Vozes internas

Dois ouvidos e uma decisão

Por um ouvido nos chegam más notícias, e por outro temos a esperança de que: para Deus nada é impossível

“Ainda falava, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo: ‘Tua filha morreu. Por que perturbas ainda o Mestre?’ ” (Marcos 5,35).

Acontecem duas coisas ao mesmo tempo. Enquanto Jesus fala com mulher, dando-lhe a paz, os da casa do chefe estão assegurando que não há nada mais a fazer. Esgotaram-se as possibilidades.

Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com

Precisamente, no momento em que Jesus afirma que basta ter fé, notificam a Jairo que sua filha já morreu e que não tem sentido o Mestre fazer uma viagem inútil para ver uma menina morta. Tudo havia terminado.

Assim acontece também em nossa vida. Por um ouvido nos chegam más notícias, e por outro temos a esperança de que: para Deus nada é impossível. Nós, e somente nós, decidimos com qual dos dois queremos escutar. Quase sempre, elas aparecem ao mesmo tempo, porém, nós determinamos em qual crer e tudo acontecerá de acordo com a nossa fé.

Um testemunho de fé

“Casei-me aos 20 anos. Meu esposo e eu fizemos muitos planos de viajar e aproveitar nossa juventude. Porém, imediatamente fiquei grávida de Victor e depois de Tiago. Aos 24 anos já estava esperando meu terceiro filho. Algumas pessoas nos diziam que estávamos loucos, que éramos inexperientes para ter já 3 filhos, dando-nos a entender que havíamos saído dos padrões normais da sociedade. Influenciavam-nos, dizendo que estávamos desperdiçando os melhores anos de nossas vidas.

Aquelas palavras foram minando minha vida, criando questionamentos para os quais eu não encontrava respostas. Alguns dias influenciavam-me mais do que eu gostaria. Inclusive, por vezes, estava um pouco triste e escutava tudo o que me diziam.

Um dia, conversando com Rogério, meu esposo, escutei o que mais precisava ouvir naquele momento. Ele me disse que a opinião dos demais não importava e que tínhamos precisamente o que queríamos, porque uma vida vale muito mais que qualquer coisa.

Também, Deus nos deu sua Palavra:Em verdade, em verdade eu vos digo: chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará. Vós vos entristecereis, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. Quando a mulher está para dar a luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, da à luz a criança ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem. Também vós, agora, estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria’ (Jo 16,20-23).

Hoje, já não pergunto nada, já tenho a resposta: chama-se Felipe, tem 9 anos e é uma verdadeira bênção de Deus para a família. Não o troco por nada. Graças a Deus não nos importou os que nos quiseram preocupar pelo ouvido esquerdo, senão atendermos ao Evangelho da Vida pelo ouvido direito. Não perdi os melhores anos da minha vida, ao contrário, os vivi de maneira única.”

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As vozes internas

Quando o Evangelho mostra que chegaram os da casa de Jairo para dar-lhe a nefasta notícia, podíamos pensar que dentro de nossa casa geram-se as notícias negativas que tratam de paralisar e não permitem sondar caminhos virgens. Muitas vezes, essas vozes não vêm do exterior, mas se apresentam dentro de nós mesmos. O coro dos nossos medos e feridas, frustrações e carências bloqueiam nossos pensamentos e afogam os sentimentos do coração, querendo convencer-nos de que tudo já está preestabelecido e nada podemos fazer para mudar as coisas. As vozes mais frequentes não são externas, mas sim internas.

Se deixarmos entrar em nós as notícias negativas, elas serão como plantas nefastas que crescerão e crescerão até invadir o campo de nosso coração e nossa mente, e o como “a boca fala daquilo que o coração está cheio”, então estaremos falando ao ouvido esquerdo dos nossos vizinhos, amigos e familiares.

Existem pessoas que só falam ao ouvido esquerdo das outras pessoas.

Infelizmente, quando deixamos entrar as más notícias em nosso coração, ele se enche tanto até transbordar e espalha a “praga” do pessimismo por onde quer. Então, somos nós mesmos quem falamos, diretamente, ao ouvido esquerdo de quantos nos rodeiam.

Prado Flores
(Extraído do livro “Éffeta! Abre-te!”)

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