Por que Deus não atende minhas orações e penitências?
O Catecismo esclarece que, embora Deus tenha o poder de curar, Ele por vezes opta por não o fazer, pois nem tudo o que pedimos é verdadeiramente benéfico para a nossa alma. Compreender a vontade divina nesses momentos de silêncio é o primeiro passo para fortalecer a nossa fé e não desanimar diante das provações.
Por que Deus não atende minhas orações e penitências?
Ao apresentarmos nossas súplicas, a resposta divina pode manifestar-se de três formas: “sim”, “não” ou “espere”. É imperativo compreender que a vontade do Criador visa sempre o bem maior do fiel, transcendendo nossos desejos imediatos e terrenos.
A penitência a exemplo de Santa Mônica
Sob esta ótica, o exemplo de Santa Mônica é emblemático, pois ela perseverou em oração durante vinte anos pela conversão de seu filho, Agostinho. Ele, que inicialmente era maniqueísta, não apenas se tornou cristão, mas ascendeu como um dos maiores doutores da Igreja.
Quando as comportas da graça se abriram, Deus concedeu muito mais do que o solicitado por Mônica. Agostinho tornou-se padre, bispo e santo, provando que a espera acumulou bênçãos que transformaram um homem comum em um gigante da fé cristã.
Os desígnios de Deus permanecem insondáveis, cabendo a nós pedir sem jamais desanimar. Assim como pais zelosos negam um objeto perigoso a um filho pequeno, a Providência nos priva daquilo que poderia comprometer nossa integridade espiritual.
A divergência entre a vontade humana e a divina
Conforme as palavras do profeta Isaías, a vontade do Senhor dista da vontade dos homens tanto quanto o céu dista da terra. Enquanto estamos excessivamente preocupados com as coisas terrenas, o foco do Criador permanece firmemente em nossa salvação e condução ao céu.
Em suma, a resposta cristã diante da necessidade deve ser a oração, o jejum e, acima de tudo, a humildade para aceitar o resultado. A verdadeira sabedoria reside em submeter o querer pessoal ao plano superior, confiando que a resposta dada é a mais adequada.
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O espinho na carne e a proteção contra a vaidade
Nesse sentido, São Paulo relata na segunda carta aos Coríntios que possuía um “espinho na carne”, interpretado por alguns estudiosos como uma malária recorrente. Apesar de ter pedido a cura três vezes, o Senhor lhe respondeu: “basta-te a minha graça”.
Subsequentemente, compreende-se que esse sofrimento servia como um antídoto contra a soberba. Tendo Paulo tido visões do terceiro céu, a enfermidade impedia que ele caísse no perigo da vaidade ou da arrogância, mantendo-o prostrado e dependente de Deus.
Portanto, um “espinho na carne” pode ser a ferramenta pedagógica para quem corre o risco de se perder no orgulho. Aceitar os planos do Alto com humildade, mesmo diante da dor, é o caminho para não sucumbir às ilusões da própria santidade ou fama.
Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin






