TESTEMUNHO VOCACIONAL

Leiga e consagrada no Carisma Canção Nova

Olá, eu sou a Léa da Silva Marçal, tenho 49 anos, e vou contar a vocês como conheci a Canção Nova. Meu primeiro contato com a comunidade foi por meio da minha mãe. Quando ainda morávamos no Brasil, ela já frequentava os encontros; organizava caravanas do Mato Grosso do Sul para São Paulo. Nós morávamos em Coxim/MT e enfrentávamos quase 20 horas de estrada, uma vez por ano, para participar das pregações do Padre Jonas.

A resistência inicial e a mudança para Portugal

Minha mãe falava constantemente sobre a Canção Nova, mas eu resistia. Em 2007, mudei-me para Portugal e, mesmo de longe, ela continuava a insistir no assunto. Foi então que decidi começar a frequentar os encontros e as missas semanais em Lisboa, que na época aconteciam na Igreja de São João de Deus.

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Lá, fiz novas amizades e conheci a Dona Rosa, que organizava excursões para os eventos em Fátima. Ela me convidou para ajudá-la na organização dessas viagens e peregrinações. Eu aceitei ajudar, mas sempre que ela me dizia: “Léa, faça o caminho vocacional para a comunidade Canção Nova”, eu respondia prontamente: “Não, Dona Rosa, eu não vou fazer isso não”.

O despertar do chamado

Passei cerca de três ou quatro anos ajudando a Dona Rosa nas peregrinações durante os grandes encontros em Fátima, como o Hosana Portugal e a Festa da Misericórdia. Nesse período, conheci muitos missionários e todos me incentivavam a fazer o caminho vocacional. Eu continuava dizendo não para Deus, mas, lá no fundo — por volta de 2010 —, aquele chamado já estava mexendo comigo.

Em 2013, aproximei-me ainda mais da comunidade. Já em 2015, tornei-me muito amiga de uma jovem chamada Janilda. Nós fazíamos curso de inglês juntas e frequentávamos as missas semanais da Canção Nova em Lisboa, que passaram a acontecer na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Baixa do Chiado. Participávamos do grupo de oração todas as quintas-feiras. A Janilda insistia muito para que fizéssemos o caminho juntas, mas eu ainda resistia.

O ingresso no vocacional e a consagração no Segundo Elo

O divisor de águas aconteceu ainda em 2015, durante um curso bíblico, quando encontrei a Fatinha, responsável pelo vocacional em Fátima. Eu estava passando por uma situação pessoal muito difícil e decidi conversar com ela. A Fatinha me deu um conselho simples: “Faça a formação primeiro e depois você pensa a respeito. Escreva uma carta manuscrita para o vocacional”. Naquele mesmo dia, conheci outra moça no curso que também faria o vocacional e me incentivou.

Assim, em 2016, enviei a minha carta e iniciei oficialmente o meu caminho vocacional. Foram cinco anos de discernimento e preparação, respeitando cada etapa do processo. Desde 2021, sou missionária da Comunidade Canção Nova, atuando no Segundo Elo.

Atualmente, estou no meu terceiro ano de juniorato na missão de Fátima. Como pertenço ao Segundo Elo, concilio a minha vida profissional com a dedicação à obra: trabalho externamente para o meu sustento, mas permaneço sempre disponível para os eventos em Fátima. Além disso, há três anos faço parte da equipe vocacional da missão de Fátima, onde hoje acompanho duas jovens em discernimento, e ajudo nos trabalhos da nossa livraria local.

O carisma da Canção Nova também me impulsionou a me envolver profundamente com a minha paróquia local, a Igreja de Nossa Senhora da Porta do Céu. Hoje, atuo ali como catequista e faço parte do conselho pastoral paroquial, auxiliando diretamente o padre.

A radicalidade do Carisma no cotidiano

Eu me deixei conduzir e fui dando passos firmes em direção a Deus, entregando a minha vida diariamente. Conforme Ele me pedia um pouco mais, eu respondia com o meu “sim”. Hoje sou imensamente feliz e vivo esse carisma com radicalidade no meu cotidiano. Ele está tão enraizado em meu coração que já não há como separar a Léa comum da Léa da Canção Nova.

Foto: Arquivo pessoal

Em fevereiro, completarei 20 anos de vida em Portugal, sendo que 15 deles foram vividos intensamente junto à Canção Nova. Costumo testemunhar que Nossa Senhora de Fátima me trouxe para Portugal para me salvar. Se não fosse pelo carisma da Canção Nova, eu já teria morrido. Foi justamente em uma Festa da Misericórdia — quando eu ainda era apenas uma voluntária nas excursões — que senti o chamado de forma esmagadora: “Eu tenho que tomar uma decisão na minha vida, Deus me pede mais”. E foi ali que decidi dar o passo definitivo e acolher esse carisma como minha porta de salvação.

A consagração do celibato e a restauração da família

Agora, no meu terceiro ano de juniorato, Deus me pede uma entrega ainda maior. Há cerca de dois anos, Ele vem suscitando em mim o desejo de me consagrar inteiramente. Após conversar bastante com meu diretor espiritual e passar por um criterioso acompanhamento de seis meses, compreendi que a minha via de santificação passa por este caminho.

No dia 15 de setembro, dia de Nossa Senhora das Dores, farei o meu primeiro compromisso de celibato na comunidade Canção Nova, pelo Segundo Elo, em Fátima. Terei a graça de ser a primeira missionária do Segundo Elo de Fátima a realizar esse compromisso, o que me enche de uma certeza profunda e diária.

Fazer parte desta “companhia de amor e adoração” é maravilhoso, pois somos os primeiros a ser evangelizados para, depois, podermos evangelizar o mundo. Todos os dias, ao acordar, eu agradeço a Deus e digo: “Senhor, obrigada pelo sim do Padre Jonas, obrigada por ter me chamado e me escolhido”. Se não fosse o “sim” desse santo homem, eu certamente já não existiria.

O mais bonito é ver que o meu sim também transformou e salvou a minha família. Minha mãe, que estava um pouco afastada, retornou para a Igreja e hoje ajuda ativamente em sua paróquia. Minha irmã também voltou para a Igreja e hoje é catequista. Inclusive, quando o padre a convidou para a catequese, ela me disse que só aceitaria se eu também aceitasse o meu chamado. Aceitamos juntas! Deus utiliza caminhos admiráveis para realizar a Sua vontade e tocar aqueles que amamos. Sou imensamente feliz por ser Canção Nova; ser Canção Nova é bom demais!

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Léia da Silva Marçal 
Natural de Coxim/MS. É membro da Comunidade Canção Nova desde 2021 no modo de compromisso do Segundo Elo em Portugal.