Matrimônio e comportamento

Tristeza, mau humor e pessimismo no casamento

“Se mergulhas na tristeza, não conseguirás subir um degrau; se te estabeleces na alegria, serás capaz de galgar montanhas.” (Provérbio oriental)

É preciso vencer a tristeza para ser feliz, pois ela é fonte de muitos sofrimentos para o casal, especialmente quando vem acompanhada do mau humor. Jamais dê guarida à tristeza e ao mau humor se você quiser ser feliz. A tristeza nos adoece.

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A Bíblia diz: “A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida” (Eclo 30,22-26).

Não guarde mágoas nem ressentimentos, pois esses sentimentos envenenam o coração. Faça como o sol: “Se algum dia você se sentir desprezado pelas pessoas, não se aborreça. Se você se levantar todos os dias para fazer o bem aos outros, e mesmo assim ninguém lhe agradecer por isso, não fique aborrecido, você não perdeu o mérito de suas boas obras. Se você renova, todos os dias, incansável e gratuitamente, o seu amor às pessoas, e elas não são gratas a isso, não fique triste, pois também o sol nasce todos os dias, gratuitamente, e a maioria não repara nisso. Todos os dias, ele dá um grande espetáculo ao nascer, mas a maioria da plateia está dormindo e não pode aplaudi-lo”.

Precisamos criar em torno de nós um ambiente feliz e alegre, expulsando dele, decididamente, o mau humor. Especialmente o lar deve ser um lugar onde os pais e os filhos respirem um “oxigênio” puro, e gostem dele.

Aprenda a sorrir mesmo nas horas amargas

O sorriso é o idioma do amor universal, e até as crianças o entendem. Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir, pois ele brilhará como as estrelas na escuridão. As estrelas não brilham na luz do dia. O bom humor é, em primeiro lugar, o melhor promotor da saúde.

O contentamento vale mais do que a riqueza. Quem está contente jamais será arruinado, dizem os sábios. Um grande remédio para a nossa tristeza é remediar a tristeza do outro.

Não vida de casados, não é suficiente fazer a vontade de Deus como pais e esposos; é preciso mais, é preciso fazê-la com alegria para que haja méritos em tudo o que fazemos. A alegria não está nas coisas, mas em nós, em nossa alma; ela é para o corpo humano o mesmo que o sol é para as plantas.

Os psicólogos advertem que muitos jovens são levados às drogas porque fogem de suas casas por não suportarem o ambiente de brigas, confusões e tristezas.

Alguém me contou esta história:

“Um homem chegou em casa, naquela noite, trazendo o mau humor que o caracterizava há alguns meses. Afinal, eram tantos os problemas e as dificuldades, que ele se transformara em um ser amargo, triste, mal-humorado. Colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu. Deteve o passo e pôde ouvir a voz do filho de seus quatro anos de idade:
— Mamãe, por que papai está sempre triste?
— Não sei, amor, respondeu a mãe, com paciência. Ele deve estar preocupado com seus negócios.

O homem parou, sem coragem de entrar e continuou ouvindo:
— Que são negócios, mamãe?
— São as lutas da vida, filho. Houve uma pequena pausa e, depois, a voz infantil se fez ouvir outra vez:
— Papai fica alegre nos negócios?
— Fica, sim, respondeu a mãe.
— Mas, então, por que fica triste em casa?

Sensibilizado, o pai pôde ouvir a esposa explicar ao pequenino:
— Nas lutas de cada dia, meu filho, seu pai deve sempre demonstrar contentamento. Deve ser alegre para agradar ao chefe da repartição e aos clientes. É importante para o trabalho dele. Mas quando ele volta para casa, ele traz muitas preocupações. Se fora de casa, precisa cuidar para não ferir os outros e mostrar alegria, gentileza, não acontece o mesmo em casa.
— Aqui é o lar, meu filho, onde ele está com o direito de não esconder o seu cansaço, as suas preocupações. A criança pareceu escutar atenta e, depois, suspirando, como se tivesse pensado por longo tempo, desabafou:
— Eu gostaria tanto de ter um pai feliz, ao menos de vez em quando. Gostaria que ele chegasse em casa e me pegasse no colo, brincasse comigo. Sorrisse para mim. Eu gostaria tanto…

