Você é livre?

A liberdade é um dos maiores anseios do ser humano. São Paulo nos diz: ‘Sim, irmãos, fostes chamados à liberdade‘ (Gl 5,13). Se olharmos a História da humanidade, muitas foram e são até hoje as lutas do homem para conseguir ou manter sua liberdade, ou pelo menos o conceito de liberdade de cada época, de cada região. Assim, ser livre para um escravo era não ter um opressor, ser livre para um nobre talvez fosse ter mais e mais influência na corte; para um camponês medieval, seria a dificílima chance de ascensão social; para um navegador, encontrar novas terras; para alguns era ter dinheiro, fama, ser reconhecido. Vivemos também nós muitos destes conceitos de liberdade: são atuais e muitas vezes nos deparamos com situações em que desejamos ser “livres”. Livres de pessoas, de trabalho. Livres de injustiças, livres de problemas e até de responsabilidades. Livres para fazermos, termos e sermos o que quisermos…

E é neste ponto que tomo a liberdade (como é constante a busca por ela!) de me apoiar na letra de uma música do Diácono Nelsinho Correa, para que possamos perceber qual tem sido o nosso grande erro: liberdade não é fazer só o que eu quero. Fazer, ter e ser somente aquilo que se quer nos torna escravos, prisioneiros da imperfeição, porque buscamos saciar o que passa, o que é supérfluo, o que é momentâneo. A princípio achamos que estamos fazendo a nossa vontade: eu faço o que eu quero! Aos poucos vamos percebendo que agindo assim estamos, na verdade, fazendo o que não queremos!!! Estamos fazendo porque todo mundo faz, temos porque está na moda ter, somos porque o mundo quer que sejamos… não fazemos o bem que queremos e fazemos o mal que não queremos. Mas, então, o que é ser realmente livre?

Chega a ser obvio demais ter que dizer que não há liberdade sem Deus. Mas é preciso dizer: só em Deus está a verdadeira liberdade. Deus não nos escraviza, como muitos pensam. Ele mesmo nos deu a liberdade. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo (CIC 1731). O Criador de todas as coisas nos deu a liberdade de agir ou não agir, de praticar qualquer ato, baseado na razão e na vontade. Mas a liberdade só alcança a perfeição se estiver fixada em Deus, voltada para Ele. Enquanto não buscamos a liberdade em Deus, vivemos com a possibilidade de escolher o bem e o mal, isto é, de crescermos rumo à perfeição ou pecarmos. Quanto mais praticamos o bem, mais nos tornamos livres. E porque isso? Porque a escolha do mal é um abuso da liberdade que Deus nos deu, e nos leva a uma “escravidão do pecado” (Rm 6, 17-18). E liberdade verdadeira é centrada em Deus: o Pai, na criação, nos deu a perfeita liberdade que nos traz felicidade (Tg 1,25), mas que foi roubada pelo inimigo de Deus, resgatada por Jesus na cruz (Gl 4, 4-7; 5, 1), e vivida por nós graças ao Espírito Santo (II Cor 3, 17). Por isso, só é verdadeiramente livre quem age de acordo com a Vontade de Deus.

É na realização plena da Vontade de Deus que somos verdadeiramente livres. Eu experimentei isso em minha vida muitas vezes. Toda vez que eu resisto, que eu luto para fazer aquilo que Deus quer, que insisto em fazer as coisas sozinho e do jeito que eu acho melhor, eu entro em um caminho me leva a um sofrimento, a uma escravidão, ao processo de ter que voltar àquilo que Deus quer e que, sem dúvida é melhor para mim. Esse processo é geralmente doloroso, porque é necessário deixar algo ao qual me apeguei, porque envolve mudança. Não significa que eu não tenha minha vontade, mas que, com toda liberdade, conscientemente escolho fazer o bem e a Vontade de Deus, sem a ilusão de que seja algo fácil e sem renúncias.

Eu convido você a fazer comigo uma reflexão sobre o que tem nos prendido, sobre o que nos impede de sermos livres em Deus. Que nós busquemos a verdadeira liberdade! Assumamos nossa liberdade de filhos de Deus, de herdeiros! (Gl 4, 7)
E cantemos juntos: “Eu sou livre, você é livre, somos livres para fazer a Vontade de Deus

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