✨ Eucaristia

Alexandrina de Balazar, o sorriso que iluminou o mundo

Existem vidas que são escritas não apenas com palavras, mas com um amor que desafia a lógica humana, a ponto de oferecer os sofrimentos por alguém de inestimável valor: Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim foi a trajetória de Alexandrina Maria da Costa, a mística de Balazar. Uma mulher que transformou o silêncio de um quarto e a imobilidade de um leito em um grito de esperança que ecoou até o Vaticano e alcançou o mundo inteiro.

Beata Alexandrina de Balazar. Créditos: Arquivo CN.

O despertar de uma alma vibrante

Alexandrina nasceu em 30 de março em 1904, e não era uma criança frágil, era pura vida! Trabalhava nos campos de Balazar com uma energia que impressionava a todos, e o seu rendimento igualava-se ao dos homens. Mas o destino reservava um caminho onde sua força não estaria nos músculos, mas na alma.

Aos 14 anos, Alexandrina, para proteger sua pureza dos agressores que invadiram sua casa na véspera da Vigília Pascal de 1918, enquanto trabalhava nas costuras com sua irmã Deolinda e outra jovem, não hesitou, saltou da janela do quarto onde estava, no primeiro andar. Aquele salto, embora tenha se machucado, foi o voo de uma alma que preferia perder o chão que a perder a Deus. Neste ato heroico, vemos a sua primeira prova de amor a Ele.

Do leito de dor ao altar do mundo

A queda deixou marcas profundas e, aos 19 anos, os seus movimentos começaram a se esvair. Em 14 de abril de 1925, Alexandrina ficou completamente paralisada por 30 longos anos e nunca mais se levantou. Mas a sua vida não parou por ali.

Onde muitos veriam o fim, ela encontrou uma missão. O seu sonho era ser missionária em terras distantes, e pedia, insistentemente, a Santíssima Virgem a sua cura; Deus, porém, a fez missionária do sofrimento. Ao entender que suas dores poderiam salvar almas, em 1928, Alexandrina entendeu que a sua vocação era compartilhar misticamente o sofrimento de Cristo, oferecendo a Deus suas dores na intenção dos pecadores. Deu o seu ‘sim’ oferecendo-se como “vítima de amor”. (Lc 9,23) “Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, todos os dias, e siga-me.”

O milagre que desafia a ciência

A vida de Alexandrina foi um mistério vivo. Durante anos, todas as sextas-feiras, ela vivia misticamente a Paixão de Cristo, recuperando milagrosamente o movimento para percorrer a Via-sacra, para depois retornar à imobilidade.

Mais impressionante ainda: a partir de 1942, Alexandrina parou de comer e beber. Por 13 anos, seu único alimento foi a Eucaristia diária. Médicos e cientistas a observaram com rigor e ceticismo, apenas para confirmar o inexplicável: ela vivia exclusivamente de Deus na Santíssima Eucaristia que comungava. Sua existência era um sinal claro de que “nem só de pão vive o homem”. (Mt 4,4)

Uma voz que alcançou o Papa

Mesmo isolada no seu pequeno lugarejo, o coração de Alexandrina batia pelo mundo. Membro da Associação dos Salesianos Cooperadores, por meio de suas visões e insistência ficou conhecida por ter influenciado o Papa Pio XII a realizar a Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria em 1942: “A Vós, ao vosso Coração Imaculado, Nós como Pai comum da grande família cristã, como Vigário d’Aquele a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (Mat. 28, 18), e de quem recebemos a solicitude de quantas almas remidas com o seu sangue povoam o mundo universo, — a Vós, ao vosso Coração Imaculado, nesta hora trágica da história humana, confiamos, entregamos, consagramos não só a Santa Igreja, corpo místico de vosso Jesus, que pena e sangra em tantas partes e por tantos modos atribulada, mas também todo o mundo, dilacerado por discórdias, abrasado em incêndios de ódio, vítima de sua próprias iniquidades.”(*)

Mesmo paralisada, Alexandrina movia as engrenagens da Igreja com a força da sua oração.

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.:Refúgio e missão no legado na venerável Irmã Lúcia
.:Maria, a Mulher da Esperança que aguardou o Salvador

Um convite para você

A Beata Alexandrina nos deixa um desafio seguido de uma promessa. Jesus lhe revelou que aqueles que, com humildade e fervor, buscarem a Eucaristia e a adoração nas primeiras quintas-feiras de cada mês, encontrarão as portas do Céu abertas. Jesus apresentou-lhe duas grandes e magníficas promessas: “Minha filha, minha esposa querida, faz com que Eu seja amado, consolado e reparado na Minha Eucaristia. Diz, em Meu nome, que todos aqueles que comungarem bem, com sinceridade e humildade, fervor e amor nas seis primeiras quintas-feiras seguidas e junto do Meu sacrário passarem uma hora de adoração e íntima união Comigo, lhes prometo o Céu.

Devem honrar, pela Eucaristia, as Minhas Santas Chagas, honrando primeiro a do Meu sagrado ombro, tão pouco lembrada. Quem isso fizer, quem às Santas Chagas juntar as dores da Minha Bendita Mãe e em nome delas nos pedir graças, quer espirituais, quer corporais, Eu lhes prometo, a não ser que sejam de prejuízo à sua alma. No momento da morte, trarei Comigo Minha Mãe Santíssima para defendê-lo.” (1)

Alexandrina faleceu em 13 de outubro de 1955, mas seu testemunho continua vivo. Ela nos ensina que:

Nenhuma dor é inútil quando oferecida por amor.

Nossa limitação física não limita nossa capacidade de amar.

A Eucaristia é o combustível real para quem deseja atravessar desertos.

Que a vida de Alexandrina nos inspire a não desistir diante das nossas paralisias — sejam elas físicas, emocionais ou espirituais — que se transforme no nosso “quarto de dor” em um jardim de milagres. Como ela, olhe para o Céu e descubra que, mesmo sem poder caminhar, é possível voar nas asas do amor de Deus.

Por Nilza Maia, casada e Membro Definitivo do Núcleo da Comunidade Canção Nova.

Referências:

(*) . Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, vol. IV, pág. 253-262. © Libreria Editrice Vaticana

(1) . Este texto fazem oarte dá Biografia de Alexandrina de Balazar – é uma revelação particular relatada pela Beata nos anos (1904-1955. As promessas sobre as “seis primeiras quintas-feiras” foram, segundo seus escritos, reveladas por Jesus a ela em 25 de fevereiro de 1949.