Naquele momento, o homem pareceu sentir as pernas bambearem. Um líquido estranho lhe escorreu dos olhos e ele se descobriu chorando.
— Meu Deus, estou maltratando minha família. E, ainda emocionado, irrompeu pela cozinha, abriu os braços, correu para o menino, abraçou-o com força e o convidou: — Filho, vamos brincar?”

Todos nós temos problemas e os teremos a vida toda

O importante é não os deixar nos sufocar. Deus nos manda buscar e cultivar a alegria, mesmo nas horas difíceis: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” “O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fl 4,4-7).

Para ajudar o outro a crescer é preciso aceitá-lo como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos. A partir daí é possível então, com paciência e carinho, alegria e bom humor, ajudá-lo a crescer.

O seu casamento tem a cor que você pinta, como dizia o meu velho professor Padre Mario Bonatti. Uma história nos ajuda a entender isso.

Um ancião descansava sentado à sombra de uma árvore quando foi abordado pelo motorista de um automóvel que estacionou a seu lado:
— Bom dia! – Bom dia! Respondeu o ancião.
— O senhor mora aqui? – Sim, há muitos anos…
— Venho de mudança e gostaria de saber como é o povo daqui. Como o senhor vive aqui há tanto tempo, deve conhecê-lo muito bem.
— É verdade, falou o ancião. Mas, por favor, me fale antes da cidade de onde vem.
— Ah! É ótima. Maravilhosa! Gente boa, fraterna… Fiz lá muitos amigos. Só a deixei por imperativos da profissão.
— Pois bem, meu filho. Esta cidade é exatamente igual. Vai gostar daqui.

O forasteiro agradeceu e partiu. Depois, apareceu outro motorista e também se dirigiu ao ancião:
— Estou chegando para morar aqui. O que me diz do lugar?

O ancião lançou-lhe a mesma pergunta:
— Como é a cidade de onde vem?
— Horrível! Povo orgulhoso, cheio de preconceitos, arrogante! Não fiz um único amigo naquele lugar horroroso!
— Sinto muito, meu filho, pois aqui você encontrará o mesmo ambiente…

O casamento não depende só do que acontece ao nosso redor, mas do que acontece dentro de nós mesmos. A felicidade nele se mede pelo espírito com que enfrentamos as dificuldades da vida.

A felicidade é um assunto de valentia; é muito mais fácil sentir-se deprimido e desesperado; não somos felizes até que decidamos sê-lo. O mesmo se dá também no casamento. Se formos nervosos, agressivos ou pessimistas, assim será o mundo e só acharemos problemas e conflitos.

O mundo tem a cor que lhe damos através das nossas lentes, da nossa maneira de ver as coisas

A sua medida não está naquilo que você alcança, mas naquilo que almeja alcançar. Ao invés de reclamar do seu esposo ou de sua esposa, dê-lhe algo importante para fazer. Einstein dizia que o melhor serviço que se pode prestar a outra pessoa é dar-lhe alguma coisa significante para fazer; e assim, torná-la mais digna.

Será que você não pode sugerir a seu cônjuge alguma atividade que o enobreça?

Saiba despertar no outro a alegria de trabalhar, de conhecer, de amar, de fazer os outros felizes; isso o fará crescer.

Uma coisa que os casais precisam aprender para não errar é não tomar resoluções durante a noite, ou nas trevas do desânimo, ou com o sangue quente nas veias; espere até sentir um clima de amor, de paz e de alegria. Isso vale também para os momentos de grande euforia; espere voltar à normalidade. A empolgação impede o casal de ver os problemas, só veem as vantagens.

Trecho retirado do livro “Problemas no casamento” do professor Felipe Aquino