A primazia de Pedro e o restabelecimento pelo amor
As perguntas de Jesus — “Tu me amas mais do que estes?” — fizeram Pedro recordar-se de sua fraqueza. Nunca se reflete demais sobre o trecho do Evangelho de João (21, 15-17), no qual a primazia de Pedro aparece de forma claríssima. O texto registra um ato de Jesus de vital importância para o porvir da Instituição que prolongaria, através dos tempos, Sua obra redentora. Anteriormente, o Mestre já havia chamado Simão de Pedro e afirmado que sobre esta pedra edificaria a Sua Igreja (Mt 16,18).
Como esta pedra se mostrara frágil durante os episódios da Paixão, cumpria restabelecer, em sua própria fortaleza, esta rocha. Daí a tríplice profissão de intenso amor, que tinha como objetivo reparar as três infelicíssimas negações petrinas no Pretório.

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A humildade e a resposta de Pedro
As perguntas de Jesus — “Tu me amas mais do que estes?” — fizeram o Apóstolo recordar-se de sua fraqueza, lançaram-no na humildade, penetraram-no de arrependimento e mergulharam-no no oceano da dileção mais profunda. Pedro já se mostra menos orgulhoso e limita-se a dizer que O ama e que Ele sabe o que se passa no escrínio de seu coração. A extraordinária emoção de sua terceira resposta, sob o impacto de ter sido arguido exatamente três vezes, é simplesmente comovedora. A cada resposta corresponde o mesmo encargo, expresso com termos diferentes.
O encargo de apascentar o rebanho
As ordens “Apascenta meus cordeiros”, “Cuida de minhas ovelhas” e “Apascenta minhas ovelhas” traduzem uma mesma delegação: ele é o pastor do rebanho inteiro, de todas as ovelhas do Bom Pastor, que lhe transfere essa função. Não se deve entender este encargo como algo menos que uma primazia de autoridade sobre a Igreja universal. “Na verdade, conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por Sua pobreza” (2 Cor 8, 9).
A generosidade de Cristo e a resposta do fiel
Jesus despojou-se de tudo para que tivéssemos vida plena n’Ele. Se Jesus não tivesse vindo até nós, não teríamos como ir até Ele, porque a Palavra nos diz que “todos pecaram e todos ficaram privados da graça de Deus”.
Só podemos retribuir ao Senhor dando-nos por inteiro a Ele, pois amor só se paga com amor.
Agradeçamos ao Senhor no dia de hoje, com todo o nosso coração, por Sua generosidade e por todos os dons que d’Ele recebemos.
“Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo; e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro de vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo vossos mandamentos.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”.
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Vigário da Paróquia de Santa Rita de Cássia, em Viçosa/MG.






