planejamento familiar

Método Billings pode ser usado como método contraceptivo?

O Método Billings é contraceptivo?

A vida é o maior dom de Deus para o ser humano. Por isso mesmo, ela deve ser amada e preservada desde os primeiros instantes de sua existência, isto é, desde a concepção. Sabendo disso, a Igreja é contra todo e qualquer método que possa ameaçar a vida humana. Em particular, os métodos contraceptivos artificiais, sejam eles químicos de barreira (camisinha), dispositivos intra-uterino (DIU), hormonal (pílula ou injeção) etc.

A Igreja é contra tais métodos por um princípio básico: os contraceptivos, em particular os hormonais, podem ser abortivos. Eles, de modo geral, possuem dois efeitos: o primeiro consiste em impedir a ovulação; o segundo, evitar que haja nidação, como consequência a eliminação do embrião. Portanto, os métodos contraceptivos artificiais são, de algum modo, ameaça à vida humana, pois são pensados para que a vida não aconteça. Sendo a vida o dom mais precioso que o ser humano possui, os contraceptivos são moralmente inaceitáveis.

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Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Lei natural

A base da moralidade católica é a lei natural. Percebe-se que os anticoncepcionais são contrários à lei natural, pois, em vez de estimular a vida, ele a impede ou mesmo destrói. Além do mais, os anticoncepcionais são estímulos para uma sexualidade totalmente promíscua. Como é sabido, o casal cristão faz o compromisso, diante de Deus e da Igreja, de receber os filhos que Este lhe der, por isso, nenhum casal pode se fechar à vida. Isso quer dizer que o casal não pode usar método algum como contraceptivo.

Por outro lado, a Igreja adverte sobre a paternidade e maternidade responsável. Isso significa que a moral católica permite ao casal reduzir a quantidade de filhos, se for necessário, desde que para tal fim sejam usados métodos naturais.

Ensina o Catecismo que, “por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos […] Porém, vale ressaltar que tal desejo não seja proveniente do egoísmo, mas sim de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral”. (Catecismo, n.2368).

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Planejamento familiar

Os métodos naturais são aqueles que visam o regulação da fertilidade de forma completamente natural, isto é, sem intervenção nenhuma de medicamentos, intervenções cirúrgicas ou qualquer outra forma artificial para evitar a gravidez. Atualmente, o mais conhecido e confiável é o Método de Ovulação Billings. Recomendado devido a sua alta eficácia e confiabilidade, comprovada por inúmeras pesquisas, inclusive pela Organização Mundial da Saúde. Esse método consiste na abstinência sexual dentro do período fértil da mulher, desde que o casal esteja de comum acordo.

Como vimos anteriormente pelo Catecismo, mesmo os métodos naturais de regulação da fertilidade só podem ser usados com a intenção de espaçar a gravidez. Faço questão de destacar essa palavra “espaçar” a gravidez, e não evitar ou impedi-la.

Quando um casal diz querer evitar a gravidez, no fundo, está dizendo que não quer os filhos. Por outro lado, quando um casal diz que quer espaçar a gravidez, ele afirma: eu quero os filhos que Deus me der, porém, não agora. Vou, antes, planejar como recebê-los. Isso faz toda diferença! Tudo que foge dessa realidade não está de acordo com o Magistério da Igreja Católica.

Não deve ser usado como contraceptivo

É possível que casais cristãos estejam usando o Método Billings ou outro métodos naturais de regulação da fertilidade de forma a contradizer a moral católica, ou seja, usando o método por motivo egoísta, por apego aos bens materiais, com intenção de gastar menos e, dessa forma, poder acumular mais; por não ter paciência em cuidar e educar uma criança. Outros ainda com a intenção de ter mais tempo para si, tempo para passear etc.

Algo que deve ficar evidente: o Método Billings ou qualquer outro, mesmo que seja natural, não pode ser usado como método contraceptivo, quando usados devem ser com a intenção de espaçar a gravidez e não para a impedir. Isso porque o casal cristão se compromete, diante de Deus e da Igreja, a receber os filhos, dom de Deus, fruto de seu matrimônio.

Para tal fim, uma vez que somente por meio de métodos naturais esse processo é lícito, existe, por parte do Magistério, um incentivo para que sejam promovidos “centros com os métodos naturais de regulação da fertilidade como válida ajuda à paternidade e maternidade responsável. (…) É precisamente esse respeito que torna legítimo, ao serviço da procriação responsável, o recurso aos métodos naturais de regulação da fertilidade; esses têm-se aperfeiçoado progressivamente sob o ponto de vista científico e oferecem possibilidades concretas para decisões de harmonia com os valores morais”. (Evangelium Vitae, n. 88).


Elenildo Pereira

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

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