Identidade

A desafiante arte de lidar consigo mesmo

Lidar consigo é uma arte que requer paciência, sensibilidade e, principalmente, uma pedagogia que somente Deus pode nos dar

“Lidar consigo é trabalho de artesão, fio a fio, e leva tempo pra dominar o coração”

Essas palavras são de Suely Façanha, na música “De coração a coração”. Eu as tomo emprestadas para falar da bela e desafiante arte de lidar com nós mesmos. Talvez, você, como eu, até já tenha encontrado soluções fáceis para problemas considerados difíceis na vida de outras pessoas. Mas quando a vida exige de nós uma autocompreensão, somos colocados frente a um grande desafio. É um trabalho realmente comparado ao do artesão, não acontece do dia para a noite nem da maneira que, talvez, esperávamos. É mesmo uma obra de arte, feita fio a fio, ponto a ponto, e leva um longo tempo para contemplá-la por inteiro; se é que a contemplaremos.

Foto: Wesley Almeida / cancaonova.com

Com frequência, ouvimos falar que os problemas de ordem física e espiritual, que assolam a humanidade, estão estreitamente ligados às dores da alma, ou seja, sofrimentos e traumas interiores que não foram partilhados, resolvidos ou curados, dos quais se destacam a depressão e as síndromes do medo e do pânico.

O que fazer diante disso?

Vem, então, a pergunta: o que fazer diante disso? Esse é nosso principal desafio: mostrar alternativas para nós mesmos e para os que nos procuram em busca de ajuda. Volto à música que citei no início do texto:

“Renúncia, dor e alegria, surpresa, perdão, euforia
Só podem partir de um lugar, vêm do coração.
Capaz de sorrir, capaz de odiar, destruir e recomeçar,
O coração foi feito somente pra amar. Capaz de acolher, capaz de chorar. Se perder e reconciliar. O coração foi feito somente pra amar…”

Tudo parte do coração, que foi feito somente para amar. É exatamente por essa razão que ele precisa estar centrado em Deus, fonte absoluta de todo amor e, portanto, de todo bem.

Acontece que, em meio a tantas ofertas e ruídos, não é tão fácil centrar o coração em Deus. Naturalmente, a vida vai exigindo de nós respostas, posturas e decisões que revelam o que somos e fazemos neste mundo. Essas exigências naturais, somadas às nossas fraquezas, medos, carências, ansiedades, sentimentos de rejeição, de autossuficiência e frustrações fazem uma combinação na qual fica em evidência nossa insegurança. Por isso, com frequência, falta-nos arte para lidar com nós mesmos, e corremos o risco de nos perder procurando nos encontrar.

É preciso pedir ao Senhor sabedoria para superar o desafio de lidar com nós mesmos, sem nos prejudicar nem ferir os que estão ao nosso lado, já que a tendência é transferirmos nossas culpas para os outros e até fugirmos do espelho que aponta nossa verdade.

Lidar consigo mesmo requer paciência

É também necessário ter calma, pois, quando não conseguimos administrar as exigências que sofremos, nosso físico se manifesta por meio de enfermidades e desequilíbrios; não raras vezes, desviando-nos da meta que Deus traçou para nós. A exemplo do artesão, precisamos ser pacientes. Por essa razão, concordo com a afirmativa: Lidar consigo mesmo é uma arte, que requer paciência, sensibilidade e, principalmente, uma pedagogia que somente Deus pode nos dar.

Leia mais:
.: Como lidar com ansiedade e ataques de pânico?
.: Meus pensamentos me ajudam ou me prejudicam?
.: Meus sentimentos determinam minha vida?

É essencial ter a consciência de que, quanto mais mergulharmos em Deus, tanto mais contemplaremos nós mesmos, e seremos por Ele restaurados. Recorramos, portanto, ao auxílio da graça divina para lidar com esse mistério. Considerando nossa história e valorizando nossas raízes, podemos compreender melhor nossas fragilidades e assumir nossa identidade. Acredito que essa seja a condição fundamental para alcançarmos a cura interior e a maturidade emocional. Quem não assume o que é vive fugindo, portanto, não é feliz nem se encontra com ele mesmo. Nossa verdade é sempre o ponto de partida para a construção da obra nova, que Deus quer realizar em nós a cada dia.

Que tenhamos a coragem de pensar sobre quem realmente somos, do que temos fugido e onde está a raiz dos sentimentos que habitam nosso ser. Diante dessas descobertas, mergulhemos em Deus que, de coração aberto, sempre nos espera.


Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às terças-feiras, está à frente do programa “De mãos unidas”, que apresenta às 21h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000. Recentemente, a missionária lançou o livro “Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar” pela Editora Canção Nova.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.