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Os benefícios da mãe eucarística e adoradora

Para tornar-se mãe eucarística é necessário dedicar-se à adoração, afinal, como ensinou Santo Afonso de Ligório, grande devoto da Eucaristia, os “bons amigos encontram prazer na companhia um do outro. Vamos conhecer o prazer na companhia de nosso melhor amigo, um amigo que pode fazer tudo por nós, um amigo que nos ama além da medida. No Santíssimo Sacramento, podemos conversar com Ele diretamente do coração”. É preciso ver Jesus como um amigo. Santa Teresa D’Ávila já dizia isso sobre a oração, e só assim ela se sentia livre para estar na presença do seu amigo.

A adoração eucarística é uma fonte de união com Cristo. Ela é importante para uma mãe eucarística, pois gera vários benefícios. Primeiro, é uma grande oportunidade na vida espiritual, pois modifica os corações e, consequentemente, a vida pessoal, familiar e profissional de quem a faz, ou seja, as pessoas
são transformadas para poder amar melhor.

O segundo benefício é aprender a cultivar o silêncio num mundo tão barulhento, calar-se diante do mistério, dos pensamentos humanos, julgamentos e emoções conturbadas e ouvir a voz do Senhor. Outro benefício é poder ficar despido do orgulho e da vaidade, desabafar todas as fragilidades e dificuldades pessoais e entrar em contato com Aquele que ama com amor infinito.

Os benefícios da mãe eucarística e adoradora

Foto ilustrativa: abalcazar by Getty images

As consequências de uma mãe curada

A importância da adoração é aprender a cultivar uma vida interior que cura as feridas e transforma vidas, porque, quando a mãe é curada, os filhos são restaurados. Mas, cuidado, temos visto posturas escandalosas diante do Rei dos reis. Há pessoas que exageram diante de Jesus Eucarístico e se esquecem de que o padre usa o manto para não tocar no ostensório. Sendo assim, elas começam a tocá-lo, esquecendo que basta olhar ou tocar a orla do manto para que a graça aconteça, como aprendemos com a mulher cananeia. O mesmo acontece na hora de comungar, na missa. Algumas pessoas fazem tantos
gestos desnecessários, tentando demonstrar atitude piedosa, que perdem a essência do momento, quando o importante não são os gestos, mas um coração contrito e agradecido. Por isso as orações pós-comunhão são sempre de ação de graças e precedidas de um profundo silêncio.

O que propomos pode parecer desafiador e até impossível, mas a Igreja coleciona histórias de diversas mulheres que, na vida, souberam ser “Eucarísticas”, como Santa Catarina de Gênova que dizia: “O tempo passado diante do Sacrário é o tempo mais bem empregado da minha vida”. Em especial, lembramo-nos de Santa Juliana de Mont Cornillon, da Bélgica, uma monja agostiniana que
teve uma visão em sua adoração que motivou a instituição da Eucaristia, caminho seguro rumo ao céu na  Solenidade de Corpus Christi para toda a Igreja. Ela morreu contemplando Jesus Eucarístico na cela do mosteiro. Porém, há muitas outras que não entraram para o rol dos santos. Conhecemos mulheres em nossas igrejas que, sendo ministras extraordinárias da Sagrada Comunhão, levam uma vida de zelo
e adoração à Eucaristia, transmitindo santidade e paz e sendo verdadeiras mães eucarísticas.

Mulher eucarística

Não podemos deixar de nos recordar de Maria, a Mãe de Jesus, que foi a primeira a comungar, o primeiro sacrário da história e ostensório de Jesus. Maria é Mulher “Eucarística”: “Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente, a partir da sua atitude interior. Maria é mulher ‘eucarística’ na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo”4.

Imitemos Maria, que nunca abandonou seu Filho, participou da primeira adoração com os Reis Magos na Gruta de Belém e viveu outra dimensão eucarística. Muitas vezes, esquecemos a dimensão sacrificial da Eucaristia, anunciada por Simeão no templo e vivida no Calvário aos pés da Cruz. Com Maria,
aprendemos que a Eucaristia não é só festa e banquete, mas sacrifício e prova de amor. Muitos pais vivem com seus filhos no mundo das drogas ou em outras realidades de sofrimento. Eles estão vivendo a dimensão sacrificial da Eucaristia e nela têm o alimento para seguirem em pé, assim como Maria ficou  aos pés da Cruz. Na hora do sofrimento e da dor, precisamos de Jesus Eucarístico para não esmorecermos.

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Nossa Senhora de La Salette

Na aparição de Maria em La Salette, nota-se também sua identidade Eucarística, quando, na mensagem dirigida aos dois  videntes, Maximino e Melânia, em 19 de setembro de 1846, por duas vezes, ao falar do sétimo dia e da missa, ela fala da Eucaristia. Primeiro ela diz: “Dei-vos seis dias para trabalhar. Reservei-me o sétimo, e não me querem conceder”. Nossa Senhora de La Salette assume para si as palavras do Filho e pede que a Eucaristia dominical seja valorizada e vista como o dia do descanso e da família. Muitas são as famílias que têm em seu programa dominical a celebração eucarística como evento
mais importante do dia.

Em um segundo momento, Maria diz: “Durante o verão, só  algumas mulheres de certa idade vão à Missa. Os outros trabalham no domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quando não sabem o que fazer, só vão à Missa para zombar da religião”. Vemos aqui a preocupação da Mãe com os filhos que não respeitam o preceito eucarístico e que fazem da Eucaristia motivo de zombaria. Isso explica, em parte, porque durante seu discurso não parava de chorar. Podemos dizer que Nossa Senhora chora
cada vez que deixamos de nos alimentar da Eucaristia para nos entregarmos aos prazeres do mundo, deixando seu Filho em segundo plano.

Na exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, do Papa Bento XVI, ao falar de Maria, ele afirma: “Dela devemos aprender a tornar-nos pessoas eucarísticas e eclesiais Eucaristia, caminho seguro rumo ao céu, para podermos também nos apresentarmos, segundo a palavra de São Paulo, ‘imaculados’ perante o Senhor, tal como Ele nos quis desde o princípio”5.

Ser Mãe Eucarística é buscar ser imaculada no caminho da santidade, e esse caminho está aberto para todos que desejam uma vida mais santa e justa; portanto, precisamos de mulheres eucarísticas, homens eucarísticos e filhos eucarísticos para termos famílias eucarísticas.

Referências bibliográficas:

4 Ecclesia de Eucharistia, 53.

 5 Sacramentum Caritatis, 96.

Trecho extraído do livro “Eucaristia caminho seguro rumo ao céu”, de Angela Abdo.


Angela Abdo

Mestre em Ciências Contábeis pela Fucape, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV, Gestão de Pessoas pela Faesa, graduada em Serviço Social pela Ufes e psicanalista. Consultora e Executiva na área de RH e empresa hospitalar. Foi coordenadora do grupo fundador do Movimento Mães que Oram pelos Filhos da Paróquia São Camilo de Lellis, em Vitória (ES) e do grupo de Amigos da Canção Nova de Vitória. Atualmente, é coordenadora nacional e internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos. Escritora dos livros “La Salette, o grito de uma Mãe!” (2018), “Superação x Rejeição: Aprendendo a ser livre” (2017), “Ser Mulher À Luz da Bíblia: Porque Deus Pode Tudo!” (2016) e “Mães que Oram pelos Filhos” (2016). Participa do programa “Papo de Mãe que Ora”, no canal Mães que Oram pelos Filhos Oficial, e do “Mães que Oram pelos Filhos”, na Rádio América.  Autora de livros publicados pela Editora Canção Nova.

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