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Doença: a segunda insegurança de muitos casais

Muitas vezes, a doença atinge o casal de maneira muito dura, tirando-lhes a paz

Na vida de todo casal há muitos problemas, entre eles a doença. O casamento é uma missão árdua que deve ser exercida por amor a Deus, que incumbiu o casal de “crescer e multiplicar”. Cada um deve fazer o outro crescer na fé, na profissão, na estabilidade emocional, religiosa etc., gerar e educar os filhos que Deus lhes enviar.

Todos os casais enfrentam o problema da doença, seja do próprio casal, como também dos pais, dos filhos ou parentes próximos. Não há família que não seja visitada pela doença. Por isso mesmo, é preciso que todo casal seja prevenido. Sabemos que a melhor terapia é a prevenção.

Doença a segunda insegurança de muitos casaisFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Em primeiro lugar, o casal deve estar preocupado com os cuidados básicos de saúde.

Como a assistência médica pública hoje é precária na maioria das cidades, então, o casal que pode, deve providenciar um plano de saúde, colocando isso como prioridade em suas despesas, antes de lazer e outras necessidades menos importantes.

Todo mundo sabe que o mais importante para ter saúde é tratar a doença logo no começo, quando o tratamento é mais fácil, mais rápido e barato. Muitas pessoas sabem que estão com um problema de saúde, mas protelam a visita ao médico, nem sempre por razões financeiras.

Quando a doença nos atinge, temos duas providências a tomar: buscar o médico e a oração.

O livro do Eclesiástico nos ensina isso:

“Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou. Toda a medicina provém de Deus. O Senhor fez a terra produzir os medicamentos: o homem sensato não os despreza. O Altíssimo deu-lhes a ciência da medicina para ser honrado em suas maravilhas e dela se serve para acalmar as dores e curá-las. Meu filho, se estiveres doente, não te descuides de ti, mas ora ao Senhor, que te curará. Afasta-te do pecado, reergue as mãos e purifica teu coração de todo o pecado. Em seguida, dá lugar ao médico, pois ele foi criado por Deus; que ele não te deixe, pois sua arte te é necessária” (Eclo 38).

Muitas vezes, a doença nos atinge de maneira muito dura e pode nos tirar a paz. A única maneira de enfrentá-la é na fé e com os recursos da medicina. Na maioria das vezes, graças a Deus, podemos buscar a cura pelos remédios e cirurgias. No entanto, há casos em que o mal supera a medicina.

Nessa situação, temos de entregar-nos nas mãos de Deus e confiar no que Ele permite que aconteça.

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Fé e oração precisam fazer parte da vida do casal

A variedade das doenças é muito grande, e a medicina tem se desdobrado para enfrentá-las. São males do corpo e da alma. Hoje, muitos casais sofrem o problema da depressão, por exemplo, o que limita a vida do casal, mesmo no campo sexual. Tudo isso exige que o casal enfrente com fé e oração tudo isso.

Sabemos que Deus não é o Autor do mal nem das doenças, estas são frutos do pecado da humanidade. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Mas Deus sabe do mal tirar um bem. Santo Agostinho disse que Ele não permitiria o mal se dele não soubesse tirar um bem. O sofrimento na vida de um casal pode ser uma ocasião de mudança de vida, de conversão, de volta para Deus, até mesmo de reconciliação entre os cônjuges.

A doença derruba as ilusões

Às vezes, Deus permite que o corpo seja ferido para que a alma seja curada. Muitos só assim largaram do pecado e se voltaram para Deus. A maioria dos homens somente pelo sofrimento entende que a vida é passageira, transitória e provisória. A doença derruba as ilusões, as picuinhas, as vontades e as coisas pequenas.

