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O Sagrado Coração que revela o amor do Pai

O Coração de Jesus: rosto visível do amor invisível

O Sagrado Coração de Jesus é, antes de tudo, a porta aberta para o mistério do Pai. Quem contempla este Coração não vê apenas um símbolo devocional, mas a própria Revelação do amor divino feito carne. No Coração de Cristo, Deus deixa de ser uma ideia distante e torna-se presença próxima, sensível, acessível. É o Pai que se deixa tocar.

Jesus não veio apenas falar do Pai; Ele veio mostrar o Pai. Cada gesto, cada palavra, cada olhar de Cristo é uma janela aberta para o amor eterno que sempre existiu no coração de Deus. Por isso, contemplar o Sagrado Coração é entrar no movimento íntimo da Trindade: o Filho que recebe tudo do Pai e tudo devolve ao Pai em amor. Na Encarnação, Deus assume um coração humano para amar com gestos humanos. O Coração de Cristo é, portanto, laço e tradução humana do amor divino.

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Um coração que sente, sofre e se compadece

O amor do Pai não é indiferente. Ele vibra, sofre, alegra-se e compadece-se. Em Jesus, vemos um Deus que chora diante da morte de Lázaro (João 11, 35), que se comove com a multidão faminta (Mateus 14, 14) e que acolhe os pecadores com ternura (Lucas 5, 31-32). O Seu Coração é sensível às misérias humanas porque é movido pelo amor eterno do Pai, um amor compassivo e misericordioso. A Misericórdia não é exceção, mas o modo habitual de Deus amar (Lucas 15, 11-32).

O Coração de Jesus revela que o Pai nos ama, e não nos ama porque somos bons; ama-nos porque Ele é bom (Efésios 2,3-10).

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Um coração que se entrega até o fim e continua a amar hoje

O amor do Pai chega ao extremo na Cruz. O Coração de Jesus, aberto pela lança, não é apenas um acontecimento físico, visível, mas um gesto teológico: Deus deixa o Seu amor jorrar sem reservas, em doação plena e misericórdia infinita. Do lado aberto de Jesus brotam Sangue e Água, sinais dos sacramentos que continuam a derramar o amor do Pai sobre a Igreja, que continuam a mostrar a Sua presença e o Seu cuidado. Este Coração aberto continua ainda hoje a dizer a cada um de nós: “Não há nada que Eu não esteja disposto a dar por ti.”

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus não é nostalgia espiritual. É uma experiência atual, concreta, no meio dos nossos dias corridos e preenchidos. O Coração de Jesus continua a pulsar na Eucaristia, continua a chamar na Palavra, continua a consolar na oração. Ele permanece como refúgio seguro, fonte de misericórdia e escola de amor.

Quem se aproxima deste Coração aprende a confiar como filho, aprende a entregar-se sem reservas, aprende a esperar com esperança e aprende a construir a casa sobre a rocha firme. Aquele que se refugia no Coração de Jesus sabe que o amor do Pai não muda (o que muda é a nossa capacidade de o acolher).

Então, o convite do Coração de Jesus é simples e profundo: “Deixa-te amar!”. Diante de tudo o que Jesus nos revelou sobre o Pai, sobre o Seu olhar e o Seu amor, só podemos corresponder deixando-nos amar e amando. Não é preciso merecer, conquistar ou provar nada. Basta abrir o coração. Quem se deixa amar pelo Coração de Cristo descobre que o Pai sempre esteve ali, à espera, silencioso e fiel.

Paula Ferraz
É angolana, membro da Comunidade Canção Nova desde 2011 no modo de compromisso do Segundo Elo. Mora em Fátima/Portugal.