Unidade entre fé e vida

Muitos cristãos deixam de procurar a santidade porque julgam que só pessoas especialmente consagradas podem consegui-la. É um erro. Por outro lado, para ser santos, é preciso colocar Cristo no centro da nossa vida: negócios, amores, tempo, trabalhos. Não somos discípulos de Cristo em horas determinadas, quando rezamos, ou em dias especiais.

O Cristianismo exige profunda unidade entre a fé que professamos e a vida que levamos. Cada um, no seu estado, na sua profissão, nas condições normais de sua vida, deve ter Cristo no centro de tudo. O antigo mestre da vida espiritual, Cassiano, nos dá uma comparação. “Suponhamos que um arquiteto queira construir a abóbada de uma abside. Deve traçar toda a circunferência partindo de um ponto-chave: o centro. Depois, irá calcular a curvatura e o desenho da estrutura. É assim que um só ponto se converte na peça fundamental de uma grande construção”. De modo semelhante, o Senhor é o ponto de referência central de nossos pensamentos, palavras e ações.

Seria uma grande incoerência deixar de lado a nossa condição de cristãos quando vemos um filme ou assistimos a um programa político, quando fechamos um negócio ou planejamos as férias ou na hora de escolher a escola para os filhos. Em tudo isso, a nossa vida deve ser coerente com a nossa fé. É comum que cristãos, mesmo de movimentos ou associações, sejam fiéis aos atos religiosos e à oração e, em seu trabalho, deixem Deus de lado. Disso decorrem a corrupção, a exploração dos outros, as “espertezas” pecaminosas.

Ao analisar uma proposta de emprego ou de um negócio, o bom cristão não olha apenas para as vantagens econômicas, mas também se a proposta é moralmente lícita. Se não o for, as vantagens financeiras e o prestígio que possam dar não devem ser considerados.

Sempre devemos pedir a Deus a graça de viver coerentemente nossa vocação cristã. A fé deve ser uma luz que nos dará a conhecer a verdadeira realidade das coisas e dos fatos. Como critério que nos dá essa unidade de vida, podemos usufruir e saborear tantas coisas boas, pensadas e realizadas por pessoas que se guiam por um critério humano reto. Há pessoas simples, pouco instruídas, mas de intensa vida cristã, que possuem um critério muito reto, que as faz apreciar acertadamente as diversas situações da vida. Outras, talvez mais cultas ou de grande capacidade intelectual, dão às vezes prova de uma lamentável carência de bom senso, enganando-se nos juízos de valor mais elementares.

O cristão que está mergulhado nas tarefas temporais deve, ao mesmo tempo, estar mergulhado em Deus, através da oração, dos sacramentos e da santificação de seus afazeres. Trata-se de sermos discípulos fiéis de Jesus no meio do mundo, na vida normal de todos os dias, com todas as suas dificuldades e em todos os acontecimentos cotidianos.

Dom Frei Daniel Tomasella
Diocese de Marília – SP
Fonte: Jornal ‘No Meio de Nós’

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