amor

O ato de confiar está diretamente ligado ao perdão

Para confiar, é necessário um encontro de amor com o outro

A confiança é o fruto que nasce de uma experiência de amor do encontro de duas pessoas. Para confiar, é preciso encontrar-se com o outro. Quando falo dessa atitude, lembro-me das experiências dos encontros de Jesus com tantas pessoas: Maria Madalena, Zaqueu, Bartimeu e Pedro. É o encontro que nasce do amor e da gratuidade capaz de ver o outro naquilo que o torna único. Um encontro de amor evocando que o melhor do outro venha à tona. Sim, é verdade, o amor é a única força capaz de perceber e intuir o que o outro tem de melhor, aquilo que, tantas vezes, está escondido e que só quem ama é capaz de perceber.

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Foto: Martin Dimitrov by Getty Images

A confiança nasce dessa relação de encontro de amor, que nasce na oficina da vida. Jesus foi se encontrando com as pessoas ao longo do caminho. É na caminhada da nossa existência que também vamos nos encontrando com as pessoas. No entanto, faz-se necessário uma abertura interior e disposição para acolher todos aqueles que a Divina Providência vai colocando ao nosso lado: na família, na escola, no grupo, na comunidade, no trabalho, enfim, em todas as situações que vivenciamos.

Para confiar, é necessário tempo. Em nossa comunidade, padre Jonas usa algumas palavras fortes para esta situação: “É necessário sangue, suor e lágrimas”. Não se confia em alguém de forma mágica, é preciso conhecer o outro e dar-se a conhecer. Para que isso ocorra, é preciso partilha, transparência, aceitação das diferenças, acolhimento, paciência e amor. Confiar é uma conquista que exige abertura de coração, implica amar na gratuidade. Ricardo Sá, membro da comunidade, diz que, quando o amor é amadurecido, aceita a todos. Confiar passa pelo processo de aceitação daquilo que o outro é, mesmo com os seus limites e defeitos.

Recomeçar sempre!

Talvez você se faça essa pergunta: “Como confiar quando nós somos traídos?”. Sinto que a confiança está muito ligada ao perdão. É preciso coragem para pedir e conceder perdão. Jesus nos ensinou isso, no alto da cruz, quando pediu ao Pai que perdoasse àqueles que O estavam crucificando. Ele disse: “Eles não sabem o que fazem”. Precisamos ter este olhar misericordioso do Senhor, que aceita, acolhe e é capaz de ir além da situação, enxergando o outro por inteiro. É capaz de recomeçar sempre. Confiar no outro exige de nós uma atitude crescente de recomeçar sempre, mesmo quando tenhamos sido traídos.

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Não é tarefa fácil, é trabalho e luta interior, exige lucidez diante dos fatos e autodomínio nos sentimentos. É preciso uma séria caminhada de conversão. Tenho feito essa experiência. Não é fácil, mas, ao conseguir atingi-la, experimenta-se a liberdade interior. O amor verdadeiramente nos faz livres. Só o amor. Confiar é amar!

Vera Lúcia
Missionária da Comunidade Canção Nova


Vera Lúcia Reis

Missionária na Canção Nova, Vera Lúcia Reis está, atualmente, como responsável de missão em São José do Rio Preto (SP). Formada em Teologia, a missionária também possui pós-graduação em Gestão Eclesial.

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