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Reflita sobre o primeiro domingo do Advento

No tempo do Advento, os fiéis da Igreja Católica de Rito Romano podem contar todos os anos com a coroa do advento, um antigo símbolo cristão e está muito associado aos domingos anteriores ao Natal. Trata-se de uma espécie de guirlanda composta por ramagens, fitas e quatro velas. Pelo fato de não existir nenhuma norma litúrgica específica para o seu uso, nota-se uma variedade de formas de composição da coroa. Com relação às velas, há lugares que exploram o uso das cores (verde, vermelho, rosa e branco), e outros que as mantêm mais padronizadas (apenas roxas). Contudo, é muito usual que a terceira vela seja rósea (cor rosa), o motivo dessa cor será explicado mais para frente.

Outro costume muito bonito, especialmente dentro das famílias cristãs católicas, é o de fazer memória do nascimento de Jesus por meio do presépio. A força do presépio no imaginário e na lembrança de muitas pessoas é tão grande, a ponto delas lembrarem com nitidez do tempo de criança em que ajudava a mãe ou algum familiar próximo a montar o presépio. Esta é uma linda expressão da fé popular que, infelizmente, tem se deteriorado.

Chegamos no primeiro domingo do Advento

Nesse tempo, a igreja ganha um tom mais sóbrio. Não se trata de uma sobriedade pesarosa, entristecida, mas uma simplicidade expectante. Por exemplo, os grandes arranjos de flores coloridas cedem espaço para uma ornamentação moderada até mesmo para não antecipar a plena alegria do Natal.

Os tons mais vibrantes do tempo litúrgico que ficara para traz, por exemplo, o verde e o dourado, transforma-se num tom mais fechado, o roxo. Até mesmo a música precisa ajudar nessa percepção de que algo mudou. Evitam-se aqueles instrumentos mais rítmicos e explosivos e passa a sobressair o órgão, por exemplo.

Chegamos, então, no primeiro domingo do Advento! E a liturgia por meio da oração da coleta da Santa Missa, dá o caráter escatológico da primeira parte desse tempo litúrgico: “concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste […]”. E, para possuir o reino celeste, uma coisa é necessária: fazer a vontade de Deus.

E qual seria esta vontade de Deus?

Esta resposta é facilmente encontrada logo no início do Evangelho de hoje: “Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento”; “vigiai”. O povo de Deus do antigo testamento sabia que, em algum momento da história, surgiria o grande Messias e, com isso, a estirpe de Davi voltaria a florescer. Nesse dia, as portas das prisões seriam abertas e os cativos seriam todos livres.

Acontece que eles não sabiam dizer o momento preciso em que isso aconteceria, assim, o povo de Deus deveria permanecer dia após dia em uma atitude de espera. É justamente este mesmo espírito de expectativa que a liturgia nos incentiva a viver.

Quando o Messias chegou, poucos realmente o esperavam, ao ponto de João exclamar no prólogo do seu Evangelho: “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1, 11). Muitos daqueles homens, até mesmo deveras religiosos, estavam cegados ou adormecidos. Já não montavam guarda na expectativa da chegada do seu general. O general chegou e eles nem perceberam.

Ciente da chegada iminente do Senhor, a Igreja nos coloca de sobreaviso a fim de que nos preparemos “para que não suceda que, vindo de repente, ele [nos] encontre dormindo” (Mc 13, 36). O verdadeiro discípulo precisa se esforçar para que não se deixe vencer pelo sono do descaso e da infidelidade ao Senhor.

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O que devo fazer na prática?

Vigiar não significa ficar permanecer estático, parado, letárgico. Se isso acontecer, o sono inevitavelmente acaba chegando! Para que nós, cristãos católicos, não cedamos espaço para as raízes maléficas do torpor, temos à nossa disposição algumas armas bem potentes. A primeira delas é o exame de consciência. Não existe melhor forma de iniciarmos esse novo tempo da liturgia fazendo um bom exame de consciência.

É o momento de trazermos à nossa consciência tudo aquilo que nos afasta do Senhor. Para que isso aconteça de maneira mais profunda, fica essa dica fundamental que darei agora. Não traga à consciência apenas os atos maus em si, tente seguir o rastro desse ato mau, ou seja, busque ter consciência de onde está a origem dele. O ato mau em si muitas vezes é a goteira da torneira. Se você seguir pelo cano, encontrará, no final, uma grande caixa d’água. É preciso esvaziá-la (!), caso contrário, todo conserto na torneira será paliativo.

O Senhor, dentro em breve, estará conosco e será um momento de festa. Não participemos desta festa com as nossas roupas sujas e rasgadas. Assim, depois de termos feito esse exame de consciência, passemos para um segundo ato, o sacramento da Penitência. Não deixemos para depois, o momento da graça é este, é o agora! Depois do exame de consciência caprichado e uma confissão bem feita, começamos o nosso advento com o pé direito. Sem esses dois passos, o sono e o torpor nos subjugarão.

Para concluir, quero te fazer um pedido. Indique esse conteúdo a pelo menos três pessoas. Assim, você estará nos ajudando a evangelizar cada vez mais pessoas. Deixe também o seu comentário aqui em baixo.

Deus abençoe você e até a próxima!


Gleidson Carvalho

Gleidson de Souza Carvalho é natural de Valença (RJ), mas viveu parte de sua vida em Piraúba (MG). Hoje, ele é missionário da Comunidade Canção Nova, candidato às ordens sacras, licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia, ambos pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, na Liturgia do Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários. Apresenta, com os demais seminaristas, o “Terço em Família” pela Rádio Canção Nova AM. (Instagram: @cngleidson)

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