Discipulado

Só quem caminha com Jesus encontra a verdade de uma vida restaurada

Em cada apóstolo, um pouco de nós

Diante dos episódios bíblicos, muitas vezes, Jesus questionava os apóstolos e os mesmos se contradiziam em suas opiniões e ações. Hoje, deparo-me com a nossa capacidade de fazer um juízo das reações dos discípulos diante do Mestre de Nazaré.

Quantas vezes questionamos a demora dos apóstolos em entender que Jesus não era um Messias político! Ou a lentidão dos apóstolos em aderir aos propósitos do Mestre diante de tantos milagres! Milagres, estes, que revelavam que Aquele homem não era um simples profeta, mas Alguém além disso.

Jesus - Uma fotografia em plano detalhe que foca nos pés de uma pessoa caminhando por um terreno árido, pedregoso e empoeirado. A figura veste uma túnica ou veste longa de tecido rústico e claro (branco ou bege) que chega até a altura dos tornozelos.Nos pés, calça sandálias de couro marrom de tiras simples presas entre os dedos. O pé esquerdo está apoiado no chão de terra batida, enquanto o pé direito está ligeiramente elevado, capturando o movimento do passo. A iluminação é forte, de luz solar direta, projetando sombras nítidas sob os pés e realçando a textura de pequenas pedras e poeira do solo.

Foto ilustrativa: PeteWill by Getty Images

Tantos fatos, tantas situações e ocasiões que realmente “re+velavam” quem era Nosso Senhor e, ainda sim, segundo o nosso juízo, os discípulos não entendiam quem Ele era.

Junto com você, gostaria de lançar um olhar mais demorado sobre esses homens que conviveram bem de perto com o Senhor. Nós nos identificamos com cada um deles. Pedro, um homem sincero, mas muitas vezes medroso. Tiago, um homem firme. Bartolomeu, verdadeiro (como o próprio Cristo disse: “homem sem fingimento”). Mateus, um pecador que se arrependeu. Em cada um deles encontramos um pouco de nós. Assim como eles, também nós, apesar de conhecermos o Senhor e de, muitas vezes, já termos reconhecido a Sua presença em nossa vida e experimentado os Seus milagres, ainda não nos deixamos transformar por completo. Por quê?

O amor de Jesus

Ao olharmos de maneira demorada para a relação de Jesus com os discípulos, percebemos a pedagogia que Ele teve com cada um, pois eles trilharam um caminho com o Mestre. Um caminho de sofrimento não só para Jesus, mas também para eles. Com certeza, foi sofrido largar o pouco que tinham, ou ainda o tudo que eles tinha para sonharem o sonho de Jesus. Era uma nova proposta de vida, uma maneira diferente de viver daquela que eles tinham aprendido desde sempre. Tudo o que Cristo fez e propôs a eles, foi marcante e desafiador. Como deve ter sido difícil para eles ouvirem que, depois de três anos juntos, Jesus iria morrer pelas mãos dos fariseus e doutores da Lei. Nessa perspectiva, entendemos a atitude de Pedro em dizer que daria a vida por Jesus, mas que não O queria ver morto.

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A bela notícia é que somos também assim, somos contraditórios. Ao mesmo tempo em que O defendemos com a nossa conduta ou com nossas ações, também O negamos. Mas isso é próprio daquele que tem a coragem de se colocar a caminho. O desconcertante em Jesus é que aquele que vive a condição da contradição, ou seja, o errar mesmo querendo acertar, é a esse que Ele se apresenta como Mestre, como Aquele que forma, que modela, que gera a vida nova.

Olhemos para os mesmos discípulos. Em fatos isolados, eles podem nos ter desapontado por causa de suas reações, mas é inegável que, após essa caminhada com o Mestre, verdadeiramente eles foram “trans+formados”. Assim acontece também conosco. Não olhe na sua vida os fatos isolados, quando você não foi feliz em suas ações. Tenha a coragem de “olhar devagar” e enxergar o caminho que você está fazendo. O Jesus que amou Pedro no momento em que o apóstolo viveu o seu martírio, foi o mesmo que amou o discípulo no momento em que ele negou o Mestre.

Tenha coragem. Arrisque-se na escola do Mestre de Nazaré, onde o maior desafio é não olhar para o nosso limite, mas sim enxergarmos no amor de Jesus a possibilidade do nosso crescimento.

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