👵👴 Legado

Por que uma família forte precisa da presença dos avós? 

Onde a vida começa e o amor nunca termina 

Antes de tudo, é preciso dizer que a família é uma “instituição divina”, e, portanto, Sagrada. Não foi inventada ou criada pelos homens, mas por Deus. Ele criou o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” e os uniu: “O homem deixa a casa do seu pai e da sua mãe e se une `a sua mulher e sereis uma só carne” (Gen 1,26; 2,24). “Crescei e multiplicai-vos” (Gen 1,27).

São João Paulo II, na Carta às Famílias (1994), disse que “a família é o Santuário da vida”; isto é, um lugar sagrado onde somos gerados, nascemos, vivemos e morremos, sustentados pelo amor dos pais e dos irmãos. O Papa ainda disse que a família é um “patrimônio da humanidade”, inegociável; “a célula mãe da humanidade”, a base da obra de Deus.

Crédito: FG Trade / Getty Images.

Por isso, se a família for destruída ou falsificada, a humanidade corre risco. É sabido que muitos jovens delinquentes, mal educados, mergulhados no mundo do crime, foram frutos de um lar destruído, onde lhes faltou a educação religiosa e humana. Sem o amor dos pais, a criança sofre muito.

A valiosa presença dos avós nas famílias

Hoje, o mundo moderno exige muito dos pais, tanto no trabalho quanto em outras preocupações, e isso torna muito valiosa a presença dos avós nas famílias.

 Eu tenho cinco filhos e doze netos, e sei da importância de estar junto deles.  Sempre estou ajudando-os de todas as maneiras que eu posso. 

Os avós podem ajudar os filhos e os netos de muitas maneiras, até mesmo financeiramente, em situações difíceis. Muitos avós têm recursos financeiros que podem ajudar na estabilidade do lar dos filhos.

A presença dos avós na família é rica, porque ensinam a sabedoria que adquiriram na experiência da vida, que é uma escola que nenhum livro substitui. O livro dos Provérbios diz que: “A coroa dos anciãos são os filhos dos filhos” (Pr 17,6). 

Os avós já enfrentaram muitos problemas e crises; passaram por alegrias, perdas, doenças, lutos, crises e vitórias. Suas palavras ajudam os mais jovens a discernirem melhor a vida.

Os avós podem ser peça-chave na união das famílias

Os avós são testemunhas da fidelidade no matrimônio e na vida, e os netos aprendem observando os seus exemplos, sem mesmo muitas palavras. Quando os jovens veem os avós que rezam, perdoam, permanecem unidos e enfrentam as dificuldades com fé, compreendem que o amor verdadeiro é perseverante. Sabemos que o exemplo vale mais do que os discursos.

Os avós oferecem aos netos amor, sem interesse, já não possuem a preocupação de construir carreira ou patrimônio; podem dedicar tempo aos netos. A criança cresce emocionalmente mais segura quando recebe esse amor gratuito. 

Os avós podem ser peça-chave na união das famílias, sobretudo aquelas com os problemas conjugais ou dos filhos. Eles são frequentemente o ponto de encontro entre irmãos, filhos e netos. Eles preservam as histórias da família, as tradições, os costumes, as raízes. Sem memória, a família perde sua identidade.

Os avós representam a memória viva da ação de Deus na família

A Sagrada Escritura mostra que a fé nunca é transmitida apenas dos pais para os filhos, mas de “geração em geração”. Os avós representam a memória viva da ação de Deus na família, a experiência da fidelidade divina e a continuidade da tradição. Eles transmitem a fé entre as gerações.

 A Bíblia mostra que Deus deseja que sua Palavra seja comunicada pelos pais e também pelos avós. “O que ouvimos e aprendemos… nós o contaremos à geração futura” (Sl 78,3-4). “Conta a teu filho e ao filho de teu filho…” (Ex 10,2)

São Paulo recorda a Santa Lóide e a Santa Eunice como aquelas que transmitiram a fé ao jovem São Timóteo: “Recordo-me da tua fé sincera, que habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice” (2Tm 1,5). A fé de Timóteo nasceu dentro de uma família onde três gerações caminharam juntas. Quantos santos e santas, que ficaram órfãos muito cedo, foram educados e evangelizados pelos avós!

Os avós ensinam que Deus conduz a história

Os avós cristãos conservam a memória de Deus na família, lembram à família as obras de Deus. O salmista afirma: “Uma geração conta à outra as tuas obras” (Sl 145,4). Os avós ensinam que Deus conduz a história com paciência, amor, fidelidade e esperança; que Deus é Pai que dá o sol e a chuva para todos. Os avós cristãos ensinam aos netos a oração. 

Uma vez por semana, há muitos anos, reúno os filhos e netos para rezarmos o santo Terço que aprendi com meus pais, e que eles aprenderam com meus avós… É com os avós que muitos netos aprendem o sinal da cruz; o Pai-Nosso; a Ave-Maria; o Rosário; a confiança na Providência; a santa Missa, a devoção aos santos e aos anjos; o amor a Igreja e ao Papa; as músicas cristãs etc.

Muitas vocações sacerdotais e religiosas nasceram da oração silenciosa de uma avó. São Basílio Magno (†369), doutor da Igreja, reconhecia que a formação recebida de sua avó, Santa Macrina, a Anciã, foi decisiva para sua vida espiritual. Ela lhe transmitiu a fé aprendida diretamente da tradição apostólica.

Os avós lembram aos netos  que a vida não é só na juventude,  mostram que a velhice é uma vocação, um tempo também de graças. Ensinam os jovens a enfrentar os sofrimentos com fé e aceitação da vontade de Deus. E ensinam-lhes a enfrentar os problemas da velhice no futuro.

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O cuidado e o respeito com os avós é pensar no futuro e preservar a memória

O Papa Francisco falava muito da importância dos avós. Ele insistiu inúmeras vezes que uma sociedade sem avós perde a memória. Disse que: “Um povo que não cuida dos avós e não os respeita é um povo sem futuro, porque perde a memória”. E que: “Os avós são o patrimônio de uma família”. Por isso instituiu o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, celebrado próximo à memória dos santos São Joaquim e Santa Ana.

São João Crisóstomo (†407), mártir e doutor da Igreja, Patriarca de Constantinopla, dizia que a educação cristã não pertence apenas aos pais, mas a toda a família. E que os idosos devem ajudar a formar os jovens pelo exemplo de virtude e pela instrução na fé.

São João Paulo II, na Carta aos Idosos, disse: “Os idosos são guardiões da memória coletiva e intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores comuns que regem e guiam a convivência social.”

Enfim, uma família forte precisa dos avós porque eles são: a memória da família, os transmissores da fé, mestres da sabedoria, exemplos de perseverança, educadores na oração, pontes entre as gerações, testemunhas de que Deus permanece fiel ao longo da vida.

Professor Felipe Aquino


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino