APRENDIZADO

Cultive uma vida emocional saudável nos seus filhos

Em um mundo materialista, o enfoque principal é a razão, o desenvolvimento do intelecto para compreensão de conceitos e análises de cenários. Desenvolver o quociente intelectual nos nossos filhos é muito importante, entretanto, não garante o sucesso deles na vida. Cada dia mais, constata-se que é necessário desenvolver o quociente emocional, pois este não é inerente ao ser humano. Motivar os filhos a identificar e controlar as suas emoções faz parte da educação emocional que os pais precisam dar para que esses possam enfrentar as situações cotidianas com mais destreza.

Cultive uma vida emocional saudável nos seus filhos por meio do carinho

Foto Ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Vida emocional saudável e harmoniosa diante das realidades

Diante dessa certeza, os pais se perguntam como podem ajudar os filhos a construir uma vida emocional saudável. Para isso, precisamos conhecer as quatro emoções básicas do ser humano, reconhecidas e estudadas pelos cientistas por meio das expressões faciais: felicidade, tristeza, medo e raiva. Emoções são reações derivadas pela confusão de sentimentos diante de uma situação externa ou interna, enquanto que sentimento é a capacidade de sentir algo, ou seja, de comover-se diante dos fatos da vida. É preciso entender que os afetos não se confundem com emoções e sentimentos, apesar de estarem associados a eles, pois podem ser definidos como sensações diante de objetos e situações. Por isso, é muito importante dar carinho para os filhos, a fim de que se conectem com a realidade de uma forma harmoniosa.

A maioria das pessoas passa a vida sem desenvolver a ação de sentir, ao contrário, num mundo tão hostil e de noticias ruins, essas pessoas são levadas a bloquear a capacidade de se deixarem impressionar e terem reação moral, psíquica ou física. Essa opção tem cobrado um preço alto, provocando transtornos psíquicos que atingem os filhos em idade cada vez menor, somatização de doenças físicas e desajustes de conduta moral.

Pais, sejam exemplos

Qual o caminho a seguir? Começar a trabalhar os afetos ainda no ventre materno, ou seja, levar as crianças a reconhecer suas sensações diante do bom é do ruim, entender quais sentimentos provocam diante de sua história e quais as reações que isso provoca, e como controlar essas emoções para ter uma vida saudável. Portanto, não se trata de reprimir, como faziam antigamente “homem não chora”, é preciso reconhecer e vivenciar de uma forma adequada. Por não ser inerente ao ser humano, é preciso criar hábitos e práticas que propicie esse amadurecimento emocional. O carinho é o principal veículo, mas não podemos entender isso como mimar as crianças, mas ensiná-las a importância de identificar porque choram ou sorriem, sem dramas, mas com controle de voz e ações.

Muito desse aprendizado deriva do exemplo das reações dos pais diante das frustações e conquistas, porque as emoções são construídas ao longo do ciclo da vida. O ato de dar e receber carinho fortalece o estabelecimento de vínculos afetivos, por isso, quando os pais são autênticos e claros em suas expressões, a criança não recebe mensagens dúbias, ela compreende e repete reações coerentes entre o sentir e o agir. O olhar dos pais transmite carinho ou não, reforçando os vínculos e o sentimento da criança ser amada. Não realize aquilo que seu filho pode fazer, pois isso não cria “músculos emocionais” para superar os obstáculos da vida com maturidade emocional de acordo com cada idade. Falar sobre os sentimentos e escutá-los ajuda a identificar e ressignificar se for preciso, e isso também pode ser feito através de jogos e brincadeiras.

Ensinamento para os filhos e aprendizado para os pais

Diante das situações da vida, com a ajuda dos pais, sem superproteção, a criança adquire um quociente emocional saudável. Ela deve ser ensinada a lidar com seus sentimentos, tais como a tristeza, sem ser agressiva ou exibicionista para conseguir atenção. Diante da dor, crie oportunidade de expor no lugar de ensinar a recalcar. Esse exemplo vale para os sentimentos positivos e negativos. Não é fácil quando os pais não foram ensinados a trabalhar as suas emoções, mas ao educar os filhos pode ser um momento de tanto pais quanto filhos desenvolverem respostas emocionais adequadas às situações cotidianas da vida.

Leia mais:
.:Conselhos do Papa Francisco para a educação dos filhos
.:Qual é a diferença entre mimar e dar afeto?
.:A influência do comportamento dos pais na vida dos filhos
.:Como formar crianças emocionalmente fortes e equilibradas?


Ângela Abdo

Mestre em Ciências Contábeis pela Fucape, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV, Gestão de Pessoas pela Faesa, graduada em Serviço Social pela Ufes e psicanalista. Consultora e Executiva na área de RH e empresa hospitalar. Foi coordenadora do grupo fundador do Movimento Mães que Oram pelos Filhos da Paróquia São Camilo de Lellis, em Vitória (ES) e do grupo de Amigos da Canção Nova de Vitória. Atualmente, é coordenadora nacional e internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos. Escritora dos livros “La Salette, o grito de uma Mãe!” (2018), “Superação x Rejeição: Aprendendo a ser livre” (2017), “Ser Mulher À Luz da Bíblia: Porque Deus Pode Tudo!” (2016) e “Mães que Oram pelos Filhos” (2016). Participa do programa “Papo de Mãe que Ora”, no canal Mães que Oram pelos Filhos Oficial, e do “Mães que Oram pelos Filhos”, na Rádio América.  Autora de livros publicados pela Editora Canção Nova.

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