O caminho para a cura no processo de perdão
O processo de perdão se dá numa caminhada que nem sempre é tão fácil ser vivida, pois traz consigo a mágoa, que faz com que tudo seja muito mais vivo dentro de nós. Perdoar parece algo que nos remete a ceder, perder ou dar o braço a torcer. Dá ainda a nós a sensação de um desafio injusto. É como se existisse uma distância muito grande entre o que você sente e o que, em algum momento, espera-se que você faça.
Uma grande batalha vai acontecendo dentro da gente: de um lado, a dor, o incômodo, as lembranças que insistem em voltar. Do outro lado, a ideia de perdoar, que, muitas vezes, soa como algo distante, difícil ou até impossível.

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A mágoa não surge do nada. Ela nasce quando algo importante para nós é ferido. Pode ser uma quebra de confiança, uma palavra dura, uma ausência que doeu mais do que deveria ou até uma repetição de pequenas situações que, acumuladas, se tornam pesadas. Cada pessoa sente à sua maneira, porque cada história tem seu próprio significado; portanto, não se culpe se o processo de perdão ainda não foi concluído em você.
O problema não está em sentir mágoa, mas quando ela se instala e vai ocupando um espaço constante na vida emocional. Reviver a situação, imaginar-se nela várias e várias vezes, sentir reações no corpo. Tudo isso é sinal de que o fato ainda tem um peso sobre você e que o perdão ainda não aconteceu.
Compreendendo a dor antes de tentar superar
Do ponto de vista espiritual, perdoar não se relaciona com esquecer o mal sofrido, mas com libertar-se do desejo de vingança, vivendo o amor e a misericórdia. Nesses momentos, falar de perdão pode parecer inadequado. Surge a pergunta: como perdoar algo que ainda dói?
Talvez o primeiro passo não seja perdoar, mas compreender. Compreender o que você sente, sem julgamento. Muitas pessoas tentam acelerar esse processo, como se houvesse um tempo “certo” para superar. Mas emoções não funcionam assim. Quanto mais você tenta ignorar ou reprimir o que sente, mais essa emoção encontra outras formas para aparecer em nós: dores, insônia, um dente que range e quebra, palpitações e tantos outros sintomas físicos e emocionais.
Permitir-se sentir não é prender-se à dor. É dar a ela um lugar para ser reconhecida. Você pode dizer, com honestidade interna: “isso me feriu”. Essa validação, por mais simples que pareça, começa a mudar sua relação com a mágoa.
Ferramentas práticas para aliviar o peso emocional
Um ato que pode ajudar muito é escrever (ou refletir, caso não queira escrever) sobre a situação que precisa ser perdoada. Você pode partir de alguns pontos que deixo aqui para você:
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Esta é a situação que vivi e que ainda não consegui perdoar;
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Este é o impacto que a situação trouxe para minha vida;
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Essas são as coisas que ainda me afetam (sensações, reações etc.);
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Eu imagino que a minha vida será melhor se eu conseguir perdoar essa pessoa.
Perdoar tem uma relação direta com a compreensão compassiva, ou seja, a compaixão para consigo, para a situação e para com o outro. Ao realizar esse caminho, você vai permitindo que a mágoa diminua e deixe de tomar tanto espaço dentro de você.
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A Diferença entre perdoar e reaproximar
Todas as pessoas magoam alguém em algum momento da vida. Como você gostaria de ser visto ou que pensassem sobre você caso tivesse magoado alguém? Perdoar não é aprovar o erro ou esquecê-lo, mas buscar uma forma de abandonar a raiva e olhar as situações por uma outra perspectiva.
Eu tenho qualidades, e elas permitirão que eu siga em frente. Fale sobre elas. Muitas vezes, ficamos desacreditados de nós mesmos a partir do que nos ocorreu. Esse exercício é chamado de carta de perdão: nela você vai escrevendo aquilo que precisa falar e, talvez, por algum motivo, não possa fazer diretamente com a pessoa.
Do ponto de vista psicológico, não há uma forma imediata e rápida de libertar-se do que lhe aconteceu, mas, enquanto processo, há um caminho que você fará para abandonar este peso que ocupa um grande lugar em sua vida. Nem sempre podemos contar com um reconhecimento do erro por parte da outra pessoa. Sendo assim, apenas você poderá lidar com isso, desamarrando esse vínculo emocional e deixando de alimentar uma ferida. O perdão não exige proximidade; muitas vezes, o distanciamento será a melhor solução.
Falar com alguém de confiança, buscar conforto espiritual e até mesmo ajuda em psicoterapia são caminhos possíveis para ordenar seus sentimentos. Se esse tema foi ao encontro de algo que você está vivendo, pergunte-se: o que eu preciso fazer para começar a aliviar essa dor?




