Perdoar é ser esperto

A agressão é um ato que alguém faz contra nós e que nos fere, machuca e continua doendo enquanto não sarar. Cada agressão recebida é como um espinho que entra em nossas emoções. Espinho que permanece ali enquanto não for retirado pelo perdão. Espinho que facilmente provoca profunda ferida. Ferida costuma doer. Doer ainda mais quando nela se toca.

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Há aqueles que se negam a perdoar o agressor com receio de que ele continue fazendo as mesmas coisas que praticou no passado. Quando o atleta se lesiona – num campo de futebol por exemplo – ele vai tratar-se, mesmo sabendo que no futuro poderá machucar-se novamente.

Uma picada de abelha dói pouco e pode até fazer bem à saúde. Contudo, quando alguém recebe centenas de picadas, ao mesmo tempo, facilmente morre. É impossível que quase todos os dias sejamos “picados” pelos nossos familiares, colegas e até por pessoas desconhecidas. Se não perdoarmos diariamente, o veneno do ressentimento vai se acumulando, envenenando-nos e prejudicando seriamente nossa saúde.

Mesmo que o outro continue me agredindo, me “picando” diariamente, o que, por uma questão de sobrevivência, eu não posso fazer é deixar que “este veneno” fique acumulado em meu coração. O mais sensato – e uma atitude de sabedoria – é perdoar todos os nossos agressores para que esses espinhos e o veneno das picadas não se acumulem em nosso interior.

Não consigo perdoar.

Perdoar é um ato da vontade e escolha que cada um deve fazer. Devo decidir: quero ou não perdoar? Eu tenho o comando da minha vida e posso optar por perdoar quem me agrediu ou continuar preso a ele pelo ressentimento.

Por que não queremos perdoar? Porque achamos que ao conceder perdão a alguém nos tornamos fracos e o declaramos mais forte e superior a nós. Mas, na verdade, é bem o contrário. A sociedade sempre apóia e aplaude quem faz o bem e não quem pratica o mal. Ora, quem me agrediu praticou o mal; se eu perdôo quem me agrediu, estou praticando o mal. Se o outro pratica o mal e eu o bem, então sou “superior” a ele. Assim aquele que perdoar será sempre vencedor. A Palavra de Deus fala disso de modo muito claro: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Rm 12, 21). Também nos dizem: Você quer ser feliz por um momento? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoa.

Perdoar nos interessa e traz muitíssimas vantagens – acima de tudo para aquele que perdoa. Esta é a descoberta que revoluciona a vida de todo ser humano. Quando nos damos conta de que perdoar é em primeiro lugar de interesse nosso, não perdemos tempo de pôr em prática esse maravilhoso recurso. Nem esperamos para amanhã para receber os seus benefícios. O perdão traz vantagens espirituais, psicológicas e, especialmente, físicas. Porque – por meio dele –realizamos uma fantástica descarga de fardos que carregávamos durante anos sobre nossos ombros. Ao aliviar o peso, o corpo passa a gozar de muito mais saúde.

Viver perdoando seria o mesmo que uma roupa que andasse por lugares poeirentos, barrentos e nunca ficasse suja, porque assim que a sujeira dela se aproximasse, espertamente, mandasse-a embora.

Se diariamente perdoássemos todos de tudo o que nos fazem, continuaríamos sempre limpos e maravilhosos – como Deus nos criou. Para conseguirmos essa graça Jesus nos deu a receita: “Perdoar todos de todo o coração” (Mt 18, 35).

Dizem que o mundo é dos espertos. Perdoar é ser um deles.

Se quiser saber mais sobre as vantagens de perdoar, você pode adquirir aqui na Canção Nova o meu livro: “Perdoar é mais barato”.

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