Recebeu o Espírito Santo...

Era um momento especial na vida dos apóstolos e discípulos de Jesus: estando reunidos “num mesmo lugar” (At 2,1), testemunhavam o cumprimento das promessas de Jesus, que lhes havia pedido: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai. Recebereis o poder do Espírito Santo”. (At 1,4.8). Quando chegou o dia de Pentecostes, uma multidão acorreu ao local em que os discípulos se encontravam. Então, Pedro, “de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão”, não sem antes pedir que o escutassem “com toda a atenção” (At 2,14).

Começou fazendo referências às promessas de Deus: “Nos últimos dias, derramarei do meu Espírito sobre toda carne”; e terminou – é o ponto mais alto de seu discurso – testemunhando que “Deus ressuscitou Jesus, exaltou-o e deu-lhe o Espírito”.

E Jesus, tendo recebido o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, “o derramou, como estais vendo e ouvindo” (At 2,17.32-33). Jesus recebeu do Pai o Espírito Santo e o derramou sobre os apóstolos, os discípulos e o mundo inteiro.

Começava um novo tempo na vida da Igreja – o tempo do Espírito Santo. Pode-se dizer, como o fazem muitos teólogos, que o Espírito Santo é para Jesus aquilo que Jesus foi para o Pai.

O Espírito Santo foi enviado por Jesus, tal como Jesus foi enviado pelo Pai; ele dá testemunho de Jesus, tal como Jesus deu testemunho do Pai; glorifica a Jesus, tal como Jesus glorifica ao Pai. Jesus ensinou em nome do Pai, e o Espírito Santo fala, recorda e explica toda a verdade aos discípulos em nome de Jesus. Cada ação de Jesus, cada gesto e palavra Sua em relação ao Pai tem seu paralelo explícito em uma ação e em uma palavra do Espírito Santo em relação a Ele, Jesus.

O Espírito Santo derramado por Jesus – é bom lembrar: os gestos divinos não são acontecimentos do passado, mas ações que se perpetuam, continuando a produzir transformações e resultados – completa a obra iniciada pelo Filho de Deus. É o Espírito Santo que entusiasma os apóstolos, impulsionando-os ao encontro de todas as pessoas e de todos os povos, isto é, de todos os que foram resgatados pelo sangue de Cristo. É o Espírito Santo que aumenta em nós o desejo de vida interior, que nos torna humildes, que nos dá um coração generoso, ao mesmo tempo em que diminui em nós a auto-su. ciência.

O maior perigo, hoje, não são as seitas; não são os ateus teóricos ou práticos; não é o consumismo, nem mesmo o hedonismo. O maior perigo é um cristianismo sem vida, sem cor, sem entusiasmo, sem maravilhas – sem o Espírito Santo. É hora, pois, de voltar nosso olhar para as primeiras comunidades. O livro dos Atos dos Apóstolos testemunha a ação do Espírito Santo em seu meio. Resultado dessa ação: colocavam tudo em comum e perseveravam na oração, no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna e na fração do pão. Mas esse livro faz referências, também, às perseguições que os cristãos sofreram, às prisões, aos julgamentos e ao martírio. O que lhes dava força para perseverar era um fogo que os consumia, um entusiasmo que contagiava outros – era o Espírito Santo. Antes, conheciam as palavras e gestos de Jesus. A partir de Pentecostes, compreendiam Sua mensagem, a extensão de Suas promessas e as exigências de Sua proposta.

Para o Cardeal Suenens, o derramamento do Espírito Santo foi, ao longo dos séculos, fonte de juventude, de criatividade e de fervor na Igreja. Por isso, ele costumava dizer: “Creio nas surpresas do Espírito Santo”. Para que testemunhemos essas surpresas, é preciso tomar consciência de que a Igreja está sempre no Cenáculo; é necessário, como os apóstolos, perseverar na oração com Maria; e é essencial acreditar que “o Espírito Santo recebe do que é de Cristo e o transmite a todos, entrando incessantemente na história do mundo através do coração do homem” (João Paulo II, DV, 67).

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