Um projeto de vida e vocação
Assumir o lema “Feito tudo para todos” representa muito mais do que a escolha de uma frase inspiradora; trata-se de um verdadeiro projeto de vida e de vocação. Essa máxima, que marcou a trajetória sacerdotal do Monsenhor Jonas Abib, tornou-se também o alicerce e o lema da vida celibatária de leigos que buscam responder com radicalidade ao chamado do Reino dos Céus.
Em escritos e estudos bíblicos deixados pelo próprio Padre Jonas como em um manuscrito inédito datado de 1984, revela-se com profundidade o significado espiritual desse compromisso. Com seu estilo característico de anotações, grifos e destaques ao longo das Escrituras, ele externava como Deus falava ao seu coração. Ao final de suas reflexões, costumava concluir com uma prece convicta: a de que o Espírito Santo leve a bom termo aquilo que Ele próprio iniciou em cada vida.
Essa confirmação vocacional ecoa no discernimento diário, onde as orações da Igreja pedem a Deus que confirme no coração de Seus filhos as intenções puras por Ele depositadas, visto que Deus escuta a oração sincera e atenta.
Celibato e matrimônio: dons complementares
Existe, frequentemente, o equívoco de encarar o celibato e o matrimônio como realidades opostas ou concorrentes, buscando definir qual estado de vida seria superior ou inferior. Na verdade, tratam-se de dois dons profundamente complementares dentro do corpo da Igreja.
O casado: É chamado a amar aquela pessoa específica (seu cônjuge) com todos os seus limites, defeitos e virtudes. Ao amar de maneira concreta e focada, o casado revela o amor de Deus que acolhe cada indivíduo na sua singularidade.
O celibatário: É chamado a ter um coração indiviso e alargado. Ao não se vincular exclusivamente a uma única família matrimonial, seu coração se expande para amar a todos sem distinção, preferências ou exclusividades, manifestando o amor universal de Deus pela humanidade.
Os riscos e a ajuda mútua entre as vocações
Ambos os estados de vida enfrentam tentações e riscos próprios ao longo da caminhada:
O risco do matrimônio: A tentação do casal de se fechar em seu próprio núcleo familiar, restringindo o seu amor e o seu serviço apenas ao círculo restrito de cônjuge e filhos.
O risco do celibato: A tentação da superficialidade e da leviandade é pregar o amor a todos em teoria, mas não se comprometer verdadeiramente com ninguém na prática cotidiana, mantendo o coração inacessível.
É justamente nesse ponto que surge a beleza do auxílio mútuo. O celibatário ajuda os casados a lembrarem que a família não pode se fechar em si mesma, mas deve manter as portas abertas ao mundo. Por outro lado, a experiência dos casados ensina ao celibatário que o amor exige comprometimento com pessoas concretas. Para o celibatário, isso significa “arregaçar as mangas” no dia a dia comunitário: acorda mais cedo para servir, faz um café, assa um bolo ou arruma a cama de um irmão que saiu com pressa.
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As missões do celibatário no Reino dos Céus
Uma das missões fundamentais do celibatário é a intercessão, exercida sob a figura espiritual de um embaixador. O embaixador não é o rei nem o presidente; ele é o enviado oficial. Ele permanece próximo ao Rei e age estritamente em Seu nome.
Assim como uma embaixada constitui um território soberano dentro de outra nação, o celibatário intercessor torna-se uma extensão do Reino de Deus onde quer que esteja. Ele funciona como um vaso comunicante, trazendo a presença, a graça e o poder do Rei para o meio das pessoas por quem intercede. O celibatário não busca o poder em si mesmo, mas é o canal por onde flui a força de Deus.
A ponte e o amigo dos homens
O celibatário vive a dinâmica de ser uma ponte firme colocada entre Deus e o povo. Inspirado pela tradição da Igreja Oriental, que define Deus como o “Amigo dos Homens”, o celibatário assume o chamado de ser também um amigo leal do gênero humano de homens e mulheres. Ele não vive desconectado da realidade social; sua entrega total a Deus o impele diretamente para a missão evangelizadora, que é vasta, rica e acolhedora.
A fecundidade da paternidade e maternidade espiritual
O celibato laical não é uma vida estéril ou vazia, mas marcada por uma profunda fecundidade espiritual. Embora jovens que assumem o celibato (como aos 25 anos) possam inicialmente achar a ideia de “paternidade” algo distante de sua maturidade cronológica, essa graça se desenvolve com o tempo.
Através do acompanhamento e da formação de irmãos na fé, nasce no coração do celibatário um amor diferente: uma solicitude paternal ou maternal genuína. Essa paternidade espiritual alcança incontáveis vidas, provando que o celibato vivido por amor ao Reino gera frutos duradouros de salvação e cuidado com o próximo.
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Transcrito e adaptado por Rophiman Souza







