O valor do silêncio e da escuta
Quando Deus fala e a pessoa escuta, entra a harmonia em nosso interior e a paz inquieta preenche o coração. Uma paz que move a levar Deus para todas as pessoas e a ouvi-Lo sempre mais para ajudar a construir o Seu reino.
Vemos isso em Maria, quando ela escuta a voz de Deus por meio do Anjo Gabriel e lhe dá o sim, ao mesmo tempo que sua “alma exulta de alegria”, ela se coloca a caminho, a serviço de sua prima, que dará a luz ao antecessor de Jesus: João Batista. (Cf Lucas 1, 47ss)

Créditos: Arquivo CN.
Esse mesmo Deus continua a nos falar hoje, neste tempo de múltiplas conexões e infindáveis “barulhos” dentro e fora do espaço digital. Contudo, para escutá-Lo é preciso aprender a silenciar, como nos diz o Salmos 46,10: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.
Jesus também se calou para escutar o Pai. Frequentemente, ele se retirava para lugares solitários para rezar, mostrando que o silêncio é essencial para a vida espiritual (Lucas 5,16 e Marcos 6,31). Ele nos ensina: “Fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo, e teu Pai, que vê num lugar oculto, te recompensará” (Mateus 6,6).
Deus convida ao silêncio para escutá-Lo
“A esperança cristã não nasce no ruído, mas no silêncio”, disse o Papa Leão XIV. Mas o que é silenciar? É muito mais do que não falar ou estar em um lugar sem barulho, é um estado interior: quando a mente desacelera, o coração se aquieta e a pessoa para de reagir automaticamente aos pensamentos, aos medos, às lembranças e pressões externas. É suspender, ainda que por instantes, a necessidade de controlar tudo, de julgar tudo, de responder a tudo.
Como nos ensinou Monsenhor Jonas, “é necessário que reaprendamos a ouvir o silêncio”. Silenciar de verdade é mais do que ficar sem falar ou estar em um lugar sem barulho, é colaborar com a graça divina:
– Acalmar a agitação interior.
– Ter a atitude da escuta, em vez de apenas falar.
– Nomear as emoções diante de Deus.
– Dirigir a atenção para Deus que habita no templo de nosso corpo.
É “aquietar a alma”. Na linguagem psicológica, é sair do modo de hiperalerta e entrar no modo de presença plena, é deixar o Espírito Santo se manifestar. Logo, silenciar não é estar no vazio, mas conceder-se um espaço de reorganização interior pelo encontro consigo e a escuta da voz de Deus.
Por isso o silêncio assusta algumas pessoas, pois nele a pessoa se encontra consigo diante de Deus e vê-se como de fato é. Nesse encontro, pode-se ter clareza sobre as próprias faltas, os pecados, as virtudes e, ao mesmo tempo, o encontro com a bondade de Deus, a cura de feridas e a percepção da voz d’Ele, que nos mostra como agir e como amar melhor para ser mais santo.
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Como silenciar e escutar a Deus?
Comece aos poucos: desconecte-se da internet, peça a ajuda de Maria, a Mãe e modelo do silêncio; coloque-se mentalmente junto a Ela ou a Jesus, conte só para eles o que o inquieta e o porquê. Entregue tudo a eles – tudo! Eles sabem melhor do que nós quais são as soluções. Peça que eles lhe falem e deixem o Espírito Santo agir, para lhe mostrar as coisas de modo novo.
Se você treinar fazer alguns minutos de silêncio por dia, vai perceber o benefício que isso lhe traz e desejará estar mais vezes nessa atmosfera de graças. Comece com cinco minutos ou com meia hora por semana, em algum lugar da sua casa ou diante do sacrário. Não force nada. Se não conseguir no começo, não desista, não se condene; apenas diga para Deus que você vai continuar tentando, e o faça.
Leia algum conteúdo religioso ou veja um vídeo curto sobre a espiritualidade antes de se calar; deixe isso ecoar em seu coração. O próprio Deus lhe mostrará o método mais adequado para você silenciar. Ele é o primeiro interessado em ajudá-lo a escutar a Sua voz.
Se você treinar, o Espírito Santo agirá; então, chegará uma hora em que você conseguirá silenciar-se até mesmo em meio à multidão, como fazia o servo de Deus José Engling.
Em meio à trincheira de guerra, escreveu ao Padre José Kentenich, seu diretor espiritual: “Há uns dias, quando as granadas caíam ao meu lado, à direita e à esquerda, como de costume, eu rezava a Mãezinha e, em espírito, peregrinava ao nosso Santuário. Então, sentia-me tão unido a ela como nunca em minha vida, e não tinha o menor medo. Era um estado de tanta felicidade, que eu gostaria de permanecer nele para sempre”.
Como dizia padre José Kentenich, “Todas as grandes obras nascem no silêncio e vivem dele! É Deus quem realiza as grandes obras”. Silencie-se e escute: Deus está presente e quer lhe falar!
Que tal, ao terminar essa leitura, fazer um treino de silêncio por ao menos um minuto?
Ir. M. Nilza P. da Silva – Irmãs de Maria de Schoenstatt




