Resgate o amor

Não amo mais o meu cônjuge. E agora?

Não existe mais nenhum sentimento positivo entre mim e meu cônjuge

Parece que foi ontem o dia do casamento, mas os anos se passaram e não existe mais nenhum sentimento positivo. Olho para o meu cônjuge e não sinto nada, apenas um desejo de ficar longe dele. “Não o admiro, ele é cheio de defeitos! Não sinto nem mesmo atração. Chego a não querer mais ter relações sexuais, não quero ficar próximo. Acho que não o amo mais!”

Essas expressões são bastante comuns na clínica e no dia a dia de quem atende ou escuta os casais. Entretanto, o que, na realidade, pode estar acontecendo? O que significa essa expressão comum na fala dos casais: “eu não amo mais?”. O que pode fazer com que as pessoas sintam esse esfriamento emocional e essa distância do outro? Existe saída?

Quando o casal vivencia conflitos e tensões no dia a dia, essas situações os marcam de alguma forma e, geralmente, de maneira negativa. A partir desses conflitos diários, identificamos duas produções: os conceitos negativos e a mágoa.

Não amo mais o meu cônjuge, e agoraFoto: Juanmonino

Conceitos negativos

Os conceitos negativos sobre o cônjuge são formados no dia a dia, diante das diversas situações como excesso de cobranças, volume e tom de voz, palavras duras e grosseiras, agressividades, silêncios, falta de colaboração, dificuldade de partilha financeira, entre outras dificuldades no relacionamento a dois. Tais situações provavelmente constroem uma visão negativa sobre o outro, não permitem enxergar mais aqueles atributos e características positivas que um dia os fizeram se amar e se admirar. Então, por meio dessas vivências desajustadas, podemos perceber que entra em cena um sentimento muito pouco reconhecido, normalmente escondido por nós mesmos: a mágoa.

A mágoa é um sentimento que nos afeta quando interpretamos que alguém nos ofendeu, agrediu, foi injusto ou diminuiu o nosso valor, provocando como consequência o afastamento progressivo dessa pessoa. Portanto, o que nos leva a uma sensação de falta de amor é, na verdade, a mudança de conceitos que aos poucos vamos introduzindo em nós diante dos conflitos diários e a mágoa que surge a partir das vivências negativas advindas dos conflitos e tensões que o casal vive.

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Temos identificado que existem “estágios” da mágoa. Existe um estágio inicial no qual a pessoa apresenta um sentimento negativo, mas ainda há admiração pelo cônjuge. Posteriormente, a pessoa vivencia um período no qual a mágoa o leva a sentimentos mais intensos de ira e a necessidade de um distanciamento cada vez maior, logo a seguir o último estágio, no qual a pessoa não vê mais nada de positivo no cônjuge, ela o vê como mau, como alguém impossível de conviver e, mais ainda, inicia-se um processo de desejar o mal, falar mal dessa pessoa até a vingança.

Qual a saída?

É preciso buscar o remédio para a mágoa, que se chama perdão. Ele é um ato de amor e misericórdia. Segundo Griffa e Moreno, no livro ‘As chaves para a psicologia do desenvolvimento’, os estágios do desenvolvimento da noção do perdão são as últimas aquisições no desenvolvimento da personalidade. O perdão, como máxima expressão do amor, é indicador do auge do desenvolvimento moral. O perdão é uma atitude madura da personalidade e deve ser vivido diariamente. É justamente essa atitude que fará com que se diminuam os sentimentos negativos, as atitudes de distanciamento e, ao mesmo tempo, poderá diminuir ainda tantos conceitos ruins que criamos a partir das nossas vivências no relacionamento a dois.


Diácono João Carlos e Maria Luiza

João Carlos Medeiros é membro do segundo elo Comunidade Canção Nova. Psicólogo clínico e familiar, Medeiros também é logoterapeuta, sexólogo e mestre em sexologia humana. Casado com Maria Luiza da Silva Medeiros que também é membro do segundo elo Comunidade Canção Nova, é psicóloga clínica e familiar. Ela é pós-graduada em psicoterapias cognitivas e em neuropsicologia.

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