📜 Aliança

Qual deve ser a consciência do leigo perante a figura do sacerdote?

O sacerdócio na Antiga e na Nova Aliança

O sacerdote, na Antiga Aliança, possuía a missão de recolher as ofertas, ensinar a Lei e oferecer sacrifícios, que, por sinal, eram limitados. O sacerdócio do Antigo Testamento, embora instituído pelo próprio Deus e gozasse de verdadeira autoridade sagrada, possuía um caráter provisório e preparatório, pois prefigurava o sacerdócio perfeito de Cristo. Seus sacerdotes não receberam os poderes sobrenaturais próprios do sacerdócio da Nova Aliança.

Com o advento do cristianismo, isto é, com a encarnação de Jesus, o sacerdócio da Antiga Aliança encontrou sua plenitude e seu cumprimento no sacerdócio instituído por Cristo. Agora, no Novo Testamento, Cristo concede ao sacerdote, pelo sacramento da Ordem, participação em seu sacerdócio ministerial, tornando-o capaz de consagrar a Eucaristia, fazendo com que o pão e o vinho se tornem verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo; de perdoar os pecados em seu nome; de unir a dor de quem sofre aos sofrimentos de Cristo, tornando meritório, em Cristo, o sofrimento do enfermo; e de administrar os sacramentos que lhe competem, entre eles a Crisma.

Vemos, por aqui, uma grande diferença entre o sacerdote do Antigo Testamento e o do Novo. O primeiro exercia um sacerdócio verdadeiro, porém, provisório, sem os poderes sacramentais próprios da Nova Aliança. O segundo, porém, participa do próprio sacerdócio de Cristo e recebe, por instituição divina, os poderes espirituais próprios do ministério sacerdotal.

A autoridade sacerdotal segundo Santo Afonso Maria de Ligório 

Santo Afonso Maria de Ligório, no livro ‘A Selva’, dizia que, na ordem autoridade, depois de Deus vem o sacerdote. O sacerdote pronuncia algumas palavras sobre o penitente: “Eu te absolvo dos teus pecados”, e Cristo, por meio do ministério sacerdotal, concede, imediatamente, o perdão dos pecados ao penitente verdadeiramente arrependido. O sacerdote diz: “Isto é o meu Corpo”, e Cristo torna presente, sacramentalmente, o seu Corpo e o seu Sangue sob as espécies do pão e do vinho. Ora, ninguém mais, além do sacerdote validamente ordenado, possui esse poder. Quando o sacerdote perdoa os pecados, ele, em Cristo, restitui à criatura batizada a vida da graça que havia sido perdida pelo pecado. Razão pela qual o sacerdote é chamado de pai. 

O sacerdote alimenta o povo com a Eucaristia; por isso também é chamado de pai, porque provê. Além da autoridade e do ensino, pela graça própria de estado do ministério sacerdotal, conduz seus filhos espirituais ao caminho da verdadeira liberdade em Cristo.

Qual deve ser a atitude dos fiéis perante o sacerdote? 

Diante disso, qual deve ser a atitude dos fiéis perante o sacerdote? Um dos maiores erros do tempo presente, entre tantos outros que adoecem as pessoas, é a inversão de papéis, que podemos definir como uma espécie de insurreição. Quando um filho tenta corrigir seu pai ou sua mãe, por melhor que seja sua intenção, há uma inversão de papéis, um movimento de insurreição, no qual o filho tenta assumir, em vão, o papel do pai ou da mãe. Com isso, além de não conseguir corrigi-los, acaba carregando um peso que não lhe pertence.

Qual deve ser o papel do filho? Amar, somente isso. Amar significa obedecer (desde que não lhe seja ordenado algo contrário à lei de Deus, aos Dez Mandamentos, pois, nesses casos, não existe obrigação de obedecer), rezar e acolher. Um professor de Filosofia meu dizia: “Ir contra os pais dá azar.”

Com o sacerdote, precisamos agir da mesma forma: amá-lo por meio da oração, rezando por ele, acolhendo-o, apoiando seu legítimo ministério com obediência e devoção. Em muitas comunidades, os fiéis, além de não rezarem por seus padres, falam mal deles, desobedecem àquele que recebeu uma graça de estado para conduzi-los, e o diabo faz a festa. Deus é a unidade de uma comunidade, e foi o próprio Deus, que é a unidade, quem deixou a figura do sacerdote para garanti-la. Rebelar-se injustamente contra o legítimo ministério do sacerdote é rebelar-se contra a ordem estabelecida por Deus para a sua Igreja e ferir a vida espiritual de uma comunidade.

Rezar com amor e perseverança pelo sacerdote

Depois, não podemos esquecer que formar um padre já é um grande milagre. Permanecer no ministério, então, é um milagre ainda maior. Muitas pessoas se levantam contra os sacerdotes como se fosse a coisa mais fácil do mundo formar um padre. Não é! Quantos morrem? Quantos deixam o ministério? Quantos adoecem? Muitos! Pesquise em sua Igreja Particular (diocese) quantos sacerdotes já deixaram o ministério ao longo dos últimos anos. Você verá que não foram poucos. Quantos entraram em depressão? Quantos cometeram atentado contra a própria vida? O número é assustador.

Sempre falamos que um sacerdote não deve escandalizar um leigo. E isso é verdade: não deve escandalizar. Porém, esquecemos que os leigos também não devem escandalizar os padres. Escandaliza quem deixa de rezar com amor e perseverança pelo seu sacerdote; escandaliza quem deixa de obedecer ao seu legítimo ministério; escandaliza quem vive falando mal; escandaliza quem desobedece às orientações pastorais.

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O sacerdócio: uma paternidade de ordem sobrenatural

Somos chamados, neste tempo, a cuidar de quem cuida de nós. O sacerdote é pai espiritual. Como as realidades espirituais precedem as temporais, podemos considerar, sem medo, que o sacerdote, enquanto pai espiritual, exerce uma paternidade de ordem sobrenatural, conduzindo seus filhos espirituais à vida eterna. Nesse sentido, sua missão pertence a uma ordem superior à da paternidade meramente natural, porque, na figura do sacerdote, Cristo quis tornar presente, de modo sacramental, a sua própria ação de Bom Pastor.

Não são poucas as pessoas que enfraquecem a própria vida espiritual porque vivem em constante atitude de oposição, murmuração e desobediência ao legítimo ministério de seus pastores. Ao romperem a comunhão, favorecem aquele que causa a divisão e enfraquece as comunidades. Muitas vezes, colocam-se contra os sacerdotes diante das mudanças porque seu ego, seu desejo de aparecer ou de receber aplausos não foi satisfeito, como se estivéssemos na Igreja para isso. Não estamos na Igreja para buscar reconhecimento, mas para conhecer o amor de Deus e viver nesse amor, que, sem sombra de dúvida, manifesta-se de maneira privilegiada na unidade. Amém.

Padre Leandro Rodrigues dos Santos
Arquidiocese de Curitiba, Mestre em teologia na Universidade Salesiana de Roma, Reitor do Seminário Propedêutico São João Maria Vianney e Pároco da Paróquia Santíssimo Sacramento em Curitiba.