom, que nos faz compreender a unicidade do nosso ser. Por isso, meu irmão, nem o meu nem o seu corpo foram criados para um prazer egoístico, para a sensualidade que fere o nosso ser.

Quando a castidade é ferida, gera prazer no ato, mas gera dor na vida. Como descem lágrimas nos olhos dos jovens feridos na castidade!

A presença da castidade gera felicidade, dignidade, uma capacidade para amar, para doar-se não por pedaços, mas por inteiro, como Jesus se deu na cruz. Hoje, vemos um mundo que despreza a beleza da castidade, por isso, as consequências são tão graves.

Nos namoros avançados, valoriza-se mais a relação física. Sem uma relação profunda de amizade no namoro, não vai existir matrimônio verdadeiro nem feliz. Como nós não priorizamos a amizade no namoro, vamos ter matrimônios imaturos, inseguros, muitas vezes gerados por relações sexuais pré-matrimoniais. Assim, vamos vendo os frutos na nossa casa, na nossa família.

Como podemos ser amigos da humanidade, de uma sociedade que despreza a castidade? Como amigos de Deus e dos homens, somos chamados a testemunhar e proclamar a beleza da castidade. Precisamos de jovens que se disponham a viver namoros castos.

Moyses Azevedo
Fundador da Comunidade Shalom

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