Reflexão para o Dia de São Francisco de Assis
Vivemos em um mundo ferido. As manchetes falam de guerras, violência, intolerância e divisões. No entanto, as maiores batalhas nem sempre acontecem nos campos de guerra ou nos centros de poder. Muitas delas começam silenciosamente dentro de nossas casas, em nossas famílias e, sobretudo, dentro dos nossos corações.

Crêdito: Domínio Público, Giotto / Wikimedia Commons.
No Dia de São Francisco de Assis, somos confrontados por uma pergunta que talvez incomode mais do que deveria: como desejar a paz no mundo se ainda alimentamos conflitos dentro de nós? É fácil lamentar a violência que vemos nas ruas. Difícil é reconhecer a violência das palavras que pronunciamos dentro de casa. É fácil condenar a intolerância dos outros. Difícil é admitir nossa incapacidade de perdoar. É fácil apontar os erros da sociedade. Difícil é enxergar as feridas que causamos naqueles que mais amamos.
A humildade que constrói a paz
“Como ser instrumento de paz em um mundo cercado por tantos conflitos que começam muitas vezes dentro de casa”
São Francisco compreendeu uma verdade que continua em nosso cotidiano: a paz não nasce de tratados, discursos ou boas intenções. A paz nasce em corações desarmados.
Vivemos em uma época em que as pessoas estão cada vez mais prontas para responder e cada vez menos dispostas a ouvir. Pequenas atitudes e discordâncias transformam-se em afastamentos, e muitas em feridas que se tornam muralhas, pois até o orgulho ocupa o lugar da humildade, e a razão passa a valer mais do que o amor.
Muitas famílias sentam-se à mesma mesa, mas estão emocionalmente distantes. Compartilham o mesmo teto, mas não compartilham mais o diálogo. Carregam anos de mágoas acumuladas, palavras não ditas e perdões adiados. E então perguntamos: por que há tanta violência no mundo?
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A coragem de dar o primeiro passo
A verdade é que a guerra que assusta as nações é filha das pequenas guerras que cultivamos diariamente, pois toda grande divisão começou quando alguém deixou de amar, de compreender, de perdoar ou de respeitar e olhar quem está do lado.
Portanto, a oração atribuída a São Francisco continua sendo um dos maiores desafios da espiritualidade cristã. Mas ser instrumento de paz não significa viver sem conflitos. Significa ter a coragem de interromper o ciclo deles, quebrar distâncias para viver o amor gratuito e fraterno.
O mundo não será transformado apenas por líderes, governos ou organizações. O mundo começa a mudar quando pais e filhos se reconciliam, quando irmãos voltam a se falar e quando alguém tem a coragem de dar o primeiro passo.
Porque a maior ameaça à paz do mundo não está apenas nas armas que existem fora de nós, mas nas guerras que insistimos em manter dentro de nós.
Neste Dia de São Francisco de Assis, a pergunta permanece ecoando em nossa consciência: sou instrumento de paz ou propagador de conflitos?
Portanto, rezemos juntos: Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Amém.







