A vocação da Virgem Maria ilumina as nossas vocações e nos ajuda a dar uma resposta ao chamado de Deus
A vocação, antes de se tornar uma escolha pessoal, é um chamado de Deus. Conforme ensinou São João Paulo II: “A vocação — antes de se tornar um fato interior na pessoa, antes de revestir a forma de uma escolha e de uma decisão pessoal — reporta-se a uma outra escolha anterior, da parte de Deus, que precedeu a escolha e a decisão humana”.
De modo semelhante ao acontecimento da “Anunciação”, no qual um anjo anuncia a Maria que ela seria a Mãe do Salvador (cf. Lc 1, 31), o Senhor nos chama a uma vocação dentro da Igreja. No silêncio, na humildade e na simplicidade, Nossa Senhora ouviu a Deus e, a princípio, ficou perplexa: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?” (Lc 1, 34).

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A resposta ao chamado e a docilidade a Deus
Nós também podemos ficar perplexos quando nos percebemos chamados por Deus. A primeira reação é a de nos esquivarmos, de encontrarmos alguma desculpa. Mas, como a Virgem Maria, nós somos impelidos pelo Espírito Santo a dar o nosso “sim”, a dizer como ela: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Maria nos ensina a ser dóceis a Deus e a aceitar a Sua vontade em nossas vidas.
O caminho da Cruz e o consolo de Maria
A resposta ao chamado de Jesus comporta tomar a Sua cruz: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24). Em algum ponto de nossa caminhada com Cristo, passaremos pela experiência do Calvário, pela dor e pelo sofrimento.
Foi assim com Maria ao ver Jesus crucificado. Como foi profetizado, uma espada de dor traspassou a sua alma (cf. Lc 2, 35). Cristo abraçou a cruz do sofrimento e, no auge da Sua dor, nos deu consolação para o nosso sofrimento: Jesus nos deu Nossa Senhora por nossa Mãe (cf. Jo 19, 27).
Maria, Mãe e protetora de todas as vocações
Além de nos consolar, dando-nos Maria por nossa Mãe, Jesus nos recomendou a ela quando disse: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26). Assumindo-nos como filhos, ela cuida de nossa vocação e está unida a nós em oração para que sejamos fiéis. Como os discípulos depois da Ascensão de Jesus, somos chamados a nos unir com Maria em nossa oração em comum. Precisamos nos unir à nossa comunidade, aos nossos amigos, mas principalmente a Maria, a rainha das vocações.
Maria foi mãe biológica e espiritual de Jesus Cristo. Foi também mãe espiritual dos apóstolos e discípulos de Jesus, orava com eles e os encorajava em sua vocação e missão. Na história da Igreja, são incontáveis os santos homens e mulheres de Deus que confiaram suas vocações a Mãe de Deus.
Por isso, não tenhamos medo de confiar as nossas vocações a Virgem Maria; ela está conosco, ela nos consola em nossas aflições e nos ajuda em nossas tentações e tribulações. Confiemo-nos a Nossa Senhora, rainha das vocações.
Padre Natalino Ueda
Arquidiocese de Cuiabá/MT






