Quando um não quer, dois não brigam

Minha mãe sempre dizia esta frase quando um de seus filhos vinha reivindicar a razão numa briga de irmãos. Com isso, a dona Cida queria dizer que ambos estavam errados e mereciam castigo. É claro que a discussão continuava com os eternos ‘foi ele quem começou‘; ‘ela me provocou‘. No fim, sempre sobrava uma punição para todos. Uma mais severa para o maior culpado e uma outra mais branda para o coadjuvante. As vezes também, mamãe não chegava a um veredicto e todos ‘pagavam’ igualmente, ou sobrava para o mais velho – o que lhes escreve.

Neste interminável conflito no Oriente Médio, ninguém está imune de culpa. Todos têm atos questionáveis e em determinado tempo erraram. Mas o maior dos erros foi em não querer a paz: ‘quando 1 não quer, 2 não brigam‘. Ah se os judeus desejassem ardentemente por SHALOM. Nenhum povo tem em seu vocabulário uma palavra tão forte para designar a paz quanto os judeus. Shalom é muito mais que ausência de guerra, é uma paz sagrada. E. no entanto, optaram pelo conflito. O que não se resolve no diálogo, não se alcança com a guerra. E o que dizer dos Palestinos? Sem terra, sem Estado, e agora sem qualquer autonomia. Destruídos em sua organização. São, sem dúvidas, os que mais perdem com os conflitos. Já pagam por não insistirem na paz.

Foi ele quem começou…
Esta diferença entre israelenses e palestinos não vem de agora. Há uma história de desentendimentos, de mortes, de injustiças, de destruição e de vinganças. A toda hora um grita: ‘foi ele quem começou…’ É duro ‘zerar’. Há sempre alguém se achando no direito de revidar. De vingar o sangue derramado por um pai, por um irmão. Mas na história há tantos exemplos de países que antes guerreavam e hoje são parceiros. A Europa hoje unificada é uma boa demonstração disso.

É possível se chegar a uma paz na Terra Santa. Pode-se conviver sem ódio. Mas isto não será possível sem o desejo de ambos ou, pelo menos, sem o primeiro passo de uma parte: ‘2 não brigam quando 1 …

Por outro lado, não se chega a uma solução com uma mãe ‘puxando sardinha para um lado‘, sendo parcial. Os Estados Unidos não são capazes de mediar este conflito, porque estão ‘até o fio do cabelo’ envolvidos com Israel. A ‘mãezona’, capaz de puxar as orelhas dos brigões, de impor castigos e restabelecer a ordem chama-se ONU, com o apoio decidido da União Européia e dos países árabes. Esqueçam o Bush! Ele também não deseja a paz!

Osvaldo Luiz
Editor Chefe do Jornalismo Canção Nova
E-mail: oswaldo@cancaonova.com

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