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A fé: coragem pra caminhar sem ver

Costumamos dizer: “a fé nos ilumina”, mas, na verdade, a fé não é luz. Se ela fosse luz, seria como um holofote direcionado aos nossos olhos a nos deixar cegos, pois quem vê o caminho não é pela fé que anda. O que é, então, a fé? ela é a coragem para caminhar sem ver, é caminhar no escuro. “A fé é a posse antecipada das coisas que esperamos” (Hb 11,1). Ou seja, é a certeza de chegar antes mesmo do primeiro passo. Ela é força, é impulso que nos faz seguir e não nos deixa estacionar.

A fé é também amiga da esperança. Enquanto a fé está do lado de cá da ponte, a esperança já atravessou. E é mirando a esperança que a fé se põe a caminhar. Motivada pela esperança, a fé avança sem medo, ainda sem ver, mesmo sem ter feito o caminho. Penso que essa ponte que liga uma a outra seja o amor. E, sustentada no amor, a fé avança sem desanimar.

A fé: coragem pra caminhar sem ver

Foto ilustrativa: Bastian Weltjen by Getty Images

Além da coragem, esperança e amor…

A fé não anda só. Ela tem como companheira a razão. A fé, eu diria, é o “NITRO” da razão. Onde a razão sozinha não chega a pode chegar, mas nunca deixa a razão para trás.

A fé é motivadora e, além da razão, tem sempre uma multidão a segui-la. São aqueles que, cheios de esperança, se põe a caminhar com fé. Já os que se perdem no caminho, geralmente, são os que quiseram divinizá-la ignorando a razão. O que é um gravíssimo erro.

A razão, por sua vez, parece não ser amiga da esperança. Vez ou outra, tenta convencer a fé a mudar de direção, mas a fé enxerga o que a razão não pode ver. E por isso, segue firme, confiante, esperançosa. A fé possui os olhos fitos na esperança e os pés firmados no amor e, ao enxergar a esperança acenando do outro lado da ponte, de forma alguma, pode deixá-la aguardando nem mesmo mudar de caminho.

Diferente do que possa parecer, a fé não anda errante, ela tem princípio e fim. Anda sobre um caminho seguro. É engano pensar que pela fé não se chega a lugar nenhum. Ou que a fé voe perdida por aí; seu “GPS” está firmado no amor, na esperança e nos cálculos da razão e, assim, ela não se perde.

A fé é ligeira. Tem pressa sim, mas volta quantas vezes for preciso para não perder nenhum daqueles que se puseram a caminhar com ela. É esperta… Ô se é! Ora, aquece o coração para motivar a caminhada. Ora, esfria para gerar desejo, proatividade, maturidade.

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Quanto mais não será fé?

Ela também é “marqueteira”, propaga a esperança quando todos já esqueceram e devolve o motivo de cada passo! Além disso, é empreendedora e enxerga possibilidades diante de portas fechadas. Ela é boa de negócio, investe sem medo, aposta alto, porque acredita que, entre lucros e prejuízos, “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28). Isso foi o que pude constatar depois de tanto caminhar com ela. Quanto mais não será fé?

Por fim, a fé é um presente, um dom que Deus dá a quem pedir. Então, bora lá caminhar com fé? “A fé não costuma falhar”, como diz uma conhecida canção.

No final, poderemos nos alegrar e declarar: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé!” (2Tm 4,7). Ou teria sido ela a me guardar?


Carla Picolotto

Carla Picolotto é natural de São José das Missões (RS). Membro da Canção Nova desde 2009, Carla passou pelas missões de Lavrinhas (SP), Cachoeira Paulista (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE),  Queluz (SP) e São José dos Campos (SP). Atualmente, está na missão da Terra Santa.