A doença deve ser encarada na fé e no abandono em Deus. Na hora da enfermidade, prova-se a fé da pessoa e a sua confiança em Deus. Santo Agostinho disse que “provados pela mesma desgraça, os maus odeiam Deus e blasfemam enquanto os bons rezam e louvam. A diferença não está na desgraça sofrida, mas na qualidade de quem a sofre. Agitados o lodo e o perfume, o primeiro cheira mal e o segundo exala agradável fragrância”.

Santa Catarina de Gênova dizia que, “neste mundo, as pessoas doentes acham o Purgatório em seu próprio corpo”, isto é, a purificação nesta vida. A Providência Divina tudo permite a seu tempo.

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A penitência não vem sem a misericórdia

O grande bispo Jacques Bossuet dizia que “o verdadeiro tempo de expiar os pecados e de experimentar a graça do perdão é a doença. Enquanto esse espinho nos fere e incomoda, pesa sobre nós a mão de Deus e Ele próprio nos impõe a penitência, segundo a medida de sua infinita misericórdia”.

Por que a doença, justo agora que eu tinha belos projetos? Só Deus tem a resposta; e se Ele não a dá para nós, é porque deseja que confiemos n’Ele e, assim, sejamos cheios de méritos.

São Francisco de Sales dizia que “quando Deus nos convida ao sofrimento da doença, dispensa-nos da ação”. “Uma hora de sofrimento por amor e submissão à vontade de Deus vale mais do que muitos dias de trabalhos feitos com menos amor”.

Apoio familiar

Neste vale de lágrimas da vida, a doença é, muitas vezes, inevitável; então, soframos com resignação para não aumentar o sofrimento. Atravessar um período de doença exige de nós muita virtude, porque ela abate as nossas forças, justamente quando mais precisamos delas. Nesta hora, a melhor ajuda para o doente é o apoio da família, do cônjuge, dos filhos. Nada melhor do que sofrer com o que sofre e ajudá-lo com os auxílios de Deus e da medicina.

Nesta hora difícil, quase não conseguimos rezar; então, são preciosas as jaculatórias: “Meu Deus, meu Pai, faça-se a Vossa santa vontade! Bendito seja Deus!”.

O gemido do enfermo é uma grande oração

Quanto mais ficamos irritados e revoltados com a doença, mais sofremos. Deixe-a em paz. Tudo que se aceita transforma-se em amigo. Nessa hora, é preciso recorrer a Deus com fé; como aquela mulher hemorroíssa, que tocou no manto de Jesus e ficou curada. Com a mesma fé dos cegos que gritavam “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de nós!”, muitas pessoas têm recebido de Deus a graça e o dom da cura. É um recurso que nos ajuda a encontrar a cura e a libertação dos males.

São Camilo de Lelis, que entregou a sua vida tratando de doentes, escreveu a Oração do Enfermo:

Senhor, a doença bateu na porta de minha vida. Tirou-me do meu trabalho e colocou-me num outro mundo, o mundo dos doentes. Uma experiência dura, Senhor! Uma realidade difícil de aceitar. No entanto, agradeço mesmo por essa doença! Ela me faz tocar com a mão a fragilidade e a precariedade de vida. Liberta-me de tantas ilusões. Agora, olho tudo com olhos diferentes. Aquilo que tenho e que sou não me pertence, é um dom Seu. Descobri o que quer dizer “depender”. Ter necessidade de tudo e de todos, não poder fazer nada sozinho. Tenho provado a solidão, a angústia, o desespero, mas também o carinho, o amor, a amizade de tantas pessoas. Seja feita a Sua vontade! Eu Lhe ofereço os meus sofrimentos e os uno aos de Cristo. Peço ao Senhor que abençoe todas as pessoas que me assistem e todas aquelas que sofrem comigo.

É feliz quem a Deus se confia, diz o salmista.

Não permita que o medo do futuro, o medo de enfrentar uma doença ou de perder a pessoa amada o paralise. Viva um dia de cada vez e confie seu futuro nas mãos de Deus, que o ama e sempre quer o melhor para você.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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