Vós valeis mais do que muitos pardais!

Deus criou o mundo visível com toda a sua beleza, sua riqueza, sua variedade e sua ordem. A Escritura nos diz simbolicamente que ele foi cri-ado em seis dias.

O Livro Sagrado, no entanto, não é um manual científico. Ele nos quer transmitir somente as verdades reveladas necessárias para nossa salva-ção. Verdades que revelam “a natureza profunda da criação, seu valor e sua finalidade, que é a glória de Deus” (LG,36), como nos ensina um texto do II Concílio do Vaticano.

Ensina-nos, primeiro, que tudo o que existe, deve sua existência a Deus. O mundo foi tirado do nada pela Palavra de Deus. É a partir deste acontecimento primordial que surgiram todos os seres existentes no Uni-verso.

Ensina-nos, em segundo lugar, que cada criatura tem sua bondade e perfeição própria. Deus “viu que isto era bom”, diz o Livro Sagrado, ao criar cada uma das obras nos seis dias. Cada criatura reflete, a seu modo, um pouco da sabedoria e da bondade infinita de Deus. Por isso, o homem deve respeitar a bondade de cada criatura e não usá-la de modo desordena-do, para não acarretar conseqüências desastrosas para o homem e seu meio ambiente.

Em terceiro lugar, ele nos ensina que há uma interdependência entre as criaturas, queridas por Deus. Umas dependem das outras. Umas com-pletam as outras. Umas estão ao serviço das outras. Há uma solidariedade entre todas as criaturas.

Em quarto lugar, o Livro Sagrado nos diz que o Universo é belo. A diversidade dos seres e suas relações mútuas dão ao mundo ordem e har-monia, traduzidas nas leis da natureza, as quais despertam a admiração dos sábios. Leis inscritas no coração da matéria pelo Criador. Leis que devem ser respeitadas pelo homem. Esta beleza da criação reflete a beleza infinita do Criador.

Em quinto lugar, há uma hierarquia nas criaturas. Nos seis dias da criação, Deus foi criando do menos perfeito ao mais perfeito.

Enfim, ensina-nos o Livro Sagrado que no ápice da obra da criação está o homem. Diz Jesus: “Vós valeis mais do que muitos pardais” (Lc 12,7). “Um homem vale muito mais que uma ovelha” (Mt 12,12).

No sétimo dia, no sábado, Deus concluiu sua obra e descansou, diz o Livro Sagrado.

Para nós, cristãos, nasceu um novo dia, o oitavo dia: o dia da ressur-reição de Cristo. Dia que inicia a nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa a primeira criação.

Vamos concluir com as palavras iniciais do cântico das criaturas de São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas”.